Sobre o destino dos cocôs: esclarecimentos
21/01/2017 | 21h33
Recebi, agora a pouco, um telefonema do responsável pela empresa WORKING, ganhadora da licitação municipal dos banheiros químicos. O mesmo se sentiu prejudicado acerca do meu último post, ver aqui. Fez questão de me repassar detalhes sobre o despejo dos dejetos recolhidos nos banheiros químicos. Como em nenhum momento é nossa intenção, através deste blog, ser injusta com quem quer que seja,  nem tampouco com qualquer empresa na realização de seus serviços, passo a relatar o teor da nossa conversa. Segundo o mesmo, a WORKING está licenciada junto ao Inea, possui contrato junto à empresa Águas do Paraíba para despejo regular dos excrementos na estação de tratamento que se localiza na Chatuba, esta inclusive está bem perto da sede da própria WORKING, cerca de 600 metros. Também me afirmou que toda a sua frota de caminhões é  adesivada com o nome da empresa e monitorada por satélite. Alegou-me que não faria nenhum sentido deslocar-se longe, para o Horto Municipal, para tal fim. Por fim, disse estar ciente que ninguém está, em algum momento, sujeito a alguma atitude de má fé por parte de algum funcionário, ou mesmo por algum adversário concorrente. Após ouvi-lo atentamente, pedi que me enviasse a documentação que julgasse pertinente. O blog as publicará. Chamo a atenção de que a foto que serviu de ilustração no post anterior foi retirada do site oficial da PMCG, a fonte está citada. Como de costume, desde o início de sua existência, o blog está aberto a todos que nele queiram se manifestar.        
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É lá que foi depositado todo o cocô?
21/01/2017 | 21h33
Passado um ano da contratação de 5000 banheiros químicos pela Prefeitura de Campos, episódio que na época causou estranheza a qualquer mente de bom senso,  somos informados, através de denúncia ao blog de que no Horto Municipal "HÁ FOSSAS ENTERRADAS, ONDE SUPOSTAMENTE SÃO DESPEJADOS OS 'PRODUTOS' DOS BANHEIROS QUÍMICOS"! O fato já preocupa os vizinhos do Horto Municipal pois caso seja confirmado o destino final dos excrementos, o suposto despejo poderá vir a afetar todo lençol freático da redondeza. Em tempo de crise hídrica, sem solução de curto prazo, fica a pergunta: e se for necessária a abertura de poços artesianos?! Tanto o Inea, como o Ibama, foram informados?! Para rememorar, segue abaixo, o post feito em 20/01/14, Haja cocô.
No Réveillon de 2013 do Rio de Janeiro, para um público estimado em 2.3 milhões em Copacabana, foram instalados, pela prefeitura, 300 banheiros químicos; antes em dezembro na Parada Gay, instalaram 200 banheiros do tipo, para um público de 1 milhão. Bom, como já estamos na bica de fevereiro, teremos a cada 30 dias em Campos, em 2014, 5.150 banheiros que divididos por 11 meses, a quantia de 468 banheiros químicos à disposição do campista. Como bem disse um colega na rede social Facebook: “HAJA COCÔ”!!!!!!
Leia aqui a matéria na íntegra divulgada, em primeira mão, no blog do jornalista Ricardo André Vasconcelos.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

PMCG VAI GASTAR R$ 651.500,00 COM ALUGUEL DE 5 MIL BANHEIROS QUÍMICOS

Foto Divulgação – Secom-PMCG
No Farol de São Thomé foram instalados 150 banheiros químicos
A Prefeitura de Campos publicou na página 4 do Diário Oficial do último dia 13, o resultado Pregão Presencial 053/2013 para aluguel de banheiros químicos sob o regime de registros de preços.  Ganhou onipresente WORKING EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS EPP que ofereceu os seguintes preços:
Banheiro químico modelo standart – preço unitário – R$130,50 (para 5 mil unidades)
Banheiro químico para portadores
de necessidades especiais             – preço unitário – R$ 174,00 (para 150 unidades).
Isso significa que a prefeitura de Campos está legalmente autorizada a alugar 5.150 banheiros químicos para os eventos culturais e esportivos que promover ou apoiar durante o ano de 2014. O total a ser gasto é de R$ 651.500,00.
O pregão foi realizado, conforme publicação do D.O abaixo, pela Secretaria Municipal de Limpeza Pública, Praça e Jardins.
Segundo nota publicada no site da PMCG, no Farol de São Thomé foram instalados 150 banheiros químicos. Confira aqui
 
