A liberdade de crença é um dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, de acordo com a Constituição Brasileira. Mas, na prática, o país ainda está muito longe disso. Historicamente vítimas de perseguição, as religiões de matriz africana ainda são alvo de intolerância e violência. Se, no passado, era o próprio Estado quem fechava os terreiros, hoje os atos de intolerância e violência vêm do tráfico de drogas — predominantemente evangélico.
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política do Centro de Ciências do Homem da UENF (CCH), o psicólogo Paulo Henrique Prado da Silva vem se debruçando sobre essa questão desde o mestrado. Intitulada “Umbandas: o racismo religioso nos espaços públicos em Campos dos Goytacazes”, a dissertação de mestrado teve a orientação da professora Wania Amélia Belchior Mesquita, do Centro de Ciências do Homem da UENF (CCH/UENF), e foi defendida em fevereiro de 2024.
Com cerca de 400 Comunidades Tradicionais de Terreiro (CTTs) — em sua maioria na linha de Umbanda —, segundo o Forum de Religiosidades de Matrizes Africana e Afro-Brasileira (FRAB), o município de Campos dos Goytacazes contabilizou, de 2017 a 2019, 11 casos de fechamento de terreiros — oito deles em Guarus — e dois assassinatos de líderes religiosos: o do pai de santo Bruno de Iemanjá e o da mãe de santo Lelê. Ambos foram mortos porque se recusaram a cumprir a ordem de traficantes para fechar seus terreiros.
Doutorando Paulo Padro
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Cassiane Falcão - Ascom Uenf
Impunidade alimenta ações criminosas
Segundo Prado, apenas um caso de violência foi punido, através da Lei Caó. Criada em 1989, a Lei Caó pune ações que carregam consigo preconceito de raça ou cor e passou a incluir o preconceito religioso em 1990.
— Os dados apontam que a Lei Caó, em seus 35 anos de existência, não deu conta de solucionar essa questão. Isso reflete a marginalização das CTTs, historicamente apontadas como algo que precisa ser exterminado da sociedade. Reflete ainda o poder das religiões pentecostais no atual momento brasileiro — afirma.
Para o doutorando, a impunidade em relação a esses crimes está muito ligada ao crescimento dos pentecostais nos vários âmbitos do poder.
— Hoje a gente vê muitos pentecostais ocupando cargos políticos. O mesmo acontece nas delegacias, no judiciário. As pessoas que poderiam impedir essa violência são aquelas que concordam com a perspectiva de que os terreiros não devem existir. Estamos lidando com aspectos que não são só religiosos, mas com política, disputa de mercado religioso, enfim, são várias nuances — diz.
Mas nem sempre foi assim. Até meados da década de 1980, a população das favelas era predominantemente católica ou umbandista/candomblecista. Paulo observa que, até esta época, era comum traficantes que moravam nestes locais patrocinarem eventos organizados por pais e mães de santo. Tudo mudou quando as igrejas pentecostais começaram a ocupar as favelas.
— As umbandas são associadas pelos pentecostais ao mal, ao “diabo”, o que incentiva a violência. Há relatos sobre atos de violência praticados por traficantes que acreditam ter sido feito algum tipo de “magia” para prejudicá-los, ideias muitas vezes fomentadas por pastores que afirmam ter tido revelações sobre traficantes supostamente vítimas de “macumbas” — explica.
História de perseguição e resistência
Historicamente, a perseguição às religiões de matriz africana sempre teve como base aspectos legais. Embora tenha estabelecido a separação entre religião e Estado, a primeira Constituição da República, em 1891, não significou o fim à discriminação e violência contra os povos de terreiro. Isto porque as religiões de matriz africana não eram reconhecidas como religião.
— Os rituais eram considerados crimes contra o exercício legal da medicina e saúde pública, devido à utilização de saberes tradicionais com ervas e outros elementos para auxiliar nos processos de cura física, mental e espiritual. Eram normais as ações da polícia para acabar com terreiros — explica.
Durante o período compreendido como Estado Novo, de 1930 a 1945, houve um aumento significativo das ações contra os terreiros. Em sua pesquisa, Prado conseguiu encontrar várias notícias nos jornais da época que mostram estas ações. Em 1940, por exemplo, o jornal Folha do Commercio anunciava uma campanha da polícia local contra “macumbeiras e a prática do curandeirismo”.
