Inquérito atinge outras empresas
Suzy Monteiro 11/07/2017 09:31 - Atualizado em 14/07/2017 13:47
Casas inacabadas sofrem ação do tempo
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Além da Odebrecht, outras empresas que já assinaram acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF) de Curitiba, dentro da operação Lava Jato, também são alvo do Inquérito Civil Público (ICP), que investiga contratos do Morar Feliz, programa habitacional carro-chefe da gestão de Rosinha Garotinho na Prefeitura de Campos. Representantes da Construtora Queiroz Galvão S/A e da Carioca Engenharia estiveram no Ministério Público Estadual (MP), dias depois dos executivos da Odebrecht, Benedicto Barbosa Júnior e Leandro Azevedo. E se comprometeram a cooperar com as investigações. A Promotoria quer que as empresas paguem R$ 200 mil em nível de compensação de eventuais danos.
Em 26 de junho, estiveram no MP de Campos os executivos Benedicto Barbosa Júnior e Leandro Azevedo, protagonistas da chamada “delação do fim do mundo” - maior acordo de colaboração de uma empresa com a Justiça até o da JBS, ocorrido em maio último.
Os dois confirmaram na 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva, o que consta em depoimentos já prestados ao MPF: pagamento, parte através de caixa 2, para a campanha de Rosinha Garotinho em 2008 e 2010, e para Anthony Garotinho em 2014. No total, teriam sido repassados R$ 20 milhões.
A Odebrecht foi a responsável pela construção do Morar Feliz, cujo contrato, assinado pela então prefeita e por Benedicto, em cerimônia onde Leandro representou a empresa, foi o maior já firmado pelo Município: quase R$ 1 bilhão já com aditivos. O edital só possibilitava chance a uma grande empresa que, por “vergonha”, chamou outras duas para participar. As duas empresas são a Queiroz Galvão e a Carioca Engenharia.
No dia 4 de julho, a advogada Kelly Félix de Souza representou a Queiroz Galvão. Ela disse que a empresa tem total interesse em colaborar com a Justiça. Disse, também, que a Queiroz participou de licitações do Morar Feliz e dragagem do Canal das Flechas. Relatou, ainda, que grande parte dos funcionários foi demitida e que os que constam do Inquérito não trabalham mais na empresa. Pediu prazo para que sejam levantados dados mais específicos sobre a participação em eventuais atos ilícitos.
Já pela Carioca, no dia 28 de junho, estiveram no MP as advogadas Silvia Cortes e Débora Poeta. Elas contaram que desde o acordo de delação premiada, foram reduzidos em quase 90% o número de funcionários. Relataram, ainda, que a empresa vai colaborar com a Justiça.
Defesa - O casal Garotinho negou que tenha recebido contribuição irregular da Odebrecht: “Como os próprios delatores afirmaram anteriormente em depoimentos ao MPF, não houve benefício pessoal para eles, tampouco fraude, corrupção ou favorecimento à empresa em nenhuma obra. Anthony Garotinho acrescenta que a delação da Odebrecht contra ele é movida por vingança, pois foram de sua autoria as denúncias das obras da Odebrecht que geraram propina ao governo Sérgio Cabral e que resultaram na prisão dele e de outros corruptos”.

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