Nada definido
julia 16/05/2010 15:16
Quem esperava um cenário de poucas surpresas na sucessão estadual pode ter que começar a rever seus conceitos. A um mês das convenções que vão homologar as candidaturas e definir o jogo político o clima já não é tão tranqüilo. Pode não chegar a acontecer uma reviravolta, mas o quadro atual é, no mínimo, suficiente para mexer um bocado nas peças do tabuleiro. O governador Sérgio Cabral continua favorito, mas não necessariamente na zona de conforto que se anunciava. Não vive exatamente uma lua-de-mel com o presidente Lula, apesar da parceria com jeito de consolidada, tem problemas na área de saúde e não é, nem de longe, o queridinho dos servidores estaduais. Além disso, vai acabar sendo obrigado a lançar mão, mais cedo ou mais tarde, do contra-ataque explícito para se defender da artilharia pesada do ex-governador Garotinho que, por sua vez, aumenta a cada dia o arsenal de denúncias contra o principal adversário. Cabral enfrenta o bônus e o ônus de quem detém a caneta. Garotinho continua atirando e pagando caro por isso. A onda de boatos sobre uma possível desistência do sonho de voltar ao Palácio Guanabara cresce na capital e no interior. No auge da crise, alimentada pelo recente afastamento dos microfones da Rádio Melodia, ele convocou reunião com todos os pré-candidatos e dirigentes de diretórios do PR para reunião no Rio nesta segunda-feira. Por enquanto nenhum sinal concreto de que vá jogar a toalha. Por fora corre o habilidoso Gabeira. Passa longe de toda a polêmica e aposta que pode modificar o formato plebiscitário da campanha. Com boa aceitação na capital — por pouco não atrapalhou os planos de Eduardo Paes em 2008 — o deputado verde segue quietinho, feito mineiro, em peregrinação pelo interior, onde Cabral e Garotinho já passeiam faz tempo. É a famosa terceira via, ainda com números modestos nas sondagens de intenções de votos, mas com algum potencial considerável de crescimento. Se Gabeira permanecer distante do embate PMDB x PR pode começar, quem sabe, a sonhar com uma beiradinha de chance no segundo turno. Porque ninguém imagina quais poderão ser as conseqüências da troca de farpas entre Cabral e Garotinho. Neste caso, o candidato do PV só precisaria contar com um pouco de sorte. Como política é a arte do possível, dá para prever ainda muita turbulência e fortes emoções pelo caminho.

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