Coleção
candida 18/11/2010 00:07
  Coleção                                                            Cândida Albernaz             - Sente o meu coração?             - Hum- hum.             - O que você acha?                 - Normal.             - Normal, como? Não vê que está acelerado?             - Pode ser.             - Pode ser? Estou aqui me desmanchando por dentro e não percebe?             - Não seja boba, também estou feliz por estarmos aqui.             - Verdade?             - Hum-hum.             - Odeio quando faz isso.             - Isso o quê?             - Hum-hum. Tenho certeza de que não está prestando atenção no que estou falando.             - Claro que não. Agora só estou pensando em você. Não quer tirar a blusa?             - Agora por quê? Penso em você o tempo todo. Vê como é diferente?             - Ora, não seja boba. É só maneira de falar.             - Tá bom. Então diz que me ama.             - Te amo.         - Assim rápido não vale. Tem que falar direito.             - Te amoooo.             - Eu também te amo. Você me acha boba mesmo?             - Como assim? Não te acho boba coisa nenhuma. Venha cá, deite aqui ao meu lado e tire essa blusa. Está quente.             - Você falou duas vezes para eu parar de ser boba.             - Não foi com intenção. Deixe te abraçar, vai sentir como meu coração também está acelerado.             - Gosta de criança?             - Como?             - Quero saber se gosta de criança, se quer ter filhos um dia.             - Adoro criança, de preferência desligada, dormindo.             - Não pensa em ter filhos?             - Que conversa é essa? Vamos falar menos, quero sentir você. Nossa, que cheiro bom! Se pudesse não parava de te beijar.             - Ora, bobinho. É só querer me ver todo dia. Minha boca é só sua.             - Só a boca? Não percebe que quero você todinha?             - Não seja apressado. - Deite aqui. Vê como é gostoso nós dois assim, coladinhos? Percebe como está o meu coração?             - Devagar, assim fico sufocada.             - Quero sufocar você, te deixar molinha e sem ar.             - Deus me livre!             - O que foi agora? Por que se levantou?             - Claro, está dizendo que quer me ver morta.             - Como assim morta?             - Sem ar, sufocada, molinha. Eu hein?             - Cansei. Acho melhor irmos embora.             - Ficou zangado comigo?             - Zangado? Não. Só acho melhor deixar para outro dia.             - Está zangado sim. Falou que íamos passar a tarde aqui para depois jantarmos.             - Você quer jantar?             - Claro, não foi o que combinamos?             - Você não me deixa chegar perto, não fica nem mesmo sentada, quanto mais deitada e agora quer jantar? Tá me achando com cara de otário?             - Se me convidou...             - Mas não te convidei apenas para jantar. E depois, não pára de falar um segundo. Nem gosto de mulher que fala tanto.             - Não gosta mais de mim.             - Gostar? Acho você muito gostosinha. Aliás, achava.             - Minha mãe tinha razão.             - O que sua mãe tem a ver com isso?             - Ela disse que você não era um cara para casar.             - Casar? Quem falou em casamento? Conheci você ontem.             - Faz um mês.             - Um mês, um ano, um dia. Dá no mesmo. E abotoe sua blusa direito, porque os botões estão trocados.             - Não quer mais me ver?             - Depende.             - De quê?             - Se você deitar aqui agora e fechar sua boquinha, vou pensar no assunto.             - Seu grosso!             - Vamos embora. Já paguei a conta e nem usei. Estou indo para o carro.             - Amor?             - O que é agora?!             - Posso levar o xampu e o sabonete que está no banheiro? É para minha coleção.             - ?!

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    Sobre o autor

    Candida Albernaz

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    Candida Albernaz escreve contos desde 2005, e com a necessidade de publicá-los nasceu o blog "Em cada canto um conto". Em 2012, iniciou com as "Frases nem tão soltas", que possuem um conceito mais pessoal. "Percebo ser infinita enquanto me tornando uma, duas ou muitas me transformo em cada personagem criado. Escrever me liberta".

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