Com afeto,
Beth Landim
Campos dos Goytacazes, 28/03/2026 10:08
Ninguém em sã consciência ousaria negar que o voto constitui um instrumento secreto e decisivo do cidadão. Mas também ninguém em sã consciência afirmaria que o simples ato de votar, a cada dois anos, esgote em si mesmo os “direitos e deveres” de uma verdadeira cidadania. Esta, quando real e eficaz, inclui outros compromissos bem mais complexos e empenhativos que o fato de depositar o voto na urna. Fato que, nas chamadas democracias ocidentais, em lugar de uma participação livre, consciente e decisiva, cumpre não raro uma função meramente simbólica e emblemática. É assim que entre as três formas de voto – voto de cabresto, voto de transferência e voto consciente – podemos dizer que enquanto a primeira vai diminuindo e a última crescendo, prevalece ainda a segunda forma de voto. Isto é, muitos eleitores votam e voltam para casa, como se a urna fosse o lugar para transferir aos representantes eleitos o exercício da própria cidadania. Cidadania é coisa que não se transfere: embora o político eleito, pelo fato de sê-lo, adquira maior visibilidade na administração publica, compete a cada eleitor buscar espaços alternativos de participação.
Feitas essas ressalvas, retomemos os compromissos da cidadania. O primeiro deles tem um alcance limitado e local, mas de forma alguma negligenciável. E a pergunta é muito simples: de que maneira cada cidadão acompanha a administração pública de sua rua, de seu bairro, de seu município, do seu estado, do seu país?
O Poder Público em seus mais variados órgãos e instâncias se faz presente no cotidiano da vida?
Outras perguntas tomam lugar no cenário da atividade política: como se comportam as pessoas públicas eleitas, seja no âmbito do poder executivo (municipal, estadual e nacional), seja nas atividades do poder legislativo, como vereadores, deputados e senadores? Em geral, no programa do partido notar-se-á sempre uma discrepância entre as “promessas do candidato” durante a campanha eleitoral e a “realização do político” eleito no exercício do mandato. Por fim, mas não em último lugar, chegamos a tarefa mais exigente da cidadania numa efetiva prática democrática. Além de escolher os candidatos do voto e fiscalizar a presença (ou não) do poder público na vizinhança, todo cidadão tem o “direito e o dever” de acompanhar de perto a ação múltipla e plural do poder público. O que significa participar ativamente das decisões que orientam os destinos do país, especialmente no que se refere à sua política econômica, social e cultural. Aqui a informação e a formação correta exercem um papel de fundamental importância. Em síntese, político representativo, de um lado, e eleitor cidadão, do outro, constituem duas faces da mesma moeda, dois pólos da prática política. São, portanto indissociáveis, indivorciáveis.
Em síntese, não basta o voto puro e simples. Não basta a visita periódica à urna, seguida de um “lava-mãos”: fiz a minha parte, os políticos que façam o resto! Não basta a fidelidade do eleitor. É preciso que o cidadão o seja de fato, assumindo o direito e o dever de exercer a cidadania. Nessa perspectiva, faz-se necessário criar e/ou fortalecer outros canais, instâncias e mecanismos de participação popular. São instrumentos que podem ajudar não somente no controle sobre o comportamento público dos eleitos, orçamento do município, do estado e da União. E mais, na pressão consciente e organizada para implementar ou melhorar os serviços.
Muitas pessoas não conhecem o poder do voto e o significado que a política tem em suas vidas. Numa democracia, como ocorre no Brasil, as eleições são de fundamental importância, além de representar um ato de cidadania. Possibilitam a escolha de representantes e governantes que fazem e executam leis que interferem diretamente em nossas vidas. Escolher um péssimo governante pode representar uma queda na qualidade de vida.
O voto deve ser valorizado e ocorrer de forma consciente. Devemos votar em políticos com propostas voltadas para a melhoria de vida da coletividade. Os caminhos da vida são feitos de decisões e escolhas. Assim, o que cada um de nós é hoje, seja na sua vida profissional, seja na sua vida pessoal, é consequência destas escolhas e das ações adotadas para efetivá-las.
A todo o momento, queiramos ou não, conscientes ou inconscientes, por ação ou omissão, estamos sempre fazendo escolhas. E nunca é demais lembrar que não escolher já é uma escolha. Se quisermos ser os timoneiros da nau da nossa vida, devemos procurar ser conscientes das escolhas que fizemos e estamos fazendo, pois é esta consciência que nos permite assumir a responsabilidade pelos nossos atos.
A riqueza de nossa vida está muito relacionada aos significados que damos ao que fazemos. É a história dos três operários que estavam numa mesma obra e foram indagados sobre o que estavam fazendo. Um deles disse que estava assentando pedras. O outro, que estava construindo uma escada. O terceiro, que estava colaborando para a construção de uma catedral. Nós podemos escolher os significados que damos a tudo o que fazemos e isto pode representar uma grande diferença.
A vida é a arte das escolhas, dos sonhos, dos desafios e da ação.
Bom domingo eleitoral para todos!
Com afeto,
Beth Landim
Uma combinação perfeita... montanhas e chalés...
Tanto a montanha quanto o chalé nos trazem um clima intimista, de cumplicidade, aconchegante e charmoso... Eu adoro o clima da montanha... e para ficar perfeito um bom vinho na companhia certa...
Nas montanhas o sol aquece mais forte e o vento nos acaricia mais de perto, é muito gostoso sentir a natureza junto de você. Telhado de duas águas, madeira por todos os cantos, móveis rústicos e aconchegantes - são essas as tradicionais características de um chalé, construção originária dos Alpes suíços que se tornou sinônimo de casa de montanha em quase todo o mundo.
As cabanas de hoje misturam elementos contemporâneos e passadistas, e a palavra "chalé" deixou de denominar apenas as moradas montanhesas...

