Aprendizado
Duas horas de fila para votar em Atafona. Duas horas de papo e uma triste constatação: tem muita gente sem a menor ideia do que significa o voto, sequer do que fazer quando estiver diante da urna eletrônica.
A desinformação e o desinteresse do eleitor fazem a alegria dos compradores de votos, criaturas inescrupulosas que estão se lixando para o bom uso do dinheiro público. Só pensam no bolso e na medição de forças para o embate seguinte.
Cumprido o meu papel de cidadã, com a consciência limpa de quem buscou a melhor escolha para o fortalecimento da democracia, confesso que não votei com o mesmo entusiasmo de antes. E, pode parecer bobagem, mas a própria desobrigação de portar o título de eleitor teve um simbolismo estranho.
É triste concluir que a política brasileira continua longe de traduzir a concepção de governo do povo para o povo. O país avançou, mas o debate ainda não. Talvez estejamos aprendendo, talvez ainda faltem muitas etapas.
Tomara que os números das urnas, logo mais, nos tragam agradáveis surpresas. Tomara que um dia tenhamos a compreensão de que, ao elegermos nossos governantes e parlamentares, estamos escolhendo e remunerando servidores públicos para tomar conta do que é nosso. E não premiando celebridades, agradando amigos ou cuidando do nosso próprio quintal.
Enquanto não chegamos lá, são os versos de Roger, na boa música do Ultraje a Rigor, que melhor expressam todo esse sentimento de impotência.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=kiyvRs7JEAU[/youtube]