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#euvoutomarbanhonacasadoAlckimin
21/01/2017 | 21h33
Uma das tantas brincadeiras (apesar da gravidade do tema) que o paulista criou para enfrentar com algum humor a falta d'água. A hashtag acima, ontem (26/01), levou um grupo às ruas de São Paulo, em clima de animação e ironia protestaram em frente à casa do governador de São Paulo. O grupo não foi grande, não importa, toda a mídia nacional divulgou. O governador Alckimin, até agora, não admite com todas as letras o que todos nós assistimos diariamente pelos canais de TV: a falta d'água nas torneiras das residências e nos estabelecimentos industriais e comerciais do estado. [caption id="attachment_8691" align="aligncenter" width="460"]protestoaguaspfutura2 Foto: Luiz Claudio Barbosa / Futura Press "Acumule a inhaca para o maravilhoso Dia do Banho Coletivo na Casa do Geraldinho! ..."[/caption] Como é difícil cair a ficha dos governantes brasileiros e admitir as trapalhadas, o erro puro e simples, a falta de visão de médio e longo prazo, a gastança naquilo que carece de serventia à população. Para essa casta de governantes que se jactam de impolutos e eficientes planejadores, caiu a ficha geral. Campos dos Goytacazes que o diga!
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Ontem o dia foi dela: Carmen Portinho
21/01/2017 | 21h33
Engenheira e Urbanista - a primeira mulher a obter o título de urbanista no Brasil, a terceira mulher engenheira a se formar em nosso país - Carmen Portinho teria feito 112 anos no dia de ontem (26/01). Dividimos o mesmo sobrenome com orgulho da figura pública que foi, da profissional ímpar e da tia que nos serviu de exemplo por sua simplicidade, determinação e caráter. Ontem, foi criada a sua página na Wikipédia. Quem se dispuser a conhecer a biografia desta mulher, soube aliar a essas qualidades o afeto, o amor às artes plásticas e a atenção à natureza, irá se deliciar com as passagens. [caption id="attachment_8687" align="aligncenter" width="300"]Carmen_foto data de nascimento 26/1/1903 Corumbá MS; faleceu em 25/7/2001 RJ.[/caption] Ver Wikipédia,  aqui.
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É pra rir. É pra chorar.
21/01/2017 | 21h33
Dos assuntos que dominam a agenda dos dramas do cotidiano de todos nós: a água. Ou melhor, a falta dela. Bem escrito, sugiro a leitura. E vamos nós! Até quando e como? Alguém se atreve a predizer? Eu já enfiei as minhas certezas há tempo na minha sacolinha.

