Imagem conservadora ou alternativa? Em qual investir?
09/09/2026 | 09h54

Durante alguns anos eu trabalhei numa empresa de grande porte nacional, em que passei por um treinamento na capital fluminense onde foi apresentado um estudo sobre imagem conservadora e alternativa. Ela nos explicava porque certas roupas eram obrigatórias na nossa organização e outras proibidas, como o “jeans”.

Naquele momento lembrei-me do meu primeiro dia de trabalho na organização, eu trajava uma calça preta de alfaiataria e uma camisa de manga comprida com botões. Além disso meu cabelo estava escovado e minha maquiagem leve. Todavia, ainda assim, logo de chegada, acabei recebendo um cartão de uma loja de ternos e tailleurs, porque eu era a única funcionária que estava sem pelo menos um blazer.

Voltando ao treinamento, a treinadora demonstrou com números, filosofia e fatos que pessoas, “pelo menos visualmente”, alternativas escolhiam pessoas visualmente conservadoras para confiar o que lhes era mais precioso e por isso aquela empresa, que chegou a ser eleita a melhor do país pela Você S/A durante aquele período, havia optado por demonstrar uma identidade conservadora.

Àquela época a organização chegou a mandar retirar de todas as suas unidades uma publicidade de um produto específico que tinha como garoto propaganda um ator muito querido, mas que passou a interpretar um vilão com características progressistas em uma telenovela de grande audiência.

Segundo ela, a empresa não poderia associar sua imagem à daquela figura. E que a imagem conservadora atraia os mais diversos perfis, inclusive os moderados, alternativos e arrojados. Posto que há uma ideia de projeção de perfeição no subconsciente coletivo em relação aquilo que aparentemente está ordenado.

Posteriormente, comecei a investir numa imagem mais formal, mas feminina, saias retas, vestidos com blazer, te a observar meus clientes. De fato, muitos vinham da concorrência, que justamente apostava num estilo mais descolado, admitindo por exemplo jeans. Esses clientes diziam que desconfiavam de que seriam lesados na nossa principal rival de alguma forma.

Um ano depois, eu fui chamada por um padre a empreender uma missão na Igreja Católica em relação à Jornada Mundial da Juventude, e passei a ter maior visibilidade social devido a isto. Conclusão, ainda que eu não me considerasse uma pessoa santa ou exemplar, passei a ser mais cobrada publicamente por pessoas até contrárias a minha fé, ou de certa forma transgressoras, quando eu me assemelhava a elas, como se elas na verdade não concordassem com o que elas pregavam, e elas pudessem errar e eu não.

Outra ocasião engraçada foi quando uma colega que se identificava como feminista burguesa me procurou assim: “Érica, quero fazer doações de coisas que não uso mais, mas não sei em que confiar, eu sei que você vai saber me orientar pra que minha doação seja bem direcionada, eu não quero que ela seja desviada pois são roupas de marca”. Ela abominava tudo que eu defendia, mas na hora de fazer o bem com os seus bens, procurou a conservadora.

O que quero dizer com isto? Que você deve vestir-se de modo formal, ou conservador? Não.
Depende da sua intenção. A imagem conservadora gera expectativas de sucesso, perfeição e com isso muito mais críticas quando você falha, e cobranças se comparada à alternativa. E se você não está preparado para ser publicamente exposto ou atacado, ou simplesmente não é capaz de entregar o que esperam, talvez não seja interessante.


Por outro lado, se você quer se livrar de uma responsabilidade, ou um possível negócio que vai trazer mais dor de cabeça ou perdas que não compensem os ganhos, então, transmitir a imagem alternativa vai te ajudar bastante, porque num contexto geral, a maioria das pessoas não vai nutrir esperanças sérias em relação a este perfil.


No entanto você pode optar por uma terceira via, mais arriscada, provocar uma visão descredibilizada e entregar uma experiência que supere a expectativa do seu público alvo, ou cliente. E deixá-lo boquiaberto. Eu já fiz isto em um debate numa universidade. É muito divertido e depois que dá certo, impõe mais respeito e expõe o preconceito. No entanto é arriscado não conseguir atingir a fase final.


Agora, se o seu interesse é conquistar credibilidade, apresentar-se visivelmente conservador poderá te ajudar rapidamente e inicialmente. Quanto à durabilidade desse crédito pode ser de longo prazo ou curto, a depender do grau de inteligência do seu interlocutor, cliente, alvo, etc. Pois um discurso visual ou verbal incoerente com atitudes não sustenta fachada.


