Pronto! A Copa começou! Sim, a Copa do Mundo começa quando o álbum de figurinhas chega às bancas e começa a febre que assola todos os amantes do futebol (e até quem é mero espectador). Não há no planeta quem ignore o evento “álbum de figurinhas”. As crianças são o público mais interessado, porque, não tendo recursos próprios, têm várias fontes de renda: o pai, o avô (principalmente), o padrinho, o tio mais querido... além de gerar uma incrível relação de amizade com outras crianças para o troca-troca das figurinhas. São novos “velhos amigos” que se fazem a cada semana, seja na escola, no playground ou no shopping. Talvez não tenham inventado melhor forma de socializar. A magia do álbum se manifesta até mesmo no erro da Panini (a produtora das figurinhas): “Tirei a figurinha do Rodrygo, mas ele está fora da Copa” (o craque brasileiro sofreu grave lesão, mas a figurinha já constava na seleção brasileira).
O mesmo pode acontecer com Lamine Yamal, da Espanha, candidato a craque da Copa se conseguir curar uma lesão recente. A procura pela figurinha do Neymar é insana: “Ué? Ancelotti vai convocar Neymar?” Só saberemos dia 18 de maio, mas não, Neymar não está neste álbum de figurinhas da Copa de 2026. A prática de colecionar coisas é milenar, vem de nossos ancestrais.
Na Antiguidade habitantes do Egito e da Mesopotâmia colecionavam objetos valiosos que eram mantidos em seus palácios como oferendas divinas. Hoje, colecionar figurinhas de astros do futebol mundial diz muito sobre a cultura de cada povo. Não é à toa que o Brasil é rotulado como “País do Futebol”. No meu tempo de criança a busca frenética era pelas figurinhas “carimbadas”. Geralmente eram os grandes ídolos: Pelé, Garrincha, Eusébio, Beckenbauer, Zico, Rivelino... Hoje são as figurinhas douradas. Mas a brincadeira este ano sai cara, é a maior da história. São 980 cromos, ao custo de 1 real cada figurinha, mais o álbum. E ainda inventaram o de capa dura. Haja paixão! A Fifa já anunciou que a parceria com a Panini está chegando ao fim. A partir de 2031 a nova fabricante dos cards e outros itens colecionáveis dos produtos licenciados pela entidade será a americana Topps, da Fanatics.
Histórias de Copa do Mundo
Copa do Mundo de 1994, Estados Unidos, Final no Rose Bowl, Los Angeles, Brasil x Itália. Na entrada de imprensa grande expectativa pela chegada de Pelé, comentarista da TV Globo. De repente para na porta uma reluzente limousine preta e desce aquele homem negro, alto (um tanto gordinho) e olha admirado em volta a plateia chamando: Pelé! Pelé! Não era ele. Era o radialista Orlando Baptista, que não se fez de rogado: estufou o peito e seguiu em frente, acenando sorridente, a caminho da tribuna de imprensa.