Poluição sonora
Falando em Brasil 2014, uma coisa é certa: as vuvuzelas vão invadir o país na próxima Copa. Essa mania barulhenta dos africanos é a cara do jeito brasileiro de festejar. Se agora já é insuportável, imagine com o campeonato em casa.
Aliás, haja ruído excessivo. Quando junta Copa do Mundo com festas juninas, então, é preciso paciência para suportar tanta poluição sonora. Primeiro, os fogos de artifício. Em muitos países a venda deste produto é altamente controlada, pelo perigo de explosão, mas aqui a liberação é geral. E haja fogos para perturbar o sossego alheio.
Pode até ser uma tradição, mas sinceramente não vejo graça nenhuma. Os fogos causam danos à audição, podem provocar incêndios, prejudicam a concentração de quem está trabalhando, assustam os idosos, irritam os cães, atacam as aves. Tudo isso sem que tenham qualquer serventia.
Mas é claro que não são só os fogos de artifício que atormentam. Na carona vêm os trios elétricos — e os carros com síndrome de trio elétrico —, as buzinas enlouquecidas, os vizinhos sem nenhuma noção de cidadania, de convivência em comunidade, e agora também elas, as vuvuzelas.
Viver em absoluto silêncio, evidentemente, seria não só muito chato, como um transtorno. Mas para tudo existe o bom senso. Sinceramente, tem gente que exagera. Só que no Brasil barulho é sinônimo de alegria. E quem ousa questionar é chamado de deprimido, infeliz, mal humorado.
Enquanto prevalece essa cultura, a luta em defesa do direito ao sossego parece inglória, apesar das leis que protegem as pessoas da poluição sonora, a qualquer hora do dia, e não só a partir das 22h, como confundem muitas pessoas.
O que falta é civilidade, é entender que os hábitos de uns não podem interferir nos direitos de outros. Festejar é bom, mas não precisa extrapolar.