EUA suspendem emissão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil
14/01/2026 13:58 - Atualizado em 14/01/2026 14:05
Donald Trump
Donald Trump / Reprodução
Os EUA vão suspender por tempo indeterminado o processamento de emissão de vistos imigratórios para cidadãos de 75 países, incluindo do Brasil. A informação foi publicada em primeira-mão pela Fox News Digital, que teve acesso a um memorando com orientações do Departamento de Estado dos EUA a funcionários de representações consulares, posteriormente confirmado pela Casa Branca. A suspensão começa a valer a partir do dia 21 de janeiro.
A rede americana afirmou que o memorando, que não foi divulgado publicamente, orienta funcionários consulares americanos a não concederem vistos de imigração com base na legislação atual, enquanto o Departamento de Estado reavalia procedimentos de triagem e verificação de solicitantes de vistos imigratórios. O objetivo, ainda de acordo com a rede americana, seria coibir a entrada de candidatos considerados "propensos a se tornarem um encargo público".
"Os EUA congelaram todo o processamento de vistos para 75 países, incluindo Somália, Rússia e Irã", escreveu a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em uma publicação na rede social X, com um link para o artigo da Fox News.
A emissora americana, que teve acesso à lista completa de países afetados, citou que além do Brasil, aparecem Irã, Iraque, Afeganistão, Iêmen, Nigéria, Rússia, Somália e Tailândia. Uma fonte do governo americano ouvido pela Bloomberg confirmou alguns países citados pela Fox.
Cidadãos de alguns dos países incluídos, como Afeganistão, Irã, Rússia e Somália, já tinham poucas chances de obter um visto. Parte das nações também já estavam incluídas em medidas restritivas anteriores, como a exigência de pagamento de caução para concessão de visto — caso da Nigéria, que começaria a ser impactada pela medida no dia 21, segundo anúncio anterior do Departamento de Estado — e a suspensão de outros processos de imigração — que já afeta há meses Irã e Iêmen.
Para outros países, porém, a medida será um choque. A decisão fecha as portas para novos viajantes nos EUA para mais de um terço dos quase 200 países do mundo, podendo afetar planos de trabalho e férias. Ela ocorre cerca de cinco meses antes de os EUA sediarem a Copa do Mundo, quando centenas de milhares de visitantes estrangeiros são esperados.
Ainda de acordo com a reportagem da Fox News compartilhada pela Casa Branca, a medida desta quarta-feira teria relação com uma determinação anterior do Departamento de Estado, que no ano passado instruiu os funcionários consulares a aplicarem novas e abrangentes regras de triagem sob a chamada disposição de "encargo público" da lei de imigração — que visa impedir a entrada no país de pessoas que poderiam se beneficiar de programas governamentaisOs fatores de risco que deveriam ser avaliados no momento da concessão, segundo o comunicado de novembro, incluiriam idade, proficiência em inglês, situação financeira e mesmo sobrepeso — dentro de uma perspectiva de necessidade de cuidados médicos de longo prazo.
"O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em um comunicado na quarta-feira.
O controle na concessão de vistos faz parte de uma política mais ampla da nova administração Donald Trump para controlar a entrada de estrangeiros no país. O Departamento de Estado anunciou na segunda-feira que os EUA revogaram mais de 100 mil vistos desde que o republicano reassumiu a Presidência, em janeiro do ano passado, com um forte discurso anti-imigração. O número foi apontado pelo próprio governo americano como um recorde — duas vezes e meia superior ao de 2024, quando o democrata Joe Biden era presidente.
O governo americano também endureceu controles para a obtenção de vistos, incluindo a verificação das publicações nas redes sociais dos requerentes. As revogações fazem parte de uma campanha mais ampla, que inclui de deportações em massa por parte do governo, levada a cabo de forma agressiva mediante o aumento do número de agentes federais.
O Departamento de Segurança Interna disse no mês passado que o segundo governo Trump deportou mais de 605 mil pessoas e que outras 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente.
Fonte: O Globo

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