Em secretaria comandada por Ruas, obras contratadas utilizavam material de pedreira da família de presidente do PL-RJ
Pedreira dos irmãos do presidente estadual do PL no Rio, Altineu Côrtes, foi contratada para fornecer materiais para produção de asfalto em obras da Secretaria estadual de Cidades, que era comandada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), até março deste ano. As pavimentações foram realizadas em São Gonçalo, cidade que tem como prefeito, Capitão Nelson (PL), pai de Ruas. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo.
A Pedreira Santa Edwiges pertence aos dois irmãos do deputado, Marcelo e Angela Coutinho, além de seu filho, Altineu Paesler Coutinho. A empresa esteve envolvida em fornecimento de “agregados minerais” para obras da construtora FP Vieira em São Gonçalo. Os contratos foram realizados entre os meses de fevereiro e agosto de 2025 em intervenções nos bairros do Bom Retiro e Sacramento, e implementação de um corredor de ônibus entre os bairros Neves e Guaxindiba.
Em levantamento realizado pelo O Globo em processos do governo do estado, os materiais vendidos pela empresa da família do presidente do PL estiveram em obras que foram custeadas em 4,9 milhões. Contudo, não há informação sobre os valores pagos pela construtora à pedreira.
Aumento da produção
Nesta segunda-feira (11), o Metrópoles publicou em seu site um levantamento realizado na Agência Nacional de Mineração (ANM) de que a pedreira aumentou sua produção em 517% entre 2023 e 2024, período em que Ruas esteve à frente da secretaria.
Segundo informações levantadas pelo portal, o negócio familiar figurava na 28ª posição em operação, no Rio, mas que, entre 2023 e 2024, subiu para a terceira posição. Já em nível Brasil, pulou da 683ª para 161ª. A empresa não constava no ranking de contribuintes do órgão em anos anteriores.
Altineu afirmou ao jornal O Globo que a empresa de sua família “não participa de licitações públicas”.
Já Mineração Santa Edwiges, disse, em nota, que não vende diretamente para o poder público. “No nosso setor os fornecimentos são feitos por quem tem o material disponível e o menor preço”, informou.
Procurado pelo Metrópoles, Ruas disse que a escolha de fornecedores é de livre escolha da contratada.
“É uma responsabilidade exclusiva da própria contratada. Cabe ao órgão público, dentro de suas atribuições legais, a fiscalização do cumprimento do objeto previsto em contrato, observando os princípios da legalidade, transparência e interesse público”, alegou.
Com informações de O Globo e Metrópoles