Ensaio sobre a cegueira paulista

janeiro 21, 2015 11:43
 E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo estado, por todas as cidades e vilarejos
Por Mauricio Moraes E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo Estado, por todas as cidades e vilarejos. Em 2014, nas eleições para o governo do Estado, a cegueira estava disseminada. Diferentemente do livro de José Saramago, onde uma mancha branca, um “mar de leite”, cegava um a um os habitantes de uma cidade fictícia, em São Paulo os cegos continuavam enxergando. Mas há tempos já se diz que o pior cego é aquele que não quer ver. E eles não viram, ou apenas fizeram cara de paisagem, junto com editores cegos de jornais e revistas, do rádio e da TV. Tudo parecia normal durante a reeleição do “Geraldo”, alcunha de Geraldus Alckminus, da longeva dinastia tucana. “Não vai faltar água”, disse o governador pausadamente naquela campanha, ressaltando cada sílaba, na maior mentira deslavada da história recente do país. E assim a maioria dos paulistas “acreditou” no que ele disse. Culparam São Pedro, o PT, e ignoraram solenemente os milhões que escorreram nos túneis do metrô e a violência que voltou a crescer. Se fizeram de Maria Antonieta no desmonte da educação e das universidades do Estado. Aplaudiram a PM esfolando manifestantes e matando jovens negros e pobres nas periferias. E sobretudo se fizeram de surdos quando alertados que a Cantareira estava baixando e que a água, logo logo, iria acabar. No quarto mês de 2015, no início do quarto reinado alckmino, ano 20 da era tucana, muitos paulistas começaram a se dar conta da realidade. Talvez tenha sido o odor inebriante do CC no busão ou as louças amontoadas na pia. O cabelo ensebado por falta de banho pode ter ajudado. Cientistas suspeitam dos efeitos colaterais da água do volume morto. Dizem que uma moradora dos Jardins acordou num surto psicótico depois que uma crosta de poeira havia se impregnado em seu carro de luxo. Nem decuplicar a oferta ao lava jato conseguiu driblar a realidade. “Esse atendimento não era gourmet?”, gritava, insana. Mas naquele dia já não havia mais água. Não demorou a que o caos se instalasse. Todos correram aos supermercados para estocar o líquido precioso. As gôndolas ficaram rapidamente vazias. Em Itu, um caminhão de água foi sequestrado. Por toda a parte, havia registros de brigas, até por garrafinhas de 500 ml de água. E o preço foi às alturas. Em Pinheiros, uma rua cedeu depois que vários moradores cavaram poços clandestinos. A desordem se instalou. No Palácio dos Bandeirantes, longe de tudo e de todos, Alckminus tentava contornar a crise. Desta vez, estava preocupado. O Maquiavel de Pindamonhangaba enxergava tudo muito bem e, com jeito de bom moço, já havia se tornado mestre em abafar CPIs na Assembleia Legislativa ou em mentir que a Corregedoria da PM funciona. Agora, estava sob grande pressão. Ainda não havia sinal de nenhuma turba chegando ao longínquo Palácio dos Bandeirantes. O Choque da PM bloqueou o acesso ao Morumbi (com garantia de água à vontade, a fim de evitar um motim policial). O estoque de balas de borracha foi reforçado e um novo lote de gás lacrimogêneo fora usado contra manifestantes do Movimento Água Livre. Contra o povo, Alckmin tinha a polícia. O que realmente o preocupava eram os 30 PIBs de São Paulo reunidos no Palácio (a quem foi oferecido champagne por razões de “restrição hídrica”, como explicou o cerimonial). Também apavoravam o governador as chantagens dos acionistas da Sabesp. Apesar do preço exorbitante, a falta d’água deixou a companhia deficitária, com as ações a preço de banana na Bolsa de Nova York, onde eram comercializadas desde a privatização parcial da empresa. E assim os paulistas tentavam deixar a cidade, o Estado. Um grande congestionamento, que já durava uma semana, travou as rodovias. Na capital, moradores fugiam pelas ruas, carregando o que podiam, em uma cena dantesca. Uns deliravam e arrancavam as roupas, andando desorientados. A Força Nacional foi acionada. Já havia gente se jogando no Tietê. Em meio à tragédia, os jornais traziam notícias otimistas. “Cacique Cobra Coral assegura que vai chover”, dizia a manchete de um deles, com declarações de Alckminus justificando a contração da “consultoria para deficiência hídrica”. Analistas chegaram a prever um ataque da população ao Bandeirantes, mas pesquisas mostravam que grande parte dos paulistas ainda não tinha certeza sobre quem era o responsável pela crise da água, se Dilma ou Haddad. Na dúvida, resolveram ir embora o mais rápido possível, com a fé abalada em São Pedro. Ainda mantinham a esperança de que, um dia, a cidade fosse inundar mais uma vez durante as chuvas de verão e que haveria água para todos (ou ao menos nos camarotes). Para muitos, a cegueira era irreversível. Fonte: aqui http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/01/ensaio-sobre-cegueira-paulista/
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1% da população mundial possui 48% da riqueza global
21/01/2017 | 21h33
A menos de dois dias da abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) a ONG Oxfam publicou um relatório sobre a acachapante concentração da riqueza no mundo. Baseado em dados do banco Crédit Suisse, o estudo revela que  1% da população detém 48% do patrimônio, contra 44% em 2009 e ultrapassará 50% em 2016.
Isso significa que a concentração da riqueza nas mãos dessa minoria continua a crescer. Os mais ricos continuam a enriquecer. Segundo a Oxfam, eles possuem mais do que todos os outros habitantes reunidos do planeta. A quase totalidade dos 52% do patrimônio restante está nas mãos dos 20% mais ricos. "No fim, 80% da população mundial deve se contentar com apenas 5,5% das riquezas", estima o relatório. Isto porque os 52% restantes do patrimônio não são igualmente repartidos: os mais pobres do planeta sobrevivem com apenas 5,5% da riqueza produzida no mundo.
[caption id="" align="alignnone" width="534"] A metade das riquezas do mundo na mão de uma ínfima minoria[/caption]  
[caption id="" align="alignnone" width="534"] O essencial da população mundial possui menos de 5,5% das riquezas.[/caption]
Sem querer ser pessimista, mas, sendo realista: poderia dar certo? Ou ainda, como civilização poderíamos ter dado certo deste modo??
 Fonte: Le Monde
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Pra pensar 3
21/01/2017 | 21h33
É tentador ceder a pressões ainda mais quando feitas pelo senso comum (maioria). Pode ser cômodo ao profissional que não deseja se expor, mas, é um desserviço ao exercício da profissão. Dito isto, trazemos outra análise sobre as repercussões dos atos terroristas de extremistas islâmicos  (fanáticos) que levaram a República Francesa ao dilema do momento: lutar pela defesa intransigente dos valores universais do livre pensar e da livre expressão - dois direitos fundamentais da laicidade, um não existe sem o outro,  esboçados na quebrada do século 18, confirmados pela lei de imprensa francesa, em 29 de julho de 1881. Para simples esclarecimento, na França, diferentemente que em outros países europeus, como na Alemanha e Grécia, não existe o delito (crime) de blasfêmia. Lá, pode-se criticar tudo, inclusive religiões, resguardado ofender pessoas que professam suas religiões. Paradoxalmente, o que garante o direito à livre associação religiosa e a todas as convicções é justamente a laicidade. [caption id="attachment_8667" align="aligncenter" width="400"] Paris, Praça da República, 11 janeiro 2015. Ft. Joel Saget AFP[/caption]  

