Glauber Braga: Psol na luta contra os Bolsonaros
Aluysio Abreu Barbosa, Cláudio Nogueira, Hevertton Luna e Dora Paula Paes - Atualizado em 04/02/2026 07:35
Glauber Braga
Glauber Braga / Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O deputado federal suspenso, Glauber Braga (Psol), foi o convidado do no programa Folha no Ar da rádio Folha FM 98,3, na terça-feira (3). Braga fez um balanço do período de pré-candidaturas para as eleições de outubro. Ele defende que o seu partido tenha candidatura própria ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, nas reuniões com partidários são 52% defendendo sua candidatura à cadeira de governador, contra 48% que desejam tê-lo de volta à Câmara Federal. Uma coisa ele tem certeza e salientou durante a entrevista, a base e a militância de esquerda não votarão no atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, para o Governo do Estado. Ele ainda afirmou que derrotar Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas é a principal batalha do pleito. Quanto a Lula, respondeu que o governo ainda precisa de medidas econômicas para alavancar a aprovação do atual presidente.
Sem definição para outubro – “A coisa está muito apertada. Ontem, a gente fez o balanço das votações até aqui: 12 encontros já realizados e vamos totalizar 50 encontros até o final de março. São 52% votando e defendendo a candidatura ao Governo do Estado e 48% defendendo a candidatura para deputado federal. Essa margem estava maior para o Governo do Estado, mas acho que teve um efeito grande na posição das pessoas, o fato do mandato ter sido suspenso, o que aconteceu em Brasília. Até então, você tinha uma dianteira de 58% para a candidatura ao Governo do Estado. Meu pai, ele participou de três reuniões, ele não votou em nenhuma, ficou observando e ele definiu bem o sentimento das pessoas. Ele diz, olha: “a deliberação, a votação, a escolha para deputado federal, ela é concatenada com vários argumentos racionais e a candidatura para o governo do Estado, é emocional.” Eu não concordo exatamente com ele, porque eu acho que as duas posições têm um misto de uma definição racional e emocional. Nesse momento, respondendo a sua pergunta, por uma dianteira pequena, 52% a 48%, está ainda prevalecendo a decisão pela candidatura ao Governo do Estado.”

Rio é de direita – “O pêndulo do Estado do Rio de Janeiro já está agarrado para a direita faz bastante tempo. De governadores eleitos, o último que a gente teve de esquerda, já que a Benedita assumiu por um espaço de tempo curto, em substituição à Garotinho, como sua vice, o último foi o Leonel Brizola.”

Fórmula de Castro – “Cláudio Castro, durante o seu governo, ele inaugurou uma escola. É a situação que a gente tem hoje no estado do Rio de Janeiro. Cláudio Castro, ele não estava bem avaliado até há muito pouco tempo. Nas pesquisas Atlas, que antecederam a matança da Penha e do Alemão, qual era a popularidade de Cláudio Castro? Em uma delas, ele estava em penúltimo na avaliação de todos os governadores do Brasil, até então ele só estava na frente da Raquel Lira, governadora de Pernambuco. Na última pesquisa divulgada, antes da matança, ele estava em último lugar na avaliação entre todos os governadores do Brasil. Ele repete uma fórmula que ele já tinha, então, utilizado há quatro anos. Ele fez a matança do Jacarezinho e privatizou a distribuição de água. Pegou esse dinheiro e distribuiu entre os municípios para garantir a sua reeleição. Ele procura repetir essa fórmula agora, com a matança da Penha e do Alemão, e inicia o processo de privatização da produção de água da Cedae. Nesse processo de privatização da produção de água, a expectativa era pegar o dinheiro, distribuir entre as cidades e garante agora não à sua reeleição, porque ele não pode ser mais candidato ao governo, mas a sua eleição ao Senado Federal.”

Contraponto ao governo Castro – “A nossa pré-candidatura, se ela for consolidada, será dizendo a verdade, demonstrando as mazelas do Estado do Rio de Janeiro.”

