Corpo de Bombeiros socorre vítimas após raio cair em concentração de ato pró-Bolsonaro
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Foto: Redes sociais/Reprodução
Manifestantes ficaram feridos e tiveram de ser levados a hospitais públicos de Brasília, na tarde deste domingo (25), após serem atingidos pela descarga elétrica de um raio e pelo menos oito dessas vítimas ficaram em estado grave. O grupo estava reunido próximo ao Memorial JK, no Eixo Monumental, sob uma forte chuva – eles aguardavam a chegada de uma passeata de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O raio caiu pouco antes das 13h, e equipes do Corpo de Bombeiros que já monitoravam o ato montaram uma tenda de emergência para os primeiros atendimentos.
A informação preliminar é de que pelo menos seis vítimas ficaram em estado grave. O Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Saúde do DF ainda não divulgaram dados oficiais.
A TV Globo apurou que pelo menos 15 pessoas receberam atendimento inicial no local. Os casos que exigiam maior atenção foram encaminhados ao Hospital de Base e ao Hospital Regional da Asa Norte.
"Caiu um raio, e aí caiu todo mundo. A gente não entendeu nada, até conseguir se levantar e um acudir o outro, muita gente correndo. Os bombeiros e o Samu já estavam ali prontos, mas era muita gente ao mesmo tempo. Caiu bem na nossa frente, bem perto do trio elétrico", relatou ao g1 o representante comercial Alfredo Santana.
Susto, dores e queimaduras
Algumas dessas pessoas, apesar de não terem se ferido, precisaram de atendimento em razão do susto e do nervosismo. Segundo dados oficiais, 72 pessoas receberam algum tipo de atendimento.
Dessas, 29 tiveram de ser encaminhadas a hospitais – 18 para o Hospital de Base, e outras 11 para o Hospital Regional da Asa Norte. Pelo menos oito desses pacientes estavam em estado grave.
A monitora escolar Patrícia Rosa foi uma das encaminhadas ao Hospital Regional da Asa Norte. Ela estava na manifestação e foi jogada ao chão com a descarga do raio.
Ela relatou ao g1 que sofreu queimaduras nos braços e na barriga e estava também com uma dor forte no ouvido. Até as 13h30, Patrícia ainda aguardava atendimento.
O ato
O ato foi convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e ocorreu após uma caminhada de sete dias do parlamentar, políticos de direita e apoiadores de Bolsonaro.
O Monitor do Debate Político e a ONG More in Common calculam que a passeata reuniu 18 mil pessoas na praça, ponto final da caminhada.
No momento de pico, o público ficou entre 15,8 mil e 20,1 mil participantes. A variação se dá em razão da margem de erro de 12%. Segundo as organizações, a contagem foi feita a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial.
O grupo percorreu cerca de 240 quilômetros, entre Paracatu (MG) e a capital federal, pernoitando em cidades ao longo do percurso.
A última parada antes da chegada à área central de Brasília foi na região administrativa do Park Way, no DF. O trecho deste domingo foi percorrido sob forte chuva.
Os manifestantes pedem a liberdade do ex-presidente e outros condenados pela trama golpista e pelos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro de 2023.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como líder da organização criminosa que tentou mantê-lo no poder e impedir o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu as eleições de 2022.
Jair Bolsonaro está preso na Papudinha, um prédio do 19° Batalhão da Polícia Militar do DF, que fica dentro do complexo da Papuda. A sala de Estado-Maior em que ele está tem área total de 54,7 metros quadrados, e mais 10 metros quadrados de área externa.
Além do ex-presidente, outras 28 pessoas dos chamados "núcleos principais" da trama golpista foram condenadas. No total, mais de mil pessoas foram responsabilizadas, a grande maioria pelos atos de vandalismo contra as sedes dos Três Poderes no 8 de Janeiro.