Sem emprego e sem teto
julia 24/08/2010 23:14
Um grupo de 41 trabalhadores maranhenses está neste momento alojado dentro de um ônibus em Grussaí à espera de alguém que possa explicar o motivo pelo qual não foi cumprida a promessa de emprego no canteiro de obras do porto do Açu. Mais que isso, espera por comida e um lugar para dormir. Os operários vieram de Barão do Grajaú, cidade que fica a 650 km da capital São Luís. Saíram de lá às 17h30 de sábado e chegaram ao Açu nesta terça, às 4h. No Maranhão, foram contactados por um agenciador do próprio estado que, por sua vez, estava a serviço de outro agenciador de Minas Gerais. Trouxeram a listagem de documentos necessários para a contratação, com cabeçalho da empresa Santa Bárbara, e um encaminhamento da agência de empregos MRG. Para aproveitar a oportunidade de trabalho, desembolsaram, cada um, R$ 150 para o agenciador, mais R$ 300 para o fretamento do ônibus. Nos quase três dias de viagem pagaram a comida do próprio bolso. Alguns pegaram dinheiro emprestado com juros mensais de 15%. O problema começou quando chegaram ao canteiro de obras. “Ninguém nos deu atenção na portaria, Eram quase 11h e ainda nem tínhamos tomado café, quando resolvemos sair perguntando e fomos parar no escritório da empresa. Lá disseram simplesmente que as vagas não existiam, que não tinham contratado o agenciador”, contou o carpinteiro Weldem de Carvalho, 21 anos. Dos 42 trabalhadores que chegaram no ônibus, 39 carpinteiros e três pedreiros, exatamente como detalhado no encaminhamento, a empresa se interessou por contratar apenas quatro. Um aceitou, mas os outros três resolveram não abandonar o grupo. O carpinteiro José Pereira Lima, 51 anos, veio com os dois filhos. “Meus filhos tiveram as carteiras (de trabalho) aprovadas, mas eu não, e então eles não aceitaram para não me deixarem sozinho aqui, sem saber como vou fazer para comer, dormir ou voltar para casa, que é no que eu mais penso agora”. Algumas pessoas solidárias com o drama dos operários conseguiram arranjar comida para eles. “Era um marmitex para três”, disse Weldem. Segundo os operários, só bem mais tarde apareceu uma pessoa responsável pela empresa, já na porta do alojamento em Grussaí, mas nenhuma solução foi apresentada. Na noite desta terça, eles conseguiram falar por telefone com o agenciador do Maranhão que argumentou, por sua vez, não ter conseguido mais contato com o agenciador de Minas, e que a orientação era continuar esperando na frente do alojamento da empresa. Os maranhenses contaram ainda que chegaram ontem ao porto do Açu mais 40 trabalhadores em três vans, vindas do Sergipe, que também não teriam sido contratados, mas não havia notícia do paradeiro deles.

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