Censo trouxe crescimento das religiões de matriz africana
A despeito de toda a violência contra as religiões de terreiro, o último Censo mostrou um crescimento substancial das religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé. Em Campos, os praticantes dessas religiões perfazem 0,7% da população (no Censo de 2010, eles sequer apareciam). Em todo o país, o percentual saltou de 0,3% para 1%.
Mas os números do Censo podem não significar um aumento concreto de participantes destas religiões e sim um maior número de praticantes dispostos a se declarar pertencentes a estas religiosidades. Trata-se, segundo Prado, de uma consequência dos movimentos sociais na luta, reconhecimento e valorização dessas religiões, historicamente marginalizadas. Ele observa que durante muito tempo os praticantes de umbanda e candomblé preferiam se declarar espíritas ou católicos, com medo de serem mal vistos.
Intolerância ou racismo religioso?
Agora cursando o doutorado, Prado vem buscando um termo mais adequado ao fenômeno que engloba a violência contra terreiros e pais de santo, por acreditar que nem “racismo religioso” nem “intolerância religiosa” são capazes de definir todos os aspectos relacionados a esta questão. Na sua opinião, nenhuma das duas categorias consegue dar conta de todas as complexidades que envolvem este tipo de violência.
— Como falar de racismo religioso quando há pessoas de terreiro brancas? Por sua vez, intolerância religiosa dá uma perspectiva muito universalista, como se toda violência contra religiões tivesse a mesma origem, quando se sabe que a violência contra os terreiros está alicerçada no processo histórico de colonização. Venho tentando repensar tudo isso, mas ainda não cheguei a uma conclusão — afirma.
Governo registra aumento da violência
Segundo o Disque 100, canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em 2024 houve um aumento de mais de 80% dos casos de violência motivados por intolerância religiosa em todo o país. Foram registradas 3.853 violações em 2024 e 2.128 em 2023.
Para o pesquisador da UENF, os números podem ser o reflexo do aumento das denúncias e não um crescimento real dos atos de violência.
— Os povos de terreiro estão mais organizados. Talvez a violência seja na mesma proporção há décadas, mas ninguém denunciava. A violência sempre existiu, porém agora a sociedade tem um conhecimento maior em relação aos seus direitos e meios de fazer denúncias — diz.
Preservação de saberes ancestrais
Segundo Prado, as práticas religiosas de matriz africana constituem formas de luta e afirmação identitária em uma sociedade que ainda insiste em criminalizar e subalternizar tais expressões.
— Mais do que uma prática religiosa, as religiões de terreiro constituem um ato político de resistência e um caminho de preservação e valorização dos saberes ancestrais, desafiando as violências que buscam silenciá-las e reafirmando, em cada ritual, a sua presença e identidade — afirma.
Para o pesquisador, é fundamental reconhecer e valorizar a diversidade cultural que as CTTs trazem para Campos dos Goytacazes.
— O respeito às práticas religiosas de matriz africana e indígena não é apenas uma questão de direitos humanos, mas uma contribuição essencial para a construção de uma sociedade plural e justa. Portanto, a luta das comunidades umbandistas por reconhecimento, respeito e segurança deve ser apoiada por políticas públicas e ações coletivas que promovam a inclusão e a valorização da diversidade religiosa — diz.
Fortalecer as políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher e promover maior responsabilidade ética na ocupação de cargos e funções públicas no município de São João da Barra. Este é o principal objetivo da lei municipal 1.462/2026, que impede a contratação de agentes públicos condenados pela Lei Maria da Penha, no município.
De autoria do vereador Rommenik, a lei foi sancionada pela prefeita Carla Caputi na última terça-feira e publicada no Diário Oficial do dia 1º de abril. A norma veda a nomeação para cargos efetivos, cargos em comissão de livre nomeação e exoneração, a designação para funções gratificadas ou funções de confiança, bem como contratação temporária em todos os órgãos da administração pública direta e indireta.