Antigo Estábulo
Onde antes ficava o gado agora habitam pessoas. Típico chalé campestre espanhol que alimenta o sonho de férias de muita gente. Situado em uma acolhedora encosta da zona rural de Cáceres, na Extremadura, é revestida de pedra e tem acabamentos feitos com materiais locais. Mas a rusticidade do projeto elaborado pelo estúdio Ábaton para por aí. A residência, que ocupa um antigo estábulo, maximiza o conforto, mas mantém a relação respeitosa com o deslumbrante entorno.

Estilo Sóbrio
A rusticidade adquire um verniz de luxo neste chalé construído em Aspen, famosa estação de esqui localizada nas Montanhas Rochosas, no Estado norte-americano do Colorado. Isso porque o projeto dos profissionais do estúdio Oppenheim Architecture + Designutiliza todos os elementos típicos da arquitetura de montanha, onde o predomínio é da madeira, mas faz um recorte que beira o minimalismo. O resultado é uma morada elegante e por vezes de atmosfera semelhante às casas de montanha japonesas.

Herança Materna
Apesar do apreço que Kurt Brunner tinha pela casa de fazenda aos pés dos Alpes italianos que pertencera a sua mãe há 60 anos, não havia a possibilidade de aproveitá-la: a construção tinha desmoronado com o tempo. Hoje, o lar está devidamente irreconhecível, sendo uma mescla de elementos antigos e contemporâneos. Um muro, única parte sobrevivente da construção original, foi aproveitado no novo projeto do escritório Bergmeister Wolf Architekten, se tornando parte da fachada da residência. Com todos os móveis e revestimentos de madeira, o ambiente realmente incorpora o espírito de um chalé nas montanhas.

Brasil com cara de campo inglês
No final dos anos 1980, o casal de proprietários deste lar em Araras, distrito ecológico no interior do Estado do Rio de Janeiro, adquiriu a propriedade, que já havia passado pelas mãos de Juscelino Kubitschek. Todos os edifícios do terreno passaram por cuidadoso projeto de reforma e ampliação meticulosa a cargo do arquiteto Walter Menezes, de 1992 a 1996. Com um piso que acompanha o desnível do terreno, a sede conta com um décor aconchegante, nos moldes dos cottages do bucólico sudoeste da Inglaterra. São cinco quartos, uma cozinha espaçosa, sala de jantar, saleta de café da manhã, uma adega no subsolo e um living em “L” onde se encontra também o escritório. Aqui, reina a privacidade e a discrição, exceto pelo espetáculo da natureza, a razão de ser do refúgio do casal, já falecido, amante das artes, das flores, da leitura.

Rústico Chic
Que o rústico também pode ser chic, todo mundo sabe. Conquistar a elegância num chalé de montanha sem lançar mão de fórmulas, no entanto, é tarefa que oferece lá as suas dificuldades. Talvez nem tantas para o experiente designer de interiores belga Lionel Jadot. É ele quem assina esta charmosa casa revestida de madeira por dentro e por fora, com elementos coloridos nos interiores e uma vista de tirar o fôlego para o Mont Blanc, a montanha mais alta da Europa Ocidental. Fica perto de Megéve, nos Alpes franceses, e, apesar da cara de conto infantil, é designada a ser morada de férias de gente grande. Datada de 1870, a casa foi toda repaginada, mas sem perder seus traços históricos originais.
Bilionário com estilo
É do magnata russo Roman Abramovich este chalé localizado em Aspen. Projetada pelos profissionais do estúdio nova-iorquino Voorsanger Architects, a Wildcat Ridge Residence faz jus à fortuna de seu proprietário – ele a comprou em 2008 pelo módico valor de US$ 36,3 milhões. Situado a uma altitude de 2.800 metros, em uma área com algumas das melhores vistas de Aspen, o terreno certamente inflacionou o preço da propriedade. Mas o projeto de arquitetura ajudou a valorizar as qualidades naturais do local e, por isso mesmo, justifica não apenas seu custo, mas sua aquisição por Abramovich.

