Quem acompanha o blog já percebeu que eu não gosto de religiões. Respeito a fé das pessoas, mesmo sem concordar nem entender, porque essa é uma questão individual, de foro íntimo, mas não as instituições que, em nome de um deus cuja existência jamais foi provada, pregam o ódio, o preconceito e abarrotam as contas bancárias dos seus líderes. Apesar de não ser uma militante ateísta, não escondo de ninguém minha não-crença.
Bom, mas por que esse papo agora? Por causa de mais uma pérola do Vaticano. A igreja — e não só a católica — age sempre assim: quando não consegue mais confrontar as evidências trazidas à tona pela ciência, simplesmente trata de roubá-las para o seu líder imaginário. Pois o papa Bento XVI decidiu sucumbir e admitir que o Big-Bang deu origem ao Universo, mas colocou na conta do deus cristão. Ora, então houve o Big-Bang, mas ele não pode ter sido obra do acaso, da natureza?
Durante muito tempo as religiões venderam a ideia de que o mundo era restrito ao planeta Terra e que só existia há seis mil anos. Mais ainda, que nossos primeiros ancestrais foram Adão e Eva. Não podendo mais sustentar a tese criacionista, passaram a admitir, mesmo em parte, a evolução, mas de novo trataram de relacioná-la a processos espirituais.
Até quando as religiões vão continuar mudando seu discurso à proporção que a ciência avança? Então cada vez que um arqueólogo cavar mais um buraco e fizer uma nova descoberta ou cada vez que a pesquisa do DNA trouxer novas evidências a verdade absoluta vai mudar? Mas o livro sagrado não é mesmo? Gênesis agora passou a ser somente uma alegoria, uma mensagem subliminar? Eu, particularmente, não dou a mínima para a bíblia, que, como dizia o mestre Saramago, não passa de um manual de maus costumes. Mas esse já é outro capítulo.
Por ora, o que segue são questionamentos que não trazem consigo, de forma alguma, a intenção de contestar a orientação espiritual de quem quer que seja, mas de provocar uma saudável e enriquecedora discussão acerca do futuro do posicionamento e da argumentação das religiões. O que restará a elas se chegar o dia em que todos os mistérios forem desvendados?
Há tempos venho querendo compartilhar um vídeo aqui no blog, cujo relato traz a seguinte “pregação”: “a ciência salvou minha alma”. Relutei porque ele é bem grandinho: dura 15 minutos. Agora, aproveitando o tema, resolvi postar. Concorde ou não com seu conteúdo, não há como negar que é uma abordagem interessante. Na minha opinião, todos os argumentos fazem muito sentido, apesar das discretas pinceladas de deísmo e panteísmo.
Ah, e tudo o que o papa falou dessa história do Big-Bang está
aqui.
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