Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro marca primeiro encontro dos candidatos
Após um primeiro turno marcado pela falta de confrontos diretos, seja pela postura dos principais concorrentes, seja pelas interferências do Judiciário, o próximo domingo (18) terá o esperado encontro entre o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), na Band, às 20h. Os sociólogos George Gomes Coutinho e Roberto Dutra e o estrategista político Orlando Thomé avaliam os efeitos do debate no eleitorado e fazem um prognóstico entre o veterano petista e o novato do PL.
De acordo com a emissora, o programa terá duração aproximada de duas horas, das 20h às 22h. A estrutura prevê dois blocos dedicados ao confronto direto, com tempo livre para que os candidatos administrem respostas e réplicas e se movimentem pelo estúdio, favorecendo o debate de ideias e a comparação entre propostas.
Orlando Thomé relembrou que o debate de 1989, na mesma emissora que sediará o encontro de domingo, durou cerca de quatro horas e contou com 10 participantes, mas observou que os formatos atuais não contribuem para o aprofundamento dos temas.
"Com o passar do tempo, as regras começaram a ficar muito restritas, reduzindo a possibilidade do debate de ideias. Nos tempos atuais, os debates têm servido muito mais para os candidatos fazerem recortes para publicação nas redes sociais do que propriamente para convencer algum eleitor a votar nesse ou naquele", explicou o estrategista político.
Na mesma linha, George Gomes Coutinho indagou: "Mas, diante da configuração atual, haverá espaço para esse tipo de complexidade? E, caso ocorra um debate sério, serão esses os pontos que os chamados 'cortes', destinados às campanhas, aos noticiários e às redes sociais, privilegiarão?". Ele mesmo respondeu: "Ficarei positivamente surpreso se isso acontecer".
Para Roberto Dutra, a repercussão dependerá muito mais de trechos gerados para as redes do que da avaliação de quem foi melhor.
"Ganhar o debate é algo que vai depender muito mais desses cortes do que propriamente de uma avaliação de quem foi melhor do ponto de vista racional, de perguntar melhor e responder melhor. É importante o eleitor ver os candidatos em confronto direto", frisou.
Prognóstico do encontro
Roberto Dutra destacou que "Lula pode e deve tentar levar vantagem nesse debate".
Já Orlando Thomé analisou: "Lula vai tentar fazer o possível e o impossível para ganhar esses debates e sair com a imagem de vitorioso. Para interferir positivamente nas intenções de voto a favor de Lula, ele vai ter que ganhar por nocaute".
George Gomes Coutinho contemporiza: "Em nossa cultura futebolística, parece que as 'torcidas' já estão ansiosas por uma 'grande final' entre 'rivais'."