O direito de expressar a não-crença
julia 19/10/2010 21:19
Eu juro que até pensei em meter a colher nas polêmicas que agitam (de novo, como sempre, continuamente!) o cenário político de São João da Barra. São dois assuntos que rendem: eleição, obviamente, que parece nunca ter fim por aqui; e o difícil consenso entre os interesses dos nativos do quinto distrito e dos empreendedores dispostos a investir na vizinhança do porto do Açu. Mas, sinceramente, anda tudo tão cansativo e tão repetitivo que até desanima. Por hora, o que interessa mesmo é a sucessão presidencial. A eleição está na porta e, pelo visto, vai ficar marcada na história pelo tom religioso que, como nunca, anda pautando o debate. Se tudo isso tem um lado bom é que permitiu trazer à tona um tema antes considerado verdadeiro tabu em nosso país. Um exemplo é o excelente texto da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, que assume de forma lúcida e com sólidos argumentos seu ateísmo. Pouco importa o que Dilma e Serra de fato pensam sobre aborto. Em campanha, eles dirão o que o povo brasileiro deseja ouvir - e não os culpo nem um pouco por isso. Se o que o povo deseja ouvir é que o(a) futuro(a) chefe de nosso Estado teoricamente laico é temente a Deus e aos valores das religiões católica e evangélica, assim será. Por quê? Porque, no nosso país, ser ateu é feio. Ateus não são confiáveis. Ateus não podem ser chefes de Estado nem devem confessar em cadeia nacional sua não-crença, como minha mãe bem me advertiu lá no começo da minha carreira de declarações públicas ("Olha o Fernando Henrique, até ele passou a falar em Deus!"). Segui o conselho de minha mãe por dez anos, resignada e crendo que, de fato, pouco deveria importar para os outros se eu pessoalmente acreditava ou não em Deus ou seguia alguma religião em particular. Mas agora, irritada ao ver os jornais e as campanhas políticas dominadas pelo discurso religioso, resolvi que não me calo mais: sou ateia, sinto-me discriminada por causa de minha crença na não-existência de um Deus (nem de vários), e agora vou fazer ativamente campanha em prol do respeito à não-crença. Quer ler o texto completo? Confira no blog A neurocientista de plantão.

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