Crepúsculo
21/01/2017 | 19h09

Registro feito agora há pouco do pôr-do-sol à margem do rio Paraíba do Sul em São João da Barra. A moldura é das ruínas do trapiche, testemunha secular dos tempos áureos da navegação fluvial sanjoanense.
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Crepúsculo - 2
21/01/2017 | 19h09

 
Mais uma bela imagem do pôr-do-sol na tarde deste sábado em São João da Barra.
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Bater educa?
21/01/2017 | 19h09
Não teve quem não se chocasse com a violência cometida contra uma menina de dois anos pela própria mulher que pretendia adotá-la. A procuradora de Justiça aposentada Vera Lúcia Sant´Anna Gomes está presa, acusada de crime de tortura. É claro que a intensidade das agressões, o fato de ser uma criança em processo de adoção e o envolvimento de uma procuradora deram dimensão ao fato. E claro também que o caso não traz qualquer indício de atenuante e a voz corrente reputa à agressora comportamento psicopata. A questão é que nem sempre a violência contra as crianças traz tamanho requinte de crueldade e os castigos físicos moderados passam longe da polêmica, chegando mesmo a contar com a aprovação de grande parcela da sociedade, que considera impossível educar sem lançar mão das famosas palmadas educativas. Mas o que diz a lei? No Brasil, bater em crianças só é crime quando feito de forma imoderada. Em 15 países do mundo, a maioria na Europa, qualquer forma de violência física contra crianças, seja tapa, cascudo, beliscão, chinelada ou puxão de orelha, é crime. Por aqui o tema começou a ganhar polêmica em 2003, com um projeto de autoria da deputada federal Maria do Rosário (PT/RS) prevendo a mudança na lei. A Câmara aprovou, mas a reação de parte da mídia — que acusou os deputados de não terem mais o que fazer do que tentar interferir na educação que os pais dão aos filhos, como se fosse uma discussão menor — e a pressão de setores das bancadas de evangélicos e militares fizeram o projeto emperrar. Uma nova estratégia então foi acordada por organizações da sociedade civil que defendem o fim de qualquer tipo de violência contra as crianças, como a Fundação Xuxa Meneghel, e em 2005 criou-se uma rede, um movimento, desta vez sugerindo a mudança para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Na verdade não uma mudança, mas a inclusão da referência a castigos físicos. O ECA é omisso em relação ao tema. O texto está pronto e será encaminhado pelo governo federal. Já passou pelos ministérios dos Direitos Humanos e da Justiça e hoje está na Casa Civil. A expectativa é que seja apresentado em grande estilo, ainda este ano, pelo próprio presidente Lula. O tema é polêmico. Há campanhas contra a palmada educativa em todo o país. Dentre elas se destaca a do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri) da Universidade de São Paulo (USP): “Palmada não educa, machuca”. Mas pesquisas mostram que pouco mais de 10% dos pais brasileiros concordam com a teoria. A sociedade não tolera os casos de exagero, como o que envolveu a procuradora e a menina que estava sob sua guarda provisória, mas aceita a moderação dos castigos físicos. E a sua opinião? A minha é: o país que já avançou tanto no combate à violência sexual e ao trabalho infantil precisa questionar se de fato pode existir violação moderada à integridade física das nossas crianças e adolescentes. Eu acho que violência é violência, seja com muita ou pouca intensidade.
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Estreia
21/01/2017 | 19h09
Sou leitora habitual de blogs, por ofício e por prazer. Em alguns procuro o bom texto, em outros a informação, em outros a opinião. Tem muita gente boa escrevendo sobre muita coisa boa — e cada vez mais gente. E já há algum tempo vinha amadurecendo a ideia de ter um blog para chamar de meu.  Então veio o convite bacana do diretor de redação da Folha, Aluysio Abreu Barbosa, e cá estou. Nas linhas e entrelinhas que virão, quero falar de tudo um pouco. Expor o que penso, citar pensamentos alheios, dizer coisa séria, contar piadas. Nada pautado e nenhuma pretensão. Só vontade de escrever. Se render bons furos e gerar debates que valham a pena, tanto melhor. Mas o importante mesmo é zelar por este nosso sagrado direito de expressar a forma como vemos e como queremos ver o mundo.
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Sobre o autor

Júlia Maria de Assis

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