Decisão partidária – “Se as pessoas definem que eu sou pré-candidato à reeleição, eu apresento essa intenção a partir daí, não vai ter nenhuma dificuldade porque eu já estou no exercício do mandato e quem está no exercício do mandato tem a prerrogativa de ser candidato. Inclusive, muitas pessoas consideram que seria importante a candidatura para o fortalecimento da chapa e tem todo o apoio do partido pra tal. Agora, se as pessoas escolhem que eu devo ser pré-candidato a governador, eu apresento essa intenção ao partido que vai avaliar, entre outros pré-candidatos que já se apresentaram também, que é a de William Siria e da Thaís Ferreira, que são vereadores na cidade do Rio.”

Planos para a Segurança – “O estado do Rio de Janeiro, que tem a taxa mais alta de desemprego entre jovens de 19 a 25 anos dados do IBGE do primeiro trimestre do ano passado do Brasil, com mais de 20% de desempregados. É evidente que num cenário como esse você tem uma violência urbana crescente e um projeto que não diminui índices de violência de maneira estruturada... O Rio de Janeiro não tem um plano estadual de redução de homicídios."

“Não vou ser pré-candidato morno” – “O que eu me comprometo é que se eu for pré-candidato a governador do estado do Rio de Janeiro, eu não vou ser um pré-candidato morno. Eu não vou ser aquele de gravatinha que vai estar participando do debate e só fazendo uma apresentação de propostas como se tivesse um caráter pseudo, falsamente técnico. Vamos apresentar propostas consistentes e fazer um debate político mostrando que o Rio de Janeiro está afundando com sucessivos governos de direita e que tem que ter um governo agora do campo popular, a gente precisa chacoalhar essa política do Estado do Rio.”

Pré-candidato a federal – “É muito mais provável uma reeleição de deputado federal. Estou no quinto mandato como deputado federal e é bem provável que para uma reeleição não existe eleição definida previamente. Mas é muito provável, a partir daquilo tudo que aconteceu e a gente sente na rua também, as pessoas querem dar uma resposta à perseguição tocada por Lira e companhia, pela suspensão das denúncias que o mandato fez do orçamento secreto, em retornar à Câmara dos Deputados. Considero, inclusive, como uma ampliação significativa da votação em relação às eleições anteriores."

Castro e Paes – “Até pouco tempo Paes (Eduardo, prefeito do Rio) podia ser o candidato de Cláudio Castro. Agora o que está se costurando é uma aliança informal onde Paes não atrapalha Castro para o Senado e Castro não atrapalha Paes para o governo.”

Em um segundo turno contra Paes – “Não quero tapar o sol com a peneira hoje. Existe uma decisão do PT no estado do Rio de Janeiro, o apoio deles é a candidatura de Eduardo Paes. A nossa candidatura não se coloca como quem está com a expectativa antecipada desse apoio. Uma coisa é a decisão, com todo respeito, a cúpula dos partidos. Outra coisa é a decisão da base, da militância. A base e militância de esquerda dos mais variados partidos não vão votar em Eduardo Paes. Esse é o fato.”

Base da esquerda não quer Paes – “Nessas reuniões que eu estou fazendo, parte é de militância do pessoal, parte significativa é de militância do PT, militante da UP, do PCB, dos mais variados partidos, da militância de base. Então, não necessariamente aquilo que é feito como acordo por parte da cúpula dos partidos, ele é acompanhado pela militância de base e é exatamente o que vai acontecer. A base não quer votar em Paes e quer ter uma candidatura que possa chamar de sua não só para votar, mas para fazer campanha para militar.”
Disputa para valer – “Com toda sinceridade, se eu entrar nessa batalha como pré-candidato a governador do estado do Rio de Janeiro não vai ser para marcar posição não, vai ser para fazer o debate político, tensionar, ir para o segundo turno com o Eduardo Paes e a partir daí ter a possibilidade de ter um outro cenário, uma outra história e a possibilidade de vencer a eleição. Eu não sou daqueles que falam assim, eu vou para essa eleição só para reforçar princípios. É para reforçar princípios, mas é também para fazer o debate eleitoral com a possibilidade de vencer as eleições. Isso se faz, inclusive, e tem uma pressão da militância de esquerda, pelas alianças do Eduardo Paes com a própria extrema-direita.”

