Relatório da PF aponta atuação de Bacellar e TH Jóias junto à facção criminosa
Dora Paula Paes 27/02/2026 18:25 - Atualizado em 27/02/2026 22:28
TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj
TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj / Foto: Divulgação
A Polícia Federal (PF) indiciou o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias. Eles são suspeitos de vazar informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. O relatório da PF aponta que o presidente afastado da Alerj exercia “a liderança do núcleo político” da facção e TH Joias, como elo direto com o poder público. Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado também foram indiciados.

A defesa do deputado Rodrigo Bacellar nega o envolvimento dele com o vazamento de informações e com a organização criminosa.

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Judice Neto, que chegou a ser preso no curso das investigações, não foi indiciado. Segundo a PF, a medida se deve às regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece procedimentos específicos para a responsabilização de magistrados.

Quanto a Bacellar, no momento licenciado do mandato e afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso no dia 3 de dezembro do ano passado pela Polícia Federal (PF) na Operação Unha e Carne. Ele é suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, em que o então deputado estadual TH Jóias foi preso.

No dia 9 de dezembro, Bacellar deixou a prisão, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a substituição da detenção por medidas cautelares.
Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias, foi preso por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, suspeito de negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Ele assumiu o mandato em junho, mas deixou de ser deputado após sua prisão.

A assessoria de Bacellar divulgou nota em relação ao indiciamento. “Em relação ao presidente da Assembleia Rodrigo Bacellar, a defesa esclarece que inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas. A defesa destaca ser descabido o indiciamento efetivado, realizado muito mais para justificar a ação açodada da Autoridade Policial, do que respaldada em elementos sérios e comprometedores”, salienta.

Com base no relatório, revelado pelo O Globo, mais detalhes foram divulgados. Por exemplo, quando a PF sustenta que a influência de Bacellar ia além da Assembleia, descrevendo uma “macroinfluência em todos os setores políticos do Rio” e ascendência hierárquica sobre aliados, inclusive a de orientar aliados antes de operações policiais.

Outro dado revelado pela PF diz respeito ao papel do ex-chefe de gabinete de Bacellar, Rui Bulhões Júnior. Na casa dele, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a Polícia Federal encontrou o que seria “um manual” com instruções de como apagar informações e desativar backups dos celulares de Bacellar. Esse material foi apreendido durante uma etapa da Unha e Carne, em dezembro passado.

Foram recolhidos no imóvel, três iPhones, dois pendrives, três agendas, duas pistolas e 150 munições, além do roteiro.
Relatório também mostra imóveis de luxo de Bacellar 
O relatório da Polícia Federal também detalha imóveis de alto padrão atribuídos ao deputado estadual Rodrigo Bacellar em diferentes regiões do Rio de Janeiro, todos com ampla estrutura de lazer.
Em Teresópolis, na Região Serrana, os investigadores apontam uma residência utilizada desde 2022 pelo parlamentar e familiares. O imóvel possui academia, área gourmet com piscina, capela e quadra esportiva. O IPTU de 2024, no valor de R$ 21.236, foi quitado integralmente por Bacellar. A casa foi localizada durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na ocasião em que ele foi preso.
Já em Campos, a apuração identificou um terreno murado de aproximadamente 70 mil metros quadrados vinculado ao deputado, atualmente em obras. Uma das construções está em fase final, com dois pavimentos, campo de futebol, além de área destinada a quadra de vôlei e piscina.
Na capital, os agentes relataram um apartamento na Avenida Atlântica, com vista para a praia do Leme e cerca de 650 metros quadrados. Em Copacabana, outro imóvel atribuído a Bacellar ocuparia um andar inteiro, com espaço reservado para garçons e geladeira abastecida com bebidas alcoólicas. Segundo o porteiro, o deputado frequentava o local duas vezes por semana.
O documento também registra a apreensão de um equipamento do tipo jammer, que é usado para bloquear sinais telefônicos e gravações, no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Com informações do O Globo e G1. 

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