CNJ realiza operação contra desembargador, ligado à 'Turma do KN'
- Atualizado em 24/09/2026 17:41
Desembargador Newton Ramos e o ministro Kassio Nunes Marques
Desembargador Newton Ramos e o ministro Kassio Nunes Marques / Reprodução/TRF-1 / Leobark Rodrigues/Secom/TSE
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Polícia Federal, realizou nesta quinta-feira (24) uma operação contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF).

A operação foi determinada pelo corregedor do CNJ, ministro Benedito Gonçalves. Foram cumpridas medidas no gabinete do desembargador do TRF-1. O disco rígido do computador de Ramos foi copiado.

O desembargador, que não estava no gabinete no momento da operação, não foi afastado do cargo. Ele mantém acesso ao sistema eletrônico de processos do tribunal.

Em nota, o gabinete de Newton Ramos afirmou que o desembargador segue "julgando normalmente" processos sob sua responsabilidade, que confia e considera "natural e regular" o trabalho da corregedoria do CNJ, e que está à disposição do órgão para prestar "todos os esclarecimentos"
Investigações da PF apontam que o escritório de advocacia da esposa de Newton Ramos, Camilla Ramos, firmou contratos de honorários relacionados a causas de interesse de empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Um contrato encontrado em celular de Vorcaro indica pagamentos de até R$ 427 milhões ao escritório de Camilla.

A ação desta quinta, chamada de correição extraordinária, é um procedimento de fiscalização e auditoria.

Trata-se de um desdobramento da apuração aberta pela Corregedoria do CNJ sobre os processos do desembargador que envolvem precatórios do setor sucroalcooleiro.
'Turma do KN'
Troca de mensagens entre o desembargador Newton Ramos e o banqueiro Daniel Vorcaro
Troca de mensagens entre o desembargador Newton Ramos e o banqueiro Daniel Vorcaro / Reprodução
Em mensagens encontradas pelos investigadores, o desembargador Newton Ramos e sua esposa eram chamados por funcionários e interlocutores de Daniel Vorcaro pelo codinome "turma do KN".
Segundo a Polícia Federal, as iniciais "KN" fazem referência direta ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos indicam uma relação de intimidade entre o grupo "turma do KN" e Vorcaro.
As apurações também apontam conexões sociais de proximidade, incluindo deslocamentos em jatos particulares.

Antes de ser desembargador, Newton Ramos foi juiz auxiliar de Kassio Nunes Marques, quando o agora ministro do STF era vice-presidente do TRF-1, de 2018 a 2020.

Em nota, o ministro Kassio Nunes Marques disse que nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nem pediu nada a ele. O ministro também afirmou que nunca autorizou ninguém a falar em nome dele.

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