Versão Tropical
A seleção acertada dos materiais garantiu leveza – física e simbólica – a este spa, parte de um chalé em Itaipava, no distrito de Petrópolis, RJ. A construção de madeira, pedra e vidro parece flutuar sobre um espelho-d'água cristalino, tamanha a simbiose que há entre a fachada e a bela região serrana do Rio de Janeiro. Para escapar do friozinho típico da região, a morada principal (de proporções quase monumentais) possui uma piscina aquecida e madeira escura no revestimento. Tanto o spa, quanto a residência, têm projeto assinado pelo escritório Cadas.

2 Gerações
Pai e filho queriam manter a velha casa de montanha nos Pirineus, cordilheira fronteiriça entre Espanha e França. No entanto, precisavam cada um do seu espaço. "Residências separadas com experiências compartilhadas", pensou a dupla. O escritório Cadaval e Solà-Morales vislumbrou a paisagem como modo de resolver o desafio da família. Sem mexer na casa de pedra que lá existia, os arquitetos projetaram um segundo volume, com um telhado de metal que reproduz a assimetria da montanha. A nova armação imprimiu modernidade ao imóvel, mas preservou características locais, como a fachada original, em um equilíbrio preciso entre os dois estilos de arquitetura – e os dois estilos de vida.

Imponência nos Alpes
A lareira e a chaminé estão lá. O telhado com caimento duplo, também. Os acabamentos são de madeira, e a decoração aquece os ambientes. Mas este não é um chalé qualquer. Situado nos Alpes franceses, próximo à tradicional estação de esqui de Chamonix, o Chalet Cyanella esbanja, sim, uma alma montanhesa. Mas não apela para a rusticidade – além do luxo, o que predomina em seu projeto é o design. Com lajes, vigas e colunas de madeira – mesmo material que caracteriza pisos e cobertura – a casa desenhada pelos profissionais do Bô Design tem fechamentos externos de vidro, o que proporciona excelentes vistas do entorno. A imponência da paisagem, porém, tampouco se reflete em ostentação.

