Dora Paula Paes
23/02/2026 21:05 - Atualizado em 23/02/2026 21:41
Reprodução
Os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão serão julgados nesta terça-feira (24) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como mandantes das mortes da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, assassinados em 2018. Matéria do O Globo, nesta segunda-feira (23), divulgou que o presidente afastado da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar, chegou a ser ouvido pela Polícia Federal, no caso, por contato com o clã Brazão.
Um dia antes da prisão dos irmãos - que ocorreu em 24 de março de 2025-, Brazão e Bacellar marcaram um almoço, que não ocorreu. No depoimento de Bacellar, quando questionado sobre o grau de relação com a família Brazão, ele contou ser amigo de Domingos e de sua esposa Alice Kroff Brazão há, pelo menos, 20 anos.
Segundo ele, a amizade iniciou-se durante sua trajetória política em Campos, quando seu pai, Marcos Vieira Bacellar, ainda era vereador na cidade.
De acordo com a matéria, Bacellar foi chamado a depor porque na mesma semana em que os irmãos Domingos (então conselheiro do Tribunal de Conta dos Estado) e Chiquinho (ex-deputado federal) foram presos, ele se encontrou numa padaria no Flamengo, na Zona Sul do Rio, com Kaio Brazão, enteado de Domingos.
Ao monitorar uma terceira pessoa, a Polícia Federal tomou conhecimento do encontro. Estava presente à mesa: Robson Calixto Fonseca, o Peixe, preso em 9 de maio — duas semanas após os irmãos Brazão. Robson é acusado de entregar a arma utilizada na execução da parlamentar e, também, será julgado nesta terça.
Peixe já havia trabalhado como assessor de Domingos, à época em que ele era deputado estadual.
Os agentes da Polícia Federal ouviram Bacellar para saber o motivo do encontro marcado com Domingos primeiro e, posteriormente, com o filho dele, filmado por câmeras de segurança da padaria e por uma testemunha.
Segundo a matéria, Bacellar confirmou que ele e o conselheiro do Tribunal de Contas combinaram o encontro na véspera da prisão de Domingos. Também admitiu que Kaio o procurou no dia 26 de março, dois dias depois da prisão do pai e do tio, por meio de mensagem por escrito. Em seu depoimento à PF, Bacellar detalhou o que havia na mensagem: “Bom dia, presidente. Tudo bem? Seria possível encontrar com o senhor nessa semana? (SIC)”.
Ainda, de acordo com o depoimento de Bacellar aos agentes, a presença de Peixe teria lhe causado “incômodo”, e que ele veio acompanhando Kaio. No encontro, disse Bacellar, Kaio teria lhe pedido “conselhos políticos”.