Então é preciso definir antes de tudo: seu público, a durabilidade do relacionamento, o produto que deseja vender, e adaptar o que lhe é natural ao que precisa ser intencional e administrar estes pontos em relação aos seus interesses.


Anote num papel esta pergunta para diferentes pessoas ou públicos que você interage:
- O que quero de fulano, ou cliente tal? Qual marca quero deixar nele(a)? Quero ser lembrado bem, mal lembrado ou esquecido?

- O que esta pessoa, ou empresa gosta? O que ele(a) espera de alguém em quem possa confiar?
- E de acordo com sua intenção, você monta como se posicionar (visual, comportamento, gestos, postura, voz) ao contrário ou ao encontro dos interesses de quem você deseja atingir ou repelir.
 
Por exemplo, em qual destas duas você apostaria suas fichas? A imagem da direita ou da esquerda?
O arquétipo da governante/ conservadora
O arquétipo da governante/ conservadora / Arquivo pessoal
O arquétipo do rebelde / alternativo
O arquétipo do rebelde / alternativo / Arquivo pessoal
 
Compartilhe
Tudo é Comunicação, por Érica Viana
05/09/2026 | 07h11
A inspiração para o nome desta coluna é o título de um livro com o qual tive contato durante minha graduação em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas: Tudo é Comunicação, de Paulo Nassar. A escolha também se baseia nas diversas catequeses que ouvi e proferi durante quase uma década como serva da juventude na Santa Igreja.
 
Tudo é Comunicação, livro de Paulo Nassar
Tudo é Comunicação, livro de Paulo Nassar / Divulgação
 
De acordo com minhas crenças e com as da maioria da população mundial, o mundo foi feito pela COMUNICAÇÃO. Deus disse “FIAT” (Faça-se) e o que Ele disse foi feito; o “como” ainda hoje é objeto de discussão científica e teológica. No entanto, em muitos momentos, especialmente os católicos, repetimos: “ET VERBUM CARO FACTUM EST” (E o Verbo se fez carne). Ou seja, a Comunicação se encarnou. E tudo isso pode levar-nos a concluir que, de fato, a palavra tem poder e a comunicação é vida — ou, mais ainda, que tudo é comunicação.
O poder da Comunicação desde o princípio: FIAT!
O poder da Comunicação desde o princípio: FIAT! / www.manific.com
 
No entanto, nem toda comunicação é dita: pode ser escrita, desenhada, encenada e até mesmo, a própria vida comunica, como ensinava São Francisco: “se necessário, use palavras”. E, por vezes, infelizmente ou felizmente, ela também pode ser presumida, em sutilezas ou espetáculos, com ruído ou sem ruído, correndo o risco de ser ineficaz, construtiva ou destrutiva.
Portanto, este pretende ser — e será — um espaço para você compreender o poder da comunicação e como dominá-la a fim de conquistar seus objetivos e evoluir enquanto ser humano e profissional. Uma visão global da comunicação verbal, não verbal, universal, local e pessoal.
Expressão corporal, facial e oral, além de visagismo.
Expressão corporal, facial e oral, além de visagismo. / Érica Viana
Em suma, as cores comunicam; as palavras ditas e não ditas e a forma como o são; o toque; o que é visto e o que não é visto; o que é escrito; o que é experienciado; o que é vestido; o que é gesticulado; as formas e as deformas — enfim, cada passo dado.
Cada modo de comunicação tem sua aplicabilidade ideal, mas não sou o tipo de pessoa que pensa de maneira engessada. Pelo contrário: para mim, “antes feito que perfeito”. E, dependendo, não fazer nada, pelo menos perceptivelmente.
Não obstante, sou realista e sei que “à mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta” — frase atribuída ao antigo imperador de Roma Júlio César que, sobretudo hoje, com tamanha exposição social, faz mais sentido que outrora.
Nos tempos atuais, é preciso muito mais do que um Lattes para demonstrar conteúdo; no entanto, a embalagem oca também não se sustenta. Estou aqui para levá-lo(a) por uma jornada que eu mesma percorri, multiplicando talentos, mas estrategicamente usando os mais variados tipos de comunicação a favor de si. Toda semana abordaremos assuntos muito interessantes e aplicáveis. Vinde e vede na próxima edição, quarta-feira(09).
Compartilhe

Tudo é comunicação, por Érica Viana