Tudo branco
Construída há mais de cem anos, a casa Vedbaek é uma como tantas outras nos arredores de Copenhague. Um pitoresco chalé de dois andares, telhado de duas águas, chaminé, jardim bucólico. Quase um cenário de conto de fadas. Quem a avista de fora não faz ideia das pessoas que moram lá: um arquiteto e sua família. E, como toda boa casa de arquiteto, esta reserva surpresas. Neste caso, Bjerre-Poulsen, sócio do escritório Norm Architecture, decidiu remover todos os sucessivos padrões de acabamento realizados na casa para pintá-la em um tom uniforme de branco superbrilhante. O que poderia resultar em um ambiente frio, impessoal, ganha personalidade por meio de tradicionais móveis do design escandinavo moderno.
Com afeto,
Beth Landim
Hoje no ISECENSA teremos a apresentação do filme "12 homens e uma sentença"
seguida de debate com o presidente do CRA-RJ
(Conselho Regional de Administração) Wagner Siqueira.
Todos estão convidados. Entrada franca.
Com afeto,
Beth Landim
Divido com vocês uma estória que nos traz uma bela reflexão.
Um dia, o cavalo de um camponês caiu num poço. Não chegou a se ferir, mas não podia sair dali por conta própria. Por isso o animal relinchou fortemente durante horas, enquanto o camponês pensava no que fazer. Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que o cavalo já estava muito velho e não servia mais para nada, e também o poço já estava mesmo seco, precisaria ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena se esforçar para tirar o cavalo de dentro do poço. Ao contrário, chamou seus vizinhos para ajudá-lo a enterrar vivo o cavalo. Cada um deles pegou uma pá e começou a jogar terra dentro do poço. O cavalo não tardou a se dar conta do que estavam fazendo com ele, e relinchou desesperadamente. Porém, para surpresa de todos, quietou-se depois de umas quantas pás de terra que levou. O camponês finalmente olhou para o fundo do poço e se surpreendeu com o que viu. A cada pá de terra que caía sobre suas costas o cavalo a sacudia, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o cavalo conseguiu chegar até a boca do poço, passar por cima da borda e sair dali trotando. A vida vai lhe jogar muita terra, todo o tipo de terra. Principalmente se você já estiver dentro de um poço.
O segredo para sair do poço é sacudir a terra que se leva nas costas e dar um passo sobre ela. Cada um de nossos problemas é um degrau que nos conduz para cima, não devemos reclamar do que ocorre conosco e sim, buscar forças para vencer. Podemos sair dos mais profundos buracos se não nos dermos por vencidos. Use a terra que te jogam para seguir adiante e vencer seus obstáculos. Pois os obstáculos fazem parte do nosso crescimento e da vida. Às vezes olhamos para trás, e pensamos, talvez hoje eu tivesse tido outra atitude ao passar por aquela experiência... Sim, porque a maturidade chega com o tempo e o aprendizado se faz presente em nossas vidas, através dos erros e dos acertos.
Mas para isso, é preciso também que saibamos parar de vez em quando para refletir sobre a nossa caminhada. Reconhecer nossos erros, reconhecer os erros dos outros, porque podemos aprender pelo amor ou pela dor...
Na maioria das vezes, não conseguimos enxergar pelo amor... Às vezes está tudo tão claro a nossa frente, é tão fácil, que não valorizamos o que temos... As pessoas de confiança que fazem de tudo para fazer o melhor no trabalho, os amigos sinceros, a saúde, a família...
E então tratamos mal a quem nos ama, não damos o devido valor a quem há anos está ao nosso lado, seja no trabalho ou na vida, dedicando todos os minutos para que possamos seguir em frente... Às vezes, damos mais ouvidos a pessoas que chegam a tão pouco tempo em nossa caminhada, do que as que já estão há tempo e com sinceridade caminhando conosco, lado a lado, e aí fazemos como o homem, jogamos as pás de terra porque fica mais fácil, ao invés de verdadeiramente buscarmos soluções corretas, sinceras e gratas pelo tempo de serviço que o cavalo tão bem prestou ao homem. Todo o esforço, toda a luta, todo este empenho é sempre válido para salvar ou ajudar alguém... Se o cavalo tivesse entregue os pontos, e ficasse a se lamentar e gritar e chorar, mesmo assim já estaria morto, e pior, seria enterrado vivo...
Pensemos então que gritar, chorar, esbravejar nunca resolverá nossos problemas. Temos que pensar calmamente para procurarmos soluções, pois temos a obrigação de sermos felizes, de sermos pessoas que com coragem (que não é a ausência do medo, mas o controle sobre ele) enfrentam seus problemas, independente da idade, do sexo, da condição econômica e etc... Sacudamos sempre a terra que jogam em nossas costas, pois no mundo, não faltará nunca “o lobo em pele de cordeiro”, ou o invejoso que precisa te atingir para tentar subir, ou o acomodado que desiste facilmente de enfrentar obstáculos, e assim por diante... Porque encontramos sempre em nosso caminho, aquele que chora conosco em nossas horas de tristeza, mas encontramos muito poucos, pouquíssimos, dos que se alegram com as nossas conquistas e vitórias! Que este cavalo possa simbolizar, a vontade de lutar sempre, e não se acomodar em qualquer fase ou idade que tenhamos, pois devemos recordar sempre que o passado é história, o futuro é mistério, o presente é uma dádiva e por isso se chama presente. Para ser feliz, basta vivermos de forma simples e harmoniosa, sempre libertando o nosso coração da desarmonia, libertando a nossa mente das preocupações, simplificando a vida, dando mais e esperando menos... e sempre amando mais, aceitando a terra que jogam sobre nós, pois ela pode ser a solução e não o problema.
Desejo a você que amanhã seja um dia ainda melhor do que foi hoje!
Com afeto,
Beth Landim
plantar e colher flores...
Como nos diz Tim Maia :
Quando o inverno chegar Eu quero estar junto a ti Pode o outono voltar Eu quero estar junto a ti
Porque é primavera Te amo... é primavera Te amo, meu amor
Trago esta rosa... para te dar
Meu amor... Hoje o céu está tão lindo... sai chuva...
Com afeto,
Beth Landim
Duas estórias que nos fazem refletir sobre a relevância
da comunicação nos dias atuais...
A primeira nos conta uma lenda. Ruy Barbosa ao chegar a casa, certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Foi averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe: “- Oh, bucéfalo anácrono!!!... Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada”. E o ladrão, confuso, diz:
“- Dotô, resumino... Eu levo ou dexo os pato???...”
A segunda nos fala sobre a magia da comunicação. “Havia um cego que pedia esmola à entrada do Viaduto do Chá, em São Paulo. Todos os dias passava por ele, de manhã e à noite, um publicitário que deixava sempre alguns centavos no chapéu do pedinte. O cego trazia pendurado no pescoço um cartaz com a frase:
Cego de nascimento. Uma esmola por favor. Certa manhã o publicitário teve uma idéia, virou o letreiro do cego ao contrario e escreveu outra frase. À noite depois de um dia de trabalho perguