Diretor de escola denunciou esquema de cobrança de propina do grupo de Thiago Rangel
- Atualizado em 21/05/2026 10:50
Thiago Rangel no Folha no Ar
Thiago Rangel no Folha no Ar / Foto: Genilson Pessanha
Uma cobrança de propina que teria partido do grupo liderado pelo deputado Thiago Rangel (Avante) levou um diretor de uma escola da rede estadual na Região Noroeste Fluminense a fazer uma denúncia à Polícia Federal de ter sofrido pressão para liberar R$ 200 mil da conta de um colégio estadual. O dinheiro seria para abastecer, segundo ele, a campanha eleitoral de Thamires Rangel, na eleição de 2024, em Campos. Thiago foi preso na quarta fase da Operação Unha e Carne.
Em denúncia anônima anexada à investigação, o servidor relata um esquema de cobrança de propina, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), e afirma que o parlamentar chegou a aparecer em uma videochamada para pressioná-lo a autorizar o pagamento.
De acordo com o relato, o dinheiro sairia diretamente da conta do colégio por meio da emissão de uma nota fiscal fraudulenta e seria devolvido duas semanas depois.

"A proposta seria emitir uma nota fiscal falsa de serviço e o dinheiro seria devolvido 15 dias depois. Houve muita pressão para que eu fizesse a transferência, mas me neguei. Tenho provas dessa ligação, mas afirmo que não gostaria de comprometer meu nome por medo do que podem fazer comigo e minha família", escreveu o servidor público.

O diretor narra que as cobranças se intensificaram após a recusa inicial. Ele afirma que o assessor parlamentar de Thiago Rangel, Luis Fernando Passos de Souza, identificado como “pastor”, chegou a fazer uma chamada de vídeo na qual o deputado apareceu defendendo a liberação do pagamento. A Polícia Federal afirma que conversas extraídas do celular do parlamentar apontam Luis Fernando como operador financeiro do grupo investigado.

Em outro trecho da denúncia, o diretor afirma que as cobranças eram feitas diretamente por WhatsApp e que havia pressão para a liberação antecipada dos recursos. Segundo ele, outros diretores da rede estadual também eram coagidos a efetuar os pagamentos em três parcelas, de 30%, 40% e 30%.

Depois disso, diante das novas cobranças, o diretor afirma que decidiu reunir o conselho escolar e registrar em ata que a unidade não faria pagamentos antecipados antes da conclusão das obras. Segundo ele, a reação foi imediata e culminou na ligação de vídeo com Rangel.

Procurada pelo O Globo, a defesa do deputado estadual Thiago Rangel afirmou que o parlamentar é inocente e que os fatos atribuídos a ele pela Polícia Federal vêm sendo “equivocadamente imputados” e reproduzidos “acriticamente” pela imprensa. Segundo os advogados, a investigação se apoia em uma denúncia anônima “sem qualquer tipo de verificação prévia”, com alegações consideradas “absolutamente inverídicas”.

A defesa também negou que Rangel tenha operador financeiro ou que tenha recebido recursos ilícitos. Os advogados sustentam que os valores em espécie mencionados decorrem da atividade empresarial do deputado no ramo de postos de combustíveis e afirmam que todas as acusações serão refutadas nos autos. A nota ainda critica o vazamento de peças sob sigilo judicial, classificando a divulgação como uma tentativa de “condenação prematura e injusta” do parlamentar perante a opinião pública.
Fonte: O Globo.

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