FLIP 8 - Paraty 2010
Ontem a entrevista com a escritora chilena Isabel Allende que teve como mediador Humberto Werneck foi mesclada com assuntos particulares de sua vida como o fato de não ter conhecido seu pai, que saiu de casa quando ela tinha ainda três anos e só voltou a vê-lo já morto. Foi chamada para fazer um reconhecimento do corpo, e pensando ser seu irmão, dirigiu-se para o local com seu padrasto. Lá chegando afirmou desconhecer o corpo do homem sem vida, e o padrasto então falou ser aquele seu pai.
Disse ainda manter uma troca de cartas quase diária com sua mãe que hoje está com noventa e seis anos. Perguntada se haveria a possibilidade de publicar esses escritos, respondeu que apesar de ter tudo guardado e catalogado por datas, não se sentia a vontade para tanto, pois ali está muito de sua intimidade e dos seus.
Divertiu a todos com comentários sobre a forma como conheceu seu marido e como é o convívio de uma chilena com um americano. “É muito difícil estar casado comigo. Primeiro porque sou muito mandona. E sou muito forte”. Seduziu a platéia com um jeito simples e garantiu boas risadas quando afirmou que o ponto G da mulher fica no ouvido. Explicou em seguida, que foi através das conversas e histórias contadas pelo marido que se apaixonou por ele.
Falou sobre sua forma de criação, o medo e insegurança que tem a cada vez que começa a escrever um livro.
Disse ainda que sempre que inicia, pensa que está escrevendo algo ruim, sem valor, e que assim vai adquirindo aos poucos a confiança necessária para ter um bom resultado.
Trabalha em seus textos por 14 horas seguidas e que a melhor forma de conseguir sucesso é persistência, esforço e disciplina.
Seu último livro “A ilha sobre o mar” é passado no século XVIII, onde hoje é o Haiti, e fala sobre escravidão, romance e prazeres. Como a maioria de seus livros, ao começar a ler, o leitor não conseguirá parar até que chegue a última página.
Cândida Albernaz 6-8-2010