Anuário de Segurança cita caso Bacellar como exemplo de infiltração do crime no poder público
- Atualizado em 25/07/2026 15:24
TH Joias e Rodrigo Bacellar (União Brasil)
TH Joias e Rodrigo Bacellar (União Brasil) / Reprodução
A edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que aponta Campos dos Goytacazes na 16ª colocação do ranking nacional de mortes violentas, também destaca outro caso emblemático no Estado do Rio de Janeiro. A publicação aborda a infiltração do crime organizado no poder público e, em um capítulo dedicado à letalidade policial e à chamada "captura institucional", cita a prisão dos ex-deputados TH Joias e Rodrigo Bacellar.

Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo Anuário, os episódios registrados no Rio evidenciam que a cooptação de policiais, autoridades e representantes eleitos pode fazer parte de uma estratégia deliberada das facções criminosas para interferir na atuação do Estado, antecipar operações e proteger integrantes de organizações criminosas.

"O caso do Rio de Janeiro talvez seja o mais emblemático, mas não é o único. Assim como a morte de Vinicius Gritzbach no aeroporto de Guarulhos, em 2024, executado por um policial militar da ativa, trouxe à tona uma ampla rede envolvendo policiais e crime organizado em São Paulo, temos assistido a inúmeros casos em que o crime organizado busca se infiltrar na Administração Pública", afirma um dos trechos da pesquisa.

Segundo o Anuário, o crime organizado não atua apenas por meio do domínio territorial, do comércio ilegal de drogas ou da violência armada. As organizações criminosas também buscam acesso a informações estratégicas, proteção política e capacidade de influenciar decisões do Estado.

O estudo define a cooptação de agentes públicos como um problema que vai além da esfera disciplinar e pode comprometer diretamente a formulação e a execução das políticas de segurança pública.

Embora mencione integrantes do Poder Legislativo, a pesquisa não apresenta um levantamento quantitativo de parlamentares investigados. A referência faz parte de uma análise qualitativa, baseada em episódios considerados representativos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Como resposta ao problema, o Anuário defende que as investigações não se restrinjam à responsabilização individual de policiais, políticos ou servidores.

"A relação entre violência policial, corrupção e infiltração criminosa exige uma estratégia mais ampla de integridade institucional, capaz de identificar não apenas condutas individuais, mas também redes de proteção, fluxos financeiros, vínculos patrimoniais e conexões entre agentes públicos e organizações criminosas", destaca o documento.

Para isso, a publicação recomenda uma atuação integrada entre os órgãos de segurança e Justiça, a Receita Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e os setores de inteligência financeira e patrimonial.
Com informações do Tempo Real.

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