Charlie Hebdo: Ironia e tragédia

Aqueles que promovem a guerra contra o terror e os que semearam o terrorismo por todos os cantos do mundo estão tentando se apropriar dos ataques.


Alejandro Nadal (La Jornada)
A luta para se apropriar de um duelo político tem longa trajetória, sobretudo quando o luto tem origem em um crime. Plutarco narra, em Vidas paralelas, como, depois do assassinato de César, no Senado romano, as distintas facções batalharam para ocupar o vazio que engendra o desolamento público para se consolidar no poder. Cássio e Brutus disputam a aflição popular com Antônio, mas este conseguiu com sua elegia fúnebre colocar o povo de Roma contra os assassinos de César e desencadear uma guerra civil.

Um paralelismo pode ser traçado com os esforços para recuperar espaços públicos após o ataque contra a Charlie Hebdo. Esta sempre foi uma revista irreverente com o poder, militar ou econômico, iconoclasta com todos os símbolos de hierarquias, laicas ou religiosas. É e foi inimiga do racismo e da discriminação em todas suas manifestações. Sempre lutou contra as ditaduras e a arbitrariedade, o poderio militar e o intervencionismo neocolonial. Mas agora, em pleno duelo social, buscam de todas as formas se apropriar dos símbolos e bandeiras que acompanharam a Charlie em sua luta. Estão buscando instrumentalizar a tragédia para promover o terrorismo de Estado. Hoje, corre-se o risco de transformar tudo isto em um episódio mais da luta contra o terror e do suposto choque entre civilizações.

