Dora Paula Paes
28/10/2026 13:25 - Atualizado em 28/10/2026 13:26
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A onda de ataques a militantes de esquerda continua se espalhando, principalmente nas redes sociais, após o resultado das eleições, com a vitória de Lula nas urnas. Depois de a Folha da Manhã noticiar o boicote proposto a comerciantes em Cambuci e o ataque de uma procuradora do município de Macaé, na terça-feira (27), agora, recebe a denúncia um comerciante do ramo de alimentação, em Campos, que chegou a divulgar um vídeo com ofensas e ataques diretos ao que chama de “extrema-esquerdista”, antes do pleito. Diante dos casos, a orientação é que situações de assédio eleitoral sejam denunciadas no Ministério Público do Trabalho.
No vídeo, o comerciante aparece diante da câmera e faz declarações ofensivas. “Extrema-esquerdista, você é suja, imunda, você não gosta de banho, você não gosta de trabalhar, você não gosta de nada. Na verdade, vocês são um nada, vocês são uns pesos”, afirma. Nas imagens, ele aparece ao lado de uma mulher, que não se manifesta.
A presidente do diretório municipal do Psol, em Campos, Danielle Padua, orienta que casos de assédio eleitoral, incluindo ameaças de demissão, sejam denunciados ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Segundo ela, é necessário adotar medidas jurídicas diante das ameaças de boicote a estabelecimentos comerciais e de demissão de pessoas que votaram em Lula.
“Isso está acontecendo em Campos, na região e no Brasil, com várias listas de boicotes. Não podemos e não vamos naturalizar. Como Manuela D’Ávila explicou, isso é prática nazista de boicotar e fazer lista. Assédio eleitoral é crime”, disse.
De acordo com a representante do Psol no município, os ataques têm sido constantes em Campos, principalmente contra mulheres.
“Ficamos a postos nas ruas e, junto com outros militantes do PT, fizemos um papel importante de estar nas ruas, dialogando e virando votos. E, sobretudo, mulheres, fomos vítimas de racismo, misoginia e ataques diários de homens que passavam e faziam gestos obscenos. Arrancaram bandeiras da minha mão e tivemos de lidar com atitudes odiosas, com símbolos nazistas. Chegamos a registrar uma ocorrência por um caso de racismo”, relatou.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) também deixa orientação. Segundo o tribunal, os casos podem ter consequências trabalhalhistas, eleitorais e criminais. O registro pode ser feito pelo mpt.mp.br/assedio-eleitoral. A orientação é que a vítima reúna informações que ajudem a esclarecer o caso: mensagens, e-mails, publicações, áudios, vídeo, datas, locais e indentificação dos envolvidos, além de possíveis testemunhas.