Uma moedinha, por favor
Ninguém pode questionar o papel extraordinário que a ONG Orquestrando a Vida, do Centro Cultura Musical, desenvolve pela democratização e qualidade da cultura no município. Muito menos o empenho, a competência e a seriedade de seus dirigentes. Mas quem comanda o projeto precisa ficar atento a uma situação que pode manchar a imagem do trabalho tão importante que é realizado.
Na tarde de ontem, duas jovens violinistas pediam dinheiro no sinal de trânsito do movimentado cruzamento entre a Alberto Torres e a Voluntários da Pátria, bem em frente à sede da ONG. Estavam uniformizadas e chamavam a atenção de motoristas e pedestres com performances musicais.
Ambas me abordaram pedindo “uma moedinha” e responderam afirmativamente quando perguntei se eram menores de idade, mas disseram que estavam ali por livre e espontânea vontade. Não sou especialista no assunto, mas creio que neste caso tal argumento não seja suficiente para legitimar a exposição das adolescentes.
E não é a primeira vez. Há alguns meses fui abordada, no mesmo local, por um menino de uns 12 anos, no máximo, também aluno da ONG, pedindo dinheiro para ajudar em um espetáculo que seria apresentado.
Não posso afirmar que os responsáveis pela ONG tenham conhecimento disso. Mas eles podem e devem averiguar. Todo mundo sabe que não só em Campos, mas em todo o país, é difícil fazer cultura. E a sociedade é quem acaba colaborando mesmo. Mas é preciso encontrar outras formas de captar recursos, sem que seja necessário expor crianças e adolescentes desta forma.