Moraes vota para tornar réus Bacellar, TH Joias e desembargador por vazamento de ação contra o CV
14/08/2026 14:14 - Atualizado em 14/08/2026 15:26
Rodrigo Bacellar, TH Joias e o desemembargador Macário Júdice Neto
Rodrigo Bacellar, TH Joias e o desemembargador Macário Júdice Neto / Divulgação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para tornar réus o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual TH Joias e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto por obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas de uma operação contra o Comando Vermelho. Os três acusados estão presos.

Moraes também votou pelo recebimento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias, e Thárcio Nascimento Salgado, suspeito de lavar dinheiro do tráfico da favela de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio.
Moraes é o relator do caso e foi o primeiro a votar. Com isso, se o voto for acompanhado pela maioria dos cinco ministros da Primeira Turma, os cinco denunciados pela passarão à condição de réus e responderão a uma ação penal no Supremo. O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma e vai até o dia 21.
Além da acusação de obstrução de investigação de organização criminosa armada, Moraes votou para tornar Macário réu por violação de sigilo funcional e Thárcio por favorecimento pessoal.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo teria atuado entre os dias 2 e 3 de setembro de 2025 para vazar informações sobre a Operação Zargun, permitindo que TH Joias, então deputado estadual e um dos principais alvos da ação, retirasse objetos de sua residência antes da chegada dos policiais.
O ministro afirma que os denunciados teriam atuado para obter e repassar informações sigilosas sobre medidas contra integrantes do Comando Vermelho, possibilitando a retirada de material que interessava à investigação dos locais que seriam alvo de buscas.

Segundo a denúncia, o desembargador teria violado o sigilo funcional ao repassar informações sobre operações policiais que estavam em preparação. De acordo com a PGR, ele sabia quando e como as ações seriam realizadas e mantinha amizade com Bacellar, com quem teria se encontrado pessoalmente.

Para a Procuradoria, Bacellar e TH Joias também teriam usado os cargos públicos para atrapalhar investigações relacionadas à facção criminosa.
A defesa de Macário Ramos Júdice Neto afirmou que recebeu com surpresa a denúncia da PGR e lamenta a narrativa desenvolvida. "De toda forma, Macário se mantém sereno em razão da plena confiança que nutre pelo Poder Judiciário e da certeza de que provará sua inocência no processo", comentou em nota. 
Já os advogados de Bacellar disse que a denúncia "está baseada em ilações e narrativas repetidamente refutadas, por meio de extensa prova documental. A acusação se traduz numa infrutífera tentativa de esconder arbitrariedades da Polícia Federal, já que nada foi apurado que pudesse relacioná-lo aos fatos". 
Fonte: G1

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