Lula é o mais competitivo – “Acho que nós vamos ter uma repetição do duro cenário vivenciado um pouco mais de três anos atrás. Se batalhas estruturais tivessem sido realizadas para garantia, de condições materiais mais consistentes para a população brasileira durante esse período, nós não estaremos passando por esse sufoco agora nas próximas eleições de outubro, que vão ser eleições duríssimas, eu não tenho dúvida nenhuma disso. A nossa prioridade absoluta tem que ser derrotar o Flávio Bolsonaro e a candidatura competitiva para fazê-lo é a candidatura de Lula.”

Ponto-chave para Lula em 2026 – “Acho que para o ano de 2026 o que dá capacidade disso acontecer são medidas econômicas onde a pessoa sinta que a vida dela tá mais confortável ou pelo menos menos pior. A pessoa tem que dizer, não, eu estou conseguindo colocar um queijo aqui na mesa, conseguindo melhorar os itens e os alimentos que eu tô colocando aqui na minha refeição. Acho que isso vai ser fundamental para que parte daqueles 30% que estão no meio do caminho possam prender para uma posição que venha a derrotar Flávio Bolsonaro.”

Prioridade da esquerda – “Entre aqueles que estão no meio do caminho, Qual vai ser a prioridade política por parte da esquerda nessa eleição? Vai tentar ser convencer a Suzana Vieira a não ser lavajatista? Ou vai ser recuperar o eleitor da Baixada Fluminense, da Zona Oeste do Rio, que já votou em determinadas eleições no Partido dos Trabalhadores e que deixou de votar? No meio desse caminho tem os dois grupos, mas evidentemente o grupo mais numeroso é aquele que é representado, é o que é classe trabalhadora. Eu acho que essa tem que ser a prioridade política.”

Apoio do PSOL à Benedita – “Pelo que tem de indicativo hoje no PSOL a se confirmar a candidatura da Benedita, isso ainda tem que ser definido pelas instâncias, mas o que tem se definido como posição de maioria, pelo menos aparentemente, é um apoio, ainda que informal, à candidatura de Benedita. Por que eu digo que é ainda que informal? Porque nós vamos estar em coligações diferentes.”

Psol na disputa para governador - “O Psol vai ter candidatura própria ao governo do estado do Rio de Janeiro. É uma certeza."

Disputa do Senado pelo Psol – “Abrir mão de candidatura própria do pessoal ao Senado, ainda que a tática seja eventualmente de um apoio, se a maioria do partido decidir por isso, de um apoio à candidatura da Benedito, não ter candidatura própria em nada ajuda a própria candidatura da Benedita, porque o eleitor vai votar duas vezes nessa eleição para o Senado Federal.”

Banco Master – “Que sejam responsabilizados aqueles que cometeram crimes em qualquer esfera de poder. Agora, o que se já tem publicamente como informação, dá uma demonstração de que a extrema-direita pode fazer firula, mas ela não quer essa CPMI. É obrigação moral de nós, que somos do Rio, buscar o processo de responsabilização de uma figura como Cláudio Castro e como Ibanez.”

Voto em Bacellar na Alerj – “Sobre a votação no Bacelar, na época, alguns dos meus companheiros evidentemente não gostaram da minha posição, mas eu fiz questão de fazê-lo. Eu fui o deputado que, publicamente, vinha a público e condenara aquela posição. E tenho certeza, inclusive, que quem o fez hoje reflete, e mesmo quem possa ter, num primeiro momento, ficado chateado comigo, hoje considera que a minha posição foi a correta."

Disputa da eleição-tampão – “Se tiver eleição-tampão agora com o afastamento de Cláudio Castro, o Psol tem que ter candidatura própria ao governo do estado do Rio de Janeiro. Indireta não vai ganhar por parte dos deputados (na Alerj), é verdade. Mas uma candidatura como a do Psol vai lá, denuncia os podres poderes, mostra o que está em jogo, mostra as articulações que estão sendo feitas e que ninguém quer mostrar, porque isso prepara também a disputa que vai ser do voto direto da eleição de outubro."

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