A concentração em Paris, no domingo passado, teve dois públicos. No primeiro, o povo e suas organizações, sindicatos, associações civis, manifestando repúdio ao covarde assassinato dos redatores da Charlie Hebdo e dos reféns do metrô de Paris. Muitos deles seguiram de perto a épica luta do semanário e de seu predecessor, Hebdo HaraKiri, desde 1969. Luta a partir da esquerda contra o despotismo, exploração, engano e intimidação. Mas, naquele dia, marcharam em Paris também chefes de Estado e líderes políticos de partidos e organizações que sempre abriram as portas para a guerra, para o comércio de armas e para o capital financeiro. Marcharam lado a lado Merkel, Rajoy e Renzi, chefes da austeridade neoliberal que atualmente destrói a Europa. Não faltaram Netanyahu e outros amigos do militarismo. Também se somaram a eles alguns notáveis como guardiões da ordem moral burguesa e da obesa hipocrisia dos bons costumes, amigos do racismo e da descriminação. Faltaram somente Marine Le Pen e os neonazistas para completar o quadro. Outros, nem sequer tiveram que viajar a Paris para explorar o momento. Em Atenas, o primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para fazer investidas contra o Syriza por sua postura sobre a imigração. Do México, o governo manifestou seu pesar: deve saber que isso não anula sua grave responsabilidade nos assassinatos (Tlatlaya) e desaparecimentos (Ayotzinapa). A ironia é brutal: os inimigos da Charlie Hebdo estão lutando para disputar o duelo, os que promovem a guerra contra o terror e os que semearam esta praga por todos os cantos do mundo. Criticou-se a imprudência dos caricaturistas da Charlie Hebdo. Mas é preciso responder com uma reflexão política, porque é disso que estamos falando, de política, não de bons costumes ou de etiqueta. Por que é tão importante a liberdade de expressão? A resposta é clara: a liberdade de expressão é irmã gêmea da liberdade de consciência, e as demais liberdades carecem de sentido sem elas. Em particular, sem liberdade de expressão, a liberdade de associação política fica sem sentido. Não é exagero afirmar que a liberdade de consciência e a liberdade de expressão são as mais importantes do catálogo de liberdades republicanas. Por isso, os limites da liberdade de expressão são apenas três: a não incitação à violência ou um crime e a difamação. A blasfêmia não é uma das restrições, como deixa claro a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Na imprensa internacional, sobretudo no mundo anglo-saxão, a Charlie Hebdo tem sido apresentada como um veículo obstinado em ridicularizar o fundamentalismo islâmico, como se este tivesse sido seu único trabalho. Nada mais afastado da verdade. Os primeiros inimigos da Charlie foram o fascismo, o racismo, o neocolonialismo, o militarismo e a pena de morte. O fanatismo religioso e seu apoio hipócrita a estruturas de exploração esteve sempre em seu catálogo de inimigos a vencer, mas não é o único nesta lista. O luto público é a parteira de uma análise política fraca porque a dor e a sede de vingança escurecem o raciocínio e tornam a racionalização difícil. Por isso, o oportunismo encontra nas lamentações um terreno fértil para suas estratagemas. Hoje, mais do que nunca, é necessária uma análise política cuidadosa. A tragédia em Charlie Hebdo não é parte dessa farsa chamada guerra contra o terror, nem de um suposto choque de civilizações. Fonte: Carta Maior Tradução de Daniella Cambauva
       
