Dinheiro de caixa dois foi entregue onde vendia Bíblia, diz delator do casal Garotinho
Então superintendente da Odebrecht no Rio de Janeiro, Leandro Azevedo esteve em Campos no dia 1º de outubro de 2009. O motivo: a assinatura do primeiro contrato do Morar Feliz em Campos. Foi o primeiro encontro dele com a então prefeita Rosinha Garotinho (PR), segundo Leandro. Mas as relações começaram antes. Leandro relatou repasse por caixa dois de R$ 5 milhões para a primeira campanha dela a prefeita, a pedido do seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho (PR).
Nos cálculos de Leandro, designado por Benedicto Júnior para operacionalizar os pagamentos aos Garotinho — de acordo com a delação —, o repasse foi de cerca de R$ 20 milhões, sem contar a campanha a deputado federal de 2010.
Leandro destacou, também, que o dinheiro era entregue, em espécie, no escritório de garotinho no Palavra de Paz. Durante a delação, ele cita que a empresa vendia Bíblia. Só um repasse, que atrasou, foi deito em um escritório de obras da Odebrecht na Tijuca. De acordo com Leandro, Garotinho designou uma pessoa para buscar o dinheiro no dia 13 de agosto de 2012: só nesse dia, R$ 1,5 milhão.
O ex-executivo também falou sobre o contrato do Morar Feliz. Após o início da obra, apesar de a prefeita ser Rosinha, todos os assuntos eram tratados com o marido dela: “Existia uma dedicação minha, como empresário, de estar sempre cobrando ele: olha, a fatura venceu; o cara não pagou esse mês, preciso que pague no próximo. Isso eu não fazia com a Rosinha Garotinho, nem com o secretário de Obras. Talvez minha equipe fizesse com o secretário. Eu procurava o ex-governador Garotinho para tratar isso. Ele sempre atendeu, com presteza, os meus pedidos de reuniões.(...) Eu acabei tendo uma convivência com o ex-governador Garotinho, operacional, por causa do programa Morar Feliz”.
O ex-governador Anthony Garotinho assegura que nunca recebeu qualquer contribuição não contabilizada em seu nome ou em nome da família. Em nota, complementa que “se a petição chegar a virar inquérito, vai provar que o delator está mentindo. O ex-governador se coloca à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento”.
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