Municípios monitoram rio Muriaé após acidente que derramou produto químico em afluente
Dora Paula Paes 27/10/2021 12:01 - Atualizado em 27/10/2021 19:42
Rio Muriaé
Rio Muriaé / Divulgação
Após um caminhão com produto químico tombar na BR 356 e derramar monoetilenoglicol no córrego da Pratinha, afluente do rio Muriaé, os municípios banhados pelo Muriaé estão monitorando a situação da água. O acidente aconteceu na madrugada dessa terça-feira (26), na altura de Curva de Prata, próximo a Patrocínio do Norte. Os municípios de Itaperuna, Italva e Cardoso Moreira descartaram a contaminação da água, até o momento. Para o ambientalista Arthur Soffiati, o caso vai, de alguma forma, ainda não mensurada, afetar as comunidades no vale do rio Muriaé, que nasce em Minas Gerais e desemboca no Paraíba do Sul, já no âmbito da cidade de Campos. Nesta quarta-feira (27), a BR 356 voltou a ser interditada no local do acidente. Sobre o monoetilenoglicol, a substância pode provocar intoxicação com sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos. 
A Prefeitura de Itaperuna, através das secretarias de Defesa Civil e do Ambiente, juntamente com a Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, Corpo de Bombeiros do Estado de Minas Gerais e Cedae, informou que as águas do rio Muriaé não foram contaminadas com o produto químico. "As autoridades e órgãos competentes estão monitorando a situação e estão sendo feitos testes na água distribuída pela Cedae, e até o momento não foi verificada nenhuma contaminação. Essas ações preventivas e monitoramento continuarão o tempo que for necessário", informou.
Em nota, a Defesa Civil de Italva informou que o acidente não afetou ainda o município. "Dizemos 'ainda' porque análise da água do Muriaé estão sendo realizadas constantemente pela Cedae do nosso município assim como em municípios a montante, como em Itaperuna, por exemplo, e todas, até o momento, indicam que não houve qualquer tipo de contaminação deste produto. A expectativa é que essa água atinja nosso município amanhã (quinta, 28), na parte da tarde. Sendo assim, até lá, a população terá seu abastecimento feito pela Cedae dentro da normalidade, assim como não haverá nenhuma paralisação da pesca em nosso rio", informou.
A Prefeitura de Cardoso Moreira informou, em boletim divulgado às 14h46 desta quarta-feira, que equipes da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) e da Cedae fizeram o monitoramento do rio Muriaé em dois pontos localizados em Itaperuna e Italva e que, até o momento, não há confirmação de contaminação nas proximidades de Cardoso. “De acordo com a Cedae, caso a substância química chegue ao nosso município, isso ocorrerá nesta quinta-feira (28), após as 12h. Caso seja constatada a presença desse produto químico no rio Muriaé, o abastecimento será interrompido por quatro dias, até que seja seguro a reabertura do abastecimento”, informou.
Cerca de uma hora depois, a Prefeitura de Cardoso divulgou novo boletim, onde afirma que “os órgãos ambientais e sanitários mineiros e fluminenses já foram ao local e não se constatou nenhuma contaminação ao rio Muriaé com risco à saúde humana, não indicando a interrupção do abastecimento proveniente do rio”. 
A equipe de reportagem também tenta contato com o município de Laje do Muriaé, que também são banhados pelo rio Muriaé. Em Campos, a concessionária Águas do Paraíba informou que também monitora a situação. "Não há nenhuma previsão de alteração e normalidade de abastecimento em Campos dos Goytacazes", informou a empresa.
Ambientalista fala sobre possíveis danos
De acordo com Soffiati, há dois tipos de acidente que afetam rios: os causados por atividades fixas, como barragens de minério, e os rodoviários. E as regiões Norte e Noroeste Fluminense estão sujeitos aos dois por estar no fim da linha dos rios. "Já ocorreram cinco grandes acidentes provocados por atividades fixas desde 1982. Perdemos a conta de quantos foram produzidos por acidentes em rodovias", ressalta.
Ainda segundo ele, sendo produto tóxico não há como evitar a contaminação das águas e a morte de peixes, com prejuízo à pesca. Muitos proprietários rurais dependem do Muriaé para irrigação e dessedentação de animais. "Dependendo do grau do acidente, Estações de Tratamento de Água devem suspender suas atividades até que a mancha tóxica passe. Não é possível avaliar ainda o impacto do produto derramado no mar. Não se pensou nesse tipo de risco quando as ferrovias foram desativadas e substituídas por rodovias", conclui.
Em vídeo, coordenador de Defesa Civil de Itaperuna fala sobre situação:

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