Há alguns dias venho planejando abordar mais uma vez o drama de quem é usuário do serviço de transporte coletivo oferecido pela Campostur. Ontem o colega João Noronha tratou do assunto
aqui no seu blog
Vento Nordeste. Não só assino embaixo, como acrescento mais algumas observações.
Quem acompanha o blog sabe que minha maior chateação é com a poluição sonora. Já opinei sobre a falta de noção de alguns passageiros (
aqui), reclamei dos motoristas e cobradores que tratam nosso ouvido como penico (
aqui) e até apelei para o bom humor (
aqui), porque senão a gente acaba pirando mesmo. Afinal, é um tempo considerável das nossas vidas que passamos em um veículo desconfortável, inseguro e barulhento.
Não sou muito boa com números, mas fiz uma conta por alto: para quem mora em São João da Barra, como eu, são duas horas de viagem, somando ida e volta. Descontando sábados, domingos, feriados e um mês de férias, passamos quase 20 dias por ano dentro do busão da Campostur, ouvindo sertanejos e pagodes, dividindo espaço com baratas, suportando o fedor das cortinas.
A empresa comprou quatro ônibus zerados, tudo bem. Uma evolução e tanto para quem adquiria sucatas da capital e só passava uma tinta. Mas o estado do restante da frota é lastimável.
São as aeronaves da Campostur. Assim que “decolam” da Praça da República (a obra da Rodoviária Roberto Silveira não acaba não?) já sinalizam problema com o ruído estranho no motor. No meio do caminho, ou logo no começo, apresentam leve turbulência, que aumenta conforme o motorista insiste em concluir sua viagem, e eis que somos todos forçados a uma conexão não programada: saltamos na estrada e esperamos a próxima condução — muitas vezes microônibus caindo aos pedaços, lotados e com longas escalas em Grussaí e Atafona, antes do destino final.
Agora, sem brincadeira, anda difícil suportar o martírio que tem sido sair de casa para trabalhar. Já que a Campostur não tem pena de nós, o jeito é apelar para o Detro. Alô, fiscais, nos socorram por favor!