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Um Rio
21/01/2017 | 21h33
Reproduzo via mural do Artur Gomes, poeta e produtor cultural, publicado no Facebook, o poema escrito por Antonio Roberto Góis Cavalcanti (Kapi), entre os anos 1977 e 1978. Há mais de duas décadas, a sensibilidade do poeta Kapi já antevia a agonia do "nosso" Rio Paraíba do Sul.
Um rio Era uma vez… Um rio Que de tão vazio, já não era rio e nem riachão, tão pouco riacho.Não era regato, nem era arroio, muito menos corgo.uma vez… um rio que, de tanta cheia, já não era rio e nem ribeirão.Era mais que Negro, era mais que Pomba, era mais que Pedra, era mais que Pardo, era mais que Preto, bem maior ainda que um rio grande. Era uma vez… um rio que de tão antigo era temporário, era obsequente, era um rio tapado e antecedente. Que não tinha foz, que não tinha leito, que não tinha margem e nem afluente, tão pouco nascente. Mas que era um rio. Não era das Velhas, não era das Almas, não era das Mortes. Era um Paraíba, era um Paraná, era um rio parado. Rio de enchentes, rio de vazantes, rio de repentes: Um rio calado: Sem Pirá-bandeira, Sem Piracajara, Sem Piracanjuba. Em suas águas não havia Pira não havia íba, não havia jica, não havia juba. Nem Pirá-andira, nem Piraiapeva, nem Pirarucu. Era um rio assim: Sem pirá nenhum. Mas que era um rio. Era uma vez…. Um rio. Que, de tão inerte, Já não era rio. Não desaguou no mar, não desaguou num lago, nem em outro rio. É um rio antigo, que de tão contido não é natureza. Um dia foi rio, há muito é represa. [caption id="attachment_8661" align="aligncenter" width="556"]IMG_4154 Ft. Artur Gomes[/caption]  
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Mário de Andrade na Flip 2015
21/01/2017 | 21h33
Mário de Andrade, um dos principais nomes do Modernismo do Brasil, poeta, escritor e crítico literário será o homenageado da Flip 2015, a Festa Literária Internacional de Paraty. O anúncio foi feito pela organização do evento na última sexta-feira (16). Nos 70 anos da morte do autor paulista, ele será objeto da conferência de abertura, de mesas na programação principal e na FlipMais, e também de uma exposição. “Mário é um autor para o Brasil do século 21, com vida e obra a serem redescobertas, rediscutidas, postas em debate", diz o curador do evento, o jornalista e editor Paulo Werneck. Mário foi um dos pioneiros da poesia moderna no Brasil. O autor de 'Paulicéia desvairada', livro considerado marco do modernismo brasileiro, formava o "Grupo dos Cinco", ao lado de Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade. O grupo foi responsável por organizar a Semana de Arte Moderna de 1922. A Flip, em sua 13ª edição, manterá a gratuidade no show de abertura e nos telões externos. Considerada a maior festa literária do país, acontecerá entre os dias 1° e 5 de julho. [caption id="attachment_8655" align="aligncenter" width="620"]mario_de_andrande_por_lasar_segall Mário de Andrade em tela de Lasar Segall[/caption]  
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Pra pensar 2
21/01/2017 | 21h33
De tudo que tenho lido na imprensa nacional, internacional e redes sociais sobre a carnificina que abateu os geniais cartunistas do jornal francês satírico Charlie Hebdo, na semana passada, talvez o mais esdrúxulo seja a falsa solidariedade manifesta disfarçada no viral Je ne suis pas Charlie (Eu não sou Charlie). Sob o manto da politicamente correta tolerância e do mantra pretensamente difuso, "o meu direito termina quando começa o do outro", buscam as "razões" que justificam o absurdo de invadir uma redação de jornal e sumariamente matar profissionais da imprensa, em pleno exercício profissional, no coração de uma república democrática e das mais representativas na conquista e observação dos direitos civis universais. Forçando um pouco a barra, mas, nem tanto, logo me lembrei da situação da mulher que quando estuprada, até recente, era responsabilizada (indiretamente) pela violência cometida pelo homem. Afinal, se ela estivesse sentada assim ou assado, com a roupa tal ou qual, ela em última instância é que teria provocado o agressor a agir. Também, me fez recordar os inúmeros casos de agressão e morte de mulheres que supostamente teriam ferido a honra dos maridos. Feridos na honra, ganhavam o direito de espancar e matar. Analisar as origens históricas do fundamentalismo religioso, nos ajuda a entender o fanatismo religioso - ou de qualquer natureza -  contemporâneo, nunca a compactuar com suas ações bárbaras. Passado quase uma semana do atentado que animalescamente ceifou 17 vidas, reafirmo, junto aos quase quatro milhões de franceses que foram às ruas no domingo passado, daqui desta planície goytacá: Eu sou Charlie (Je suis Charlie). Amanhã sairá a próxima edição do semanário francês. Já sem a sua cabeça pensante, no entanto, uma edição histórica. Dos 50 mil exemplares regulares, Charlie Hebdo irá às bancas com uma tiragem de 3 milhões. Abaixo, segue a capa já divulgada pela mídia de meio mundo. Foi desenhada pelo cartunista Luz, sobrevivente ao atentado terrorista por ter chegado atrasado naquela manhã fatídica. Com fundo verde, representando o extremismo islâmico, a caricatura do Maomé, com uma lágrima e segurando um cartaz, onde se lê: Eu sou Charlie. Acima dele, escrito em negro, Tudo está perdoado.Image-1(1)  
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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