PF encontra digitais de Alexandre de Moraes em contrato celebrado entre escritório da sua mulher e Vorcaro
Dora Paula Paes 01/09/2026 13:30 - Atualizado em 01/09/2026 16:16
 
Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes / Foto: Gustavo Moreno/ STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), analisou o contrato de prestação de serviços que o escritório Barci de Moraes, da sua mulher, fez com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Registros digitais e metadados de arquivos obtidos em investigações apontam que Moraes atuou na edição de um contrato de prestação de serviços advocatícios no valor de cerca de R$ 130 milhões celebrado entre o escritório de sua esposa e o empresário.

As informações foram publicadas nesta terça-feira (1º) pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e também confirmadas pela TV Globo.

Aos órgãos de impresa, em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que solicitou ao ministro informações sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação, o que o escritório diz que não foi verificado e o contrato foi assinado. 
As digitais do ministro no contrato feito entre o escritório de sua esposa e Vorcaro teriam sido encontradas pela Polícia Federal após periciar o celular do banqueiro. 
Em nota, além de confirmar a intervenção do magistrado, o escritório diz que não há nada de ilícito na conduta do ministro. Segundo a banca, ele teria apenas analisado a “existência de impedimentos legais para a contratação”, por conta do vínculo com o Supremo. O posicionamento também afirma que Moraes não tem nenhum caso do Master sob sua relatoria, nem mesmo na Turma da qual ele faz parte.

Trechos das investigações da Polícia Federal também mostram que Vorcaro trocou mensagens com Alexandre de Moraes antes da sua prisão.
Troca de mensagens
Uma troca de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo. O conteúdo também foi revelado neste início de tarde pelo jornal o Estado de S. Paulo. 

De acordo com a informação publicada, no dia 15 de novembro de 2025, num sábado, Vorcaro questiona Moraes. Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, na segunda-feira, o banqueiro foi preso pela Polícia Federal. Vorcaro foi preso quando tentava embarcar em um jato particular.
Confusão na Corte
Na segunda-feira (31), ao saber que o ministro André Mendonça havia pedido o aprofundamento de investigações que acabaram por descortinar suas conversas com Vorcaro, Moraes quase chegou às vias de fato com o colega do Supremo. A conversa com Mendonça, que o recebeu em seu gabinete, teve o tom ficou ríspido de parte a parte e, por pouco, a discussão não descambou para agressões físicas, informa a coluna Andreza Matais, do Metrópolis.
Moraes descobriu que Mendonça havia determinado à PF que revelasse quem era o interlocutor de Vorcaro em uma conversa na qual eram citados o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A PF averiguou que se tratava de Moraes. No diálogo, revelado pela coluna, Vorcaro pede a Moraes “proteção” de Gonet e Andrei Rodrigues.

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