Agora a Campostur botou frente. Circulam pela linha Campos-São João da Barra ônibus tinindo de novos — e não aquelas sucatas reformadas. Poltronas super confortáveis, ar condicionado... um luxo. Até na imagem a empresa resolveu investir. Criou uma logomarca mais moderna, mudou a cor dos veículos e o uniforme dos motoristas e cobradores está uma graça.
Mesmo sabendo que não é mais que obrigação para quem cobra passagens tão caras, não custa agradecer, lógico. A viagem fica bem mais agradável e segura com ônibus decentes.
Tudo lindo, maravilhoso, mas o velho problema do barulho continua. Já abordei o assunto
aqui, focando na
mea culpa dos passageiros.
Nos ônibus novos o “serviço” foi sofisticado e agora a Campostur oferece som e imagem. A pequena tela exibe clipes musicais durante todo o trajeto.
Eu já viajei duas vezes no novo busão. Em ambas, com todo respeito a quem curte o estilo e o cantor, tive que suportar um show inteirinho do “sertanejo” Leonardo. E alto. Nem ligando o MP3 no último volume, quase estourando os tímpanos através do fone de ouvido, dá jeito. Ler, nem pensar.
Não custa repetir: aparelho sonoro em ônibus é proibido por lei. O passageiro não é cliente, que a empresa pode se recusar a atender, se quiser. É usuário de um serviço essencial que depende de concessão pública. Não pode ser ao gosto do freguês — no caso o motorista, o cobrador, ou um ou mais passageiros que gostem do sonzinho durante a viagem.
Eu, sinceramente, sinto como se tivesse sido obrigada a desembolsar R$ 7 por um ingresso para ver Leonardo. Pode ser uma promoção e tanto, mas, na boa, nem menos eu pagaria. Além do mais, ônibus é serviço de transporte e não balada, que você entra com a intenção de ouvir música.
Portanto, fica combinado assim: a empresa cumpre a lei e retira o som. Os passageiros escolhem: quem quiser ouvir música, leva seu próprio MP3, MP4 ou o que for, o fone de ouvido, e curte o som de sua preferência; quem não quiser, tem assegurado o seu direito.