A Lei Maria da Penha constitui um dos principais instrumentos jurídicos de proteção às mulheres no Brasil e, segundo o autor, a administração pública deve assegurar que seus agentes estejam alinhados com valores fundamentais de respeito à dignidade da pessoa humana e à proteção dos direitos fundamentais. "Neste contexto, a vedação à nomeação ou designação de pessoas condenadas por violência doméstica e familiar contra a mulher, representa medida de coerência institucional e de compromisso do Poder público com o combate a esse tipo de violência amplamente reconhecida como grave violação de direitos humanos", explica o vereador.
A iniciativa busca, ainda, alinhar o município de São João da Barra às boas práticas institucionais e às políticas de proteção às mulheres, contribuindo para o fortalecimento da ética administrativa e para a construção de uma sociedade mais justa, segura e igualitária.
Com 30 empresas instaladas e sendo considerado o 2º maior do país em movimentação de cargas, o Porto do Açu tem estado em frequente evolução. Nesta quarta-feira (1º), a Folha fez uma visita ao complexo porto-indústria para ver de perto todo trabalho desenvolvido ao longo dos anos de atividade e conhecer as metas futuras, que integram o projeto "Ambição 2050".
— Nós (enquanto Porto do Açu) temos a missão de ser o administrador portuário. A empresa que coordena e desenvolve esse território atraindo investimentos, atraindo empresas. A gente licenciou no ano passado o hub de produção de ferro metálico, são 10 milhões de toneladas/ano. São quatro unidades de produção de ferro metálico. Uma tecnologia utilizando inicialmente o gás natural, dentro da nova indústria Brasil, que é o fomento a uma indústria de baixo carbono. Essa infraestrutura integrada e sustentável, ela é transversal para o plano de negócio da empresa. Então, por isso, o Porto se coloca como sendo o porto da transição energética no Brasil. A gente está atraindo toda essa indústria de baixo carbono justamente para o nosso território, aproveitando que o Rio de Janeiro produz 70% do gás natural no país — explicou o gerente de Relacionamento com a Comunidade do Porto do Açu, Wanderson Souza.
Visita ao Porto do Açu
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Rodrigo Silveira
Só em 2025, o Porto registrou 89 milhões de toneladas movimentadas, alta de 14% em relação ao ano anterior e volume recorde do complexo porto-indústria. O desempenho foi puxado principalmente pelos segmentos de petróleo, minério de ferro e cargas gerais. No último sábado (28), foi realizada a primeira operação de transbordo de petróleo da ExxonMobil no Brasil, movimentando um milhão de barris do Campo de Bacalhau no Terminal de Petróleo da Vast (T-Oil), no Porto do Açu. A operação foi realizada pela Vast Infraestrutura.
Além do T-Oil, o Terminal Multicargas (T-Mult) registrou o crescimento de 32% entre 2016 e 2025, e recentemente passou por expansão, com 500 metros de cais e um 2º berço para operar dois navios simultaneamente. E há ainda 420 mil metros quadrados preparados para novas expansões.
— O Terminal Multicargas é operado pela própria Porto do Açu e tem 360 mil metros quadrados de área alfandegada. Nós fizemos recentemente a ampliação de nosso berço, o que vai nos permitir operar dois navios de grande porte simultaneamente. Foi um investimento na ordem de R$ 100 milhões, para a gente poder conseguir operar simultaneamente dois navios. Adquirimos, também, um novo guindaste, que está sendo produzido na Alemanha e chega em junho, para a gente poder dar produtividade e isso vai trazer ainda mais competitividade para a gente. Os navios vão ficar esperando menos tempo para atracar aqui e a gente vai ter condição de operar dois simultaneamente — informou o gerente geral do Terminal Multicargas do Porto, Gustavo Amaral, ao acrescentar que em breve o T-Mult irá receber uma carga de açúcar pela primeira vez.
“Ambição 2050”
O “Ambição 2050” consiste na idealização do que o Porto quer construir daqui para frente.
— No último ano, a gente viu uma necessidade de também falar sobre a nossa ambição. A gente chama de Ambição 2050, que é o que a gente quer construir daqui para frente falando muito sobre essa pegada mais ESG, pensando no nosso compromisso aqui de desenvolvimento inclusive no território que a gente está instalado. Somos conexão de pessoas, natureza e desenvolvimento do impacto que a gente quer gerar por estar aqui, para as pessoas, para a natureza. E a gente vem trabalhando bastante essa narrativa, pensando que a gente sim quer ser um agente de transformação social, desenvolvimento econômico e quer promover uma economia positiva para a natureza — disse Fernanda Corrêa, assessora de Marketing, Comunicação e Imprensa do Porto do Açu.
