Banco Master: PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele
14/01/2026 08:41 - Atualizado em 14/01/2026 14:04
PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele
PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele / Reprodução: PF
A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira (14) uma segunda fase da operação sobre um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master que inclui buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele. 
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel chegou ser detido na madrugada desta quarta no aeroporto quando embarcaria para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi solto em seguida. A prisão foi apenas para a realização da operação desta quarta.

O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estão entre os alvos.

A investigação detectou que havia captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes.

Procurada, a defesa Vorcaro disse que ainda não teve acesso aos autos da operação e reiterou que seu cliente tem colaborado com as autoridades. A defesa dos demais alvos da operação não foi localizada.
O caso do Banco Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição. A liquidação ocorreu após investigadores descobrirem negócios de venda de carteiras de crédito com suspeitas de fraudes do Master para o Banco de Brasília (BRB) num valor de R$ 12,2 bilhões. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a "maior fraude bancária" do país.

No entanto, a decisão do BC passou a ser questionada. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou uma inspeção em documentos relativos à liquidação do banco. Nesse meio tempo, o BC começou a ser alvo de ataques digitais com o objetivo de desacreditar a sua atuação no processo. A PF apura pagamentos milionários a influenciadores. Diante das fraudes detectadas, a tendência é que o parecer técnico respalde a decisão da autoridade monetária.

O caso Master chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado por decisão do ministro Dias Toffoli. Relator do tema, ele determinou sigilo sobre todo o processo. Uma das primeiras medidas foi a acareação no tribunal no fim do ano passado.

Nessa etapa da operação Compliance Zero, são cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Os mandados têm alvos em São Paulo, incluindo endereços na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros da capital paulista, e os estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Os policiais foram até a casa de Tanure e não o encontraram no endereço. Ele foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo nacional. O celular dele foi apreendido.
Determinação do ministro
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou "falta de empenho" e reclamou de demora da Polícia Federal no cumprimento de medidas cautelares contra Daniel Vorcaro, parentes do banqueiro e pessoas ligadas ao Master.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estão entre os alvos.

Dias Toffoli determinou que documentos, bens e materiais apreendidos na operação sejam lacrados e encaminhados ao STF.
Na decisão em que se queixa da atuação da Polícia Federal, Toffoli afirmou que as medidas cautelares foram solicitadas no dia 6 de janeiro. No dia 7, o ministro determinou que as medidas fossem cumpridas a partir do dia 12, no prazo de 24 horas, o que não ocorreu.

Ao reclamar da demora, Toffoli destacou que pessoas envolvidas em irregularidades podem "estar descaracterizando provas essenciais", o que pode gerar prejuízo às investigações.

"Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas", diz trecho da decisão de Toffoli.
Na decisão sobre a operação desta quarta, Toffoli afirmou que eventuais falhas no cumprimento de medidas determinadas por ele e possíveis prejuízos às investigações serão de "inteira responsabilidade" da PF.

"Eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal", escreveu o ministro do STF.
Primeira fase
A primeira fase da operação aconteceu em novembro passado e resultou em sete prisões, incluindo a de Vorcaro.

O dono do Banco Master foi preso quando estava no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Segundo investigadores, ele estava tentando fugir do país em um avião particular para a Europa. Dias depois, ele foi solto pela Justiça.

Na época, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco após concluir que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros.

A decretação da falência do banco tem sido alvo de polêmica. O Banco Central foi questionado pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jonathan de Jesus, para esclarecer supostos indícios de liquidação "precipitada" do Banco Master. Além disso, foi decretado sigilo sobre o processo.

Os policiais investigam a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master, que emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado, um retorno considerado irreal pelas autoridades. Segundo estimativa da PF, as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões.
Com informações do G1

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