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- Atualizado em 27/05/2026 12:04
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Herbson Freitas*
-Não é novidade – acredito -, mas muitos não sabem que o mês de novembro é o mês da Cultura. Mas, na verdade, o mês da cultura são todos os meses de janeiro a dezembro. Começando quase pelo final, um destaque se faz necessário: o aniversário da antiga emissora Rádio Cultura de Campos (PRF-7) que vai completar no final do ano 92 anos de existência, quase um século a serviço da radiodifusão no Estado do Rio, sendo a primeira a emitir os primeiros sinais radiofônicos. Foi no mês de novembro, precisamente no dia 11 de 1934. Mais antiga do que a Tupi, que está completando 90 anos.
-Há 76 anos atrás era lançado, no Rio de Janeiro, um Movimento de Renovação Cultural que tinha (e tem) o nome de “Parvinismo”, fundado entre o riso dos palhaços e o rugir das feras do Circo Garcia (de Antonino Garcia), que exaltava o ridículo: “Somos a encarnação do ridículo trágico e patético”, tendo como inspiração Hamlet, Quixote, Tartufo, Carlitos e Sartre”.
A origem do dito vocábulo é desconhecida da maioria dos mortais. O seu criador Gipson Antunes de Freitas, campista, falecido, que residia em Niterói, sustenta que significa o respeito aos impulsos reais do homem que os convencionalistas condenam devido à ideia de que, na realidade, determinados ângulos da psicologia humana assemelham ao grotesco.
-Ainda existem, em alguns salões da cidade, quadros do inesquecível Carlos Barroso Filho, filho do poeta e ex-diretor da ACIC Carlos Barroso. Carlos, o pintor, fez parte, como desenhista e pintor, da Meta Publicidade (se não me falha a memória), juntamente com doutor Nilo Peçanha Siqueira (engenheiro) e João Edward Rodrigues (poeta). Morou nos Estados Unidos, fez inúmeras ilustrações na cidade e deu aulas de pintura no Palácio da Cultura.
-No passado, quando existia o Teatro São Salvador, na Rua 13 de Maio, e o movimento teatral era grande na cidade, existiram três grandes autores: doutor João Francisco da Silva Ultra, português, médico, chegou a Campos no final de 1834 e, aqui, foi mais jornalista e escritor do que médico. Escreveu dezenas de peças teatrais. Foi com Manuel Múcio da Paixão Soares, professor e teatrólogo, e Gastão Machado, jornalista e também teatrólogo, os três maiores autores teatrais dos velhos tempos. Era a época da efervescência teatral em Campos. Ultra ainda escreveu diversas outras obras literárias. E ganhou, como homenagem dos campistas, o nome de uma das ruas da cidade.
-O Instituto Histórico de Campos e mais tarde Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes tinha como padrinho o jornalista João Rodrigues de Oliveira, fundador do saudoso diário “Folha do Povo”. Na ocasião, o doutor João Rodrigues de Oliveira, que era advogado e residia em Niterói, se não me engano, com o seu incentivo foi fundado o nosso Instituto que hoje se encontra em nova fase, sob o comando da professora Graziela Escocard. O Instituto, que funcionou por muito tempo numa das salas da antiga Biblioteca Municipal, continua em plena atividade, porém à procura de uma sede que possa abrigar o seu patrimônio e reunir os seus membros que, agora, são dezenas. Muito antes, o jornalista Nilo Terra Arêas fundou um instituto semelhante, que acabou com o seu falecimento, sendo, talvez o primeiro passo para o atual instituto. Era Instituto Histórico de Campos. Sugestão: o Palácio da Cultura é o local indicado. Se é da cultura...
-Recordar é viver. Durante algum tempo a Academia Campista de Letras realizou uma vez por mês o “Projeto Vitrine”, criado na gestão da doutora Arlete Parrilha Sendra. Um dos momentos marcantes (um dos últimos por sinal) foi a entrevista com o saudoso e querido jornalista Luiz de Gonzaga Balbi, considerado um dos mais brilhantes da imprensa campista. Na berlinda, ele contou um pouco de sua trajetória, que teve início em Miracema. Fizeram parte da mesa principal, interrogando o saudoso Luiz de Gonzaga Balbi, também acadêmico da ACL, os jornalistas Aluysio Cardoso Barbosa e Vilmar Ferreira Rangel (infelizmente ambos falecidos), além do presidente da Casa, jornalista Herbson da Rocha Freitas. Em outras oportunidades, foram entrevistados diversos acadêmicos, dentre eles o jornalista e cronista Eduardo Augusto de Souza, falecido, ex-editor do “Monitor Campista”, e o próprio presidente da Casa.
-A ACL, segundo pesquisas, foi fundada por 39 intelectuais campistas e não campistas. Esses intelectuais (jornalistas, escritores e poetas) foram os mesmos – ou quase os mesmos – que, dez anos depois, fundaram a Associação de Imprensa Campista. O sonho da AIC já vinha sendo acalentado há tempos pelo professor Manuel Múcio da Paixão Soares e colegas jornalistas.
No entanto, o dinamismo desses homens de letras não tinha medida. Foram trinta e nove. Alguns deles: Alcides Carlos Maciel, tabelião, jornalista, tradutor, homem de fino trato, considerado o mecenas da cultura de sua época; Álvaro Duarte Barcelos, professor, filólogo e escritor; Manoel Alberto Barbosa Guerra, médico, historiador e poeta; Gastão Machado, jornalista, teatrólogo e poeta, autor de cerca de 30 ou 40 peças teatrais; Godofredo Nascentes Tinoco, advogado, tabelião, jornalista e escritor; Isimbardo Peixoto, advogado, defensor público, jornalista e poeta, festejado autor de “Albores” (1915); Nelson Pereira Rebel, advogado e escritor, entre tantos e tantos outros. Graças a esses ilustres nomes, a ACL continua firme e forte há quase 87 anos. Hoje, sob o comando do jovem advogado e poeta Ronaldo Henrique Barbosa Júnior.
-Muita gente, infelizmente, não tem conhecimento, particularmente certas pessoas da planície, que Campos já teve independentemente das existentes, o Centro de Cultura de Campos – Orfeão Santa Cecília (Conservatório de Música de Campos), Centro Campista de Letras e Artes (anexo o DESP – Departamento de Estudos Sociais e Políticos), União Brasileira de Escritores – Seção de Campos dos Goytacazes, Clube de Poesia de Campos dos Goytacazes e a Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Grêmios Teatrais de Amadores Gastão Machado e João Caetano, entre outras entidades culturais, como o Centro Hermann Júnior de Estudos Sociais e Ciências ( sob a direção doutor Alcimar Teixeira Fraga e professor Renan Machado, dois de seus fundadores), na boa ocasião em que a cultura tinha destaque, com a participação de ilustres intelectuais campistas. Não sei se faltou, por lapso de memória, alguma outra entidade. Mas graças aos esforços de amantes das letras e artes, estamos voltando aos tempos antigos... Sobre teatro, ainda, nos dias atuais, merece registro o “Grupo de Amadores Persona”, sob a direção de Tânia Pessanha.
-A Academia Pedralva de letras e Artes, já bastante difundida, muitos também não têm conhecimento, segundo consta, que nasceu da insatisfação de um grupo de intelectuais, considerados por muitos de menor expressão. Foi aí que esses jovens poetas, cronistas e escritores, resolveram fundar uma entidade mais popular e ao alcance de todos considerados “menores”, que, na realidade, eram grandes e cresceram e há 79 vem cada vez mais conquistando o seu merecido espaço.
-E por lembrar da Pedralva, no período de sua inauguração, à guisa de curiosidade, pedralvenses como Vilmar Ferreira Rangel, Décio Aquino, Pedro Paulo Caputti, Francisco Cesário do Espírito Santo (laboratorista fotográfico e amigo), Pedro Baptista Manhães e o autor desta matéria compareciam em tempos idos à ACL, às quartas-feiras ou quintas-feiras, para as palestras do doutor Godofredo Nascentes Tinoco, jornalista Carlos Ferreira Amorim, professor Álvaro Duarte Barcelos, escritor Rogério Gomes de Souza e muitos outros brilhantes intelectuais fundadores da “Casa do Intelectual Campista”.
-A Rádio Cultura (ou o “Rádio”?), hoje do Grupo Record, no tempo do acadêmico Mário Ferraz Sampaio (da ACL), tinha um sugestivo “slogan” com o qual encerramos as nossas notícias ou informações: “PFR-7 uma voz da terra de luzes e madrigais que se ergue das águas do lendário Paraíba para espargir-se por todo o Brasil”. Será que continua assim?...

*Acadêmico e ex-presidente da Academia Campista de Letras (ACL). 

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