Mapa sinaliza o local da descoberta na Bacia de Campos
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Divulgação
A Petrobras identificou a presença de petróleo de excelente qualidade no pré-sal da Bacia de Campos, em poço exploratório perfurado no campo de Marlim Sul. O poço 3-BRSA-1397-RJS está localizado a 113 km da costa na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, em profundidade d’água de 1.178 metros.
O intervalo portador de petróleo foi constatado através de perfis elétricos, indícios de gás e amostragem de fluido. As amostras posteriormente seguirão para análises laboratoriais, que permitirão caracterizar as condições dos reservatórios e fluidos encontrados, possibilitando a continuidade da avaliação do potencial da área. A perfuração do poço foi concluída de maneira segura, em respeito ao meio ambiente e às pessoas.
A atuação da Petrobras na Bacia de Campos visa à recomposição das reservas de petróleo em áreas maduras, assegurando sustentabilidade da companhia e o atendimento à demanda nacional de energia, no período de diversificação energética.
O campo de Marlim Sul foi descoberto em novembro de 1987 através do poço 4-RJS-382. A Petrobras é a operadora do campo com 100% de participação.
A Vast Infraestrutura, empresa de infraestrutura e soluções logísticas para a movimentação de líquidos, e a HIF Global, empresa líder mundial no setor de combustíveis sintéticos (e-Fuels), anunciaram nesta terça-feira, 24 de março, um acordo para a construção de uma tancagem dedicada ao armazenamento e à movimentação de e-Metanol no Terminal de Líquidos do Açu (TLA), no Porto do Açu, no norte do estado do Rio de Janeiro.
O documento estabelece as bases comerciais para o fechamento de um contrato de 15 anos que prevê a implantação da tancagem com capacidade de 40 mil m³. A assinatura definitiva do contrato está condicionada à decisão final de investimento (FID, na sigla em inglês) da planta de e-Metanol que a HIF pretende desenvolver no complexo portuário. A empresa já havia assinado, em 2024, um contrato de reserva de área com o Porto do Açu para este fim.
“O novo acordo entre Vast e HIF reforça o posicionamento do TLA como a principal porta de entrada e saída de produtos líquidos do hub de hidrogênio e de combustíveis de baixo carbono em desenvolvimento no Porto do Açu”, ressalta Victor Snabaitis Bomfim, CEO da Vast.
O projeto da HIF prevê a implantação de uma planta de e-Metanol em quatro módulos no Açu, com capacidade total estimada em até 800 mil toneladas por ano. A primeira fase terá capacidade de 200 mil toneladas anuais, volume contemplado no contrato firmado com a Vast.
A HIF Global desenvolve projetos de combustíveis sintéticos a partir de hidrogênio verde e CO? capturado. Atualmente, a empresa opera uma planta piloto de e-Fuels no Chile (produzindo e-Metanol, e-Gasolina e e-LG) e possui projetos em desenvolvimento no Brasil, Chile, Uruguai, Estados Unidos e Austrália.
Terminal de Petróleo (T-Oil), no Porto do Açu
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Divulgação
A Vast Infraestrutura encerrou 2025 com recorde histórico de embarques de óleo cru com destino ao exterior pelo Terminal de Petróleo (T-Oil), no Porto do Açu. Ao longo do ano, 30,15 milhões de toneladas foram movimentadas no terminal para atendimento ao mercado internacional, volume 19% superior ao de 2024. Com esse resultado, o T-Oil respondeu por 48% do volume de petróleo bruto embarcado para exportação, mantendo a primeira posição nesse mercado.
“O crescimento da produção e da exportação de petróleo no Brasil reforça a importância de termos uma infraestrutura logística eficiente, segura e com menor intensidade de emissões, fatores-chave para a competitividade do óleo brasileiro no mercado internacional”, afirma Victor Snabaitis Bomfim, CEO da Vast.
Em 2025, a empresa movimentou ao todo 60,4 milhões de toneladas de óleo bruto, crescimento de 20% na comparação anual e o maior volume desde o início das operações, em 2016. No ranking nacional, o T-Oil ficou em segundo lugar na movimentação nacional de óleo bruto e foi o sétimo terminal que mais movimentou cargas no país no ano passado.
Os números foram registrados em um cenário de expansão do setor portuário nacional. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a movimentação portuária brasileira atingiu 1,4 bilhão de toneladas em 2025, alta de 6,1% em relação a 2024.
O T-Oil realizou 229 operações de transbordo de petróleo (double banking), 20% acima de 2024, e foi responsável por 69% da movimentação das empresas do grupo Prumo Logística.
A Vast atende atualmente 12 operadoras de óleo e gás atuantes no país e é proprietária do único terminal privado no Brasil autorizado a operar navios da classe VLCC (Very Large Crude Carrier), com licença para movimentar até 1,2 milhão de barris por dia.
Novos negócios
Além do T-Oil, a empresa é proprietária do Terminal de Líquidos do Açu (TLA), empreendimento estratégico para a movimentação de líquidos e a logística de combustíveis marítimos no país.
Em 2025, a Vast iniciou a construção do parque de tancagem do terminal, que contará com infraestrutura para armazenagem e movimentação de produtos como derivados de petróleo, químicos e biocombustíveis, ampliando o portfólio de soluções oferecidas pela empresa. A previsão é que as operações de tancagem tenham início no último trimestre de 2026.
O TLA também será um elemento-chave para o desenvolvimento de novas cadeias industriais no Porto do Açu, ao viabilizar a chegada, o escoamento e a distribuição de insumos essenciais para diferentes segmentos produtivos.
Há forte desconfiança nos bastidores político e jurídico de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria deixado o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e estaria trabalhando por sua cassação. A informação foi divulgada pelo jornalista Octavio Guedes, em seu blog. Investigado por abuso de poder político e econômico, Castro é acusado de gastar R$ 1 bilhão de recursos obtidos com a privatização da companhia de água e esgoto para a compra de cabos eleitorais na campanha para governador em 2022.
Segunda a publicação de Octávio Guedes, no Palácio Guanabara as esperanças eram de que Flávio atuaria pela absolvição de Castro ao recorrer aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e André Mendonça, que foram nomeados para o STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e integram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com esse entendimento, o grupo de Castro contava com o voto contrário à cassação do ministro Antônio Carlos Ferreira, por sua proximidade com Nunes Marques.
No entanto, mudanças foram percebidas nas últimas semanas e a expectativa pelo apoio do ministro contra a cassação diminuiu.
Ainda de acordo com Octávio Guedes, dois motivos levariam Flávio a querer a cassação de Castro. Um seria porque o governador do RJ não quer abrir mão da sua cadeira para o candidato do filho de Bolsonaro, quando Castro se descompatibilizar para concorrer ao Senado, o que deve ocorrer até o início de abril. O segundo motivo seria a vaga para o Senado. O grupo Bolsonaro não acredita que, se eleito, Castro iria se empenhar por impeachment de ministros do STF.
Quando decidiu assumir as rédeas da própria vida financeira, entre 2018 e 2019, a psicóloga Ana Paula Bessa não imaginava que aquele movimento pessoal se transformaria em um negócio que hoje impacta milhares de mulheres no país. O que começou como uma busca por organização financeira deu origem ao Elas Clube de Finanças, empresa criada em Campos dos Goytacazes e que tem no Sebrae Rio um parceiro desde os primeiros passos do empreendedorismo.
“Eu era completamente desorganizada financeiramente. A educação financeira começou como uma necessidade pessoal”, relembra Ana Paula. O novo aprendizado não ficou restrito à vida pessoal: logo passou a ser compartilhado com amigas, familiares e colegas de trabalho.
A virada aconteceu quando Ana passou a relatar sua própria trajetória nas redes sociais, de forma aberta e honesta - inclusive contando que chegou a vender um carro para quitar dívidas de cartão de crédito. A identificação foi imediata: “Uma mulher me procurou pedindo ajuda, dizendo que estava vivendo exatamente o que eu vivi”, conta.
Sem saber como lidar com aquela demanda crescente, Ana teve a ideia de criar um clube de leitura de finanças exclusivo para mulheres. O primeiro encontro aconteceu em janeiro de 2020, em uma livraria da capital campista. Pouco depois, a pandemia obrigou a migração para o formato on-line, o que ampliou o alcance da iniciativa.
Ao longo de 2020 e 2021, o grupo se fortaleceu e, a partir das leituras e das trocas, surgiu o desejo de empreender de forma estruturada. Foi nesse momento que Ana e quatro sócias - profissionais de áreas diversas como medicina, direito, odontologia e educação - decidiram formalizar o negócio e criar o Elas Clube de Finanças, com CNPJ.
“Nenhuma de nós era empreendedora. Cada uma tinha sua carreira. Não sabíamos como gerir uma empresa”, afirma a psicóloga. A busca por orientação levou o grupo até o Sebrae Rio, durante uma feira na capital fluminense.
“Aquele atendimento foi um divisor de águas. Ali entendemos que precisávamos cuidar da empresa de forma séria e profissional”, destaca. A partir dessa conexão, começou uma jornada contínua com o Sebrae Rio, que - como anunciado na campanha “Sebrae perto de você: do início ao fim” - acompanha o empreendedor em todas as etapas do negócio.
Com o apoio da instituição, o Elas Clube de Finanças elaborou seu plano de negócios, considerado por Ana como um “guia” para o crescimento da empresa. Vieram também consultorias, capacitações e participação em programas como o Sebrae Delas e o Empretec, além de orientações nas áreas de finanças, vendas e comunicação.
“O Sebrae virou nossa principal referência. Sempre que precisamos mudar a rota, revisar o plano ou pensar em um novo produto, é ao Sebrae que recorremos”, afirma. Para ela, o diferencial está na qualidade dos profissionais e na segurança que a instituição transmite. “Empreender é lidar com dúvidas o tempo todo. Ter alguém que orienta e ajuda a enxergar o próximo passo faz toda a diferença.”
Hoje, o Elas Clube de Finanças vive uma fase de consolidação e expansão. Com atuação on-line e modelo baseado em assinatura, a empresa ampliou sua oferta de produtos e serviços, indo além do clube de leitura. A proposta inclui encontros mensais, conteúdos exclusivos, mentorias, eventos e uma comunidade ativa de mulheres conectadas pelo mesmo objetivo: transformar a relação com o dinheiro.
O negócio também desenvolveu um método próprio, o Método ELAS, estruturado em quatro pilares - educação financeira, leitura, ambiência e superação - que orienta todas as entregas da empresa. Atualmente, o Elas reúne mais de 8 mil seguidoras nas redes sociais e impacta mulheres do Brasil e até do exterior. Do total de seguidoras, cerca de 80% se concentram no Rio de Janeiro e as demais estão espalhadas por estados como São Paulo e Paraná, e há seguidoras também na Austrália.
“À medida que o Elas cresce, surgem novas demandas e novos desafios. Ter o Sebrae como parceiro nos dá segurança para avançar”, afirma Ana. Para ela, a trajetória do negócio é a prova de que empreender não precisa ser um caminho solitário. “O Sebrae faz parte da nossa história. Ter esse apoio por perto foi fundamental para transformar uma experiência pessoal em um negócio com propósito e impacto”, conclui a empreendedora.
A edição 2026 da Macaé Energy foi lançada oficialmente nesta quarta-feira (28) em evento que reuniu empresários, especialistas, autoridades e representantes das principais empresas de óleo, gás natural e energias. Durante o encontro “Perspectivas Econômicas de O&G para 2026”, promovido pela Rede Petro-BC em parceria com o Sebrae, foram apresentadas as propostas para a Feira, que este ano acontece no Centro de Convenções jornalista Roberto Marinho.
Entre os dias 17 e 19 de março, Macaé será sede do maior evento voltado para o mercado de energia na região. Com organização da Firjan, o Macaé Energy 2026, abordará temas como: campos maduros, mercado de gás natural, oportunidades de fornecimento entre outros. O evento é realizado pelo Grupo Open Brasil, com apoio estratégico da Rede Petro-BC e Prefeitura de Macaé.
Impulsionado pelo sucesso das duas primeiras edições a programação prevista para este ano também tem o apoio das instituições Abimaq, Onip, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ABPIP, Abeam, Abemi, IBP, Abitam, ATGas, entre outras.
De acordo com o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira, a Macaé Energy 2026 será, mais uma vez, um momento importante de discussão e apresentação de dados do mercado de petróleo, gás e das energias. “Temos promovido importantes encontros e discussões em todas as edições da Macaé Energy. Assuntos que vão desde o planejamento energético, desenvolvimento das bacias maduras e o desafio de transformar o potencial brasileiro em ação, são foco de estudos e estes dados serão apresentados e discutidos neste ano”, revelou Siqueira.
Durante o lançamento do Macaé Energy, o prefeito Welberth Rezende, destacou a importância da realização da feira na cidade. "Macaé é a capital da energia e a realização da 3ª edição da Macaé Energy reafirma o posicionamento da nossa cidade como o foco dos negócios de petróleo e gás", afirmou.
A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio) completa 50 anos de fundação no próximo dia 19 de janeiro e realizará uma programação comemorativa especial, reunindo autoridades, servidores e parceiros institucionais para celebrar sua trajetória como referência em ciência pública voltada ao desenvolvimento do agro fluminense.
As atividades terão início às 12h, na sede da empresa, com o descerramento da placa comemorativa dos 50 anos de fundação. Em seguida, às 13h, será realizada a cerimônia oficial de comemoração, no Praia Clube de São Francisco, em Niterói, onde serão apresentados o Planejamento Estratégico da Pesagro-Rio para 2026 e realizadas homenagens a servidores e a feitos históricos da instituição.
Criada em 1976, a Pesagro-Rio construiu uma trajetória marcada pela presença no território, pelo diálogo permanente com agricultores, produtores, cooperativas e instituições públicas, e pela geração de soluções tecnológicas adaptadas às realidades regionais do estado do Rio de Janeiro. Ao longo de cinco décadas, consolidou-se como referência em pesquisa agropecuária pública, contribuindo para cadeias produtivas estratégicas, segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e inovação no campo.
Para o presidente da Pesagro-Rio, Paulo Renato Marques, a celebração representa mais do que um marco histórico. “Celebrar os 50 anos da Pesagro-Rio é reconhecer o valor da ciência pública construída com compromisso social e enraizada no território. Nossa missão sempre foi transformar conhecimento em desenvolvimento para o Rio de Janeiro, apoiando quem produz, preserva e inova no campo.”
A relevância da empresa para as políticas públicas estaduais também é destacada pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro, Felipe Brasil. “A Pesagro-Rio é um patrimônio do povo fluminense. Sua atuação técnica e científica fortalece a agricultura, promove inclusão produtiva e contribui para um modelo de desenvolvimento mais sustentável. Celebrar seus 50 anos é reafirmar o compromisso do Estado com a pesquisa, a inovação e o futuro do agro.”
A história da instituição se confunde com a trajetória de seus servidores. Funcionária mais antiga da empresa, a analista e coordenadora de planejamento Maria da Conceição, carinhosamente conhecida como Martinha, relembra com orgulho sua participação na criação da Pesagro-Rio, ainda no contexto de reorganização do sistema científico brasileiro que sucedeu a criação da Embrapa, em 1973.
“Em 1975 fui contratada pela Embrapa e atuei como assistente do Dr. Maurício Cantalice, que viria a se tornar o primeiro presidente da Pesagro. Tive a honra de redigir o documento de solicitação de criação da empresa e, mais tarde, me tornei a funcionária número 9. Dediquei minha vida a esta instituição e tenho muito orgulho de testemunhar seu cinquentenário.”
Com o lema “Tradição, Inovação e Futuro do Agro Fluminense”, a campanha comemorativa dos 50 anos ressalta a memória institucional da Pesagro-Rio, sua capacidade de se reinventar diante dos desafios contemporâneos e seu papel estratégico na construção de um futuro mais sustentável, inclusivo e inovador para o estado do Rio de Janeiro.
Ao completar meio século, a Pesagro-Rio reafirma seu compromisso com a ciência pública, com o desenvolvimento regional e com a valorização das pessoas que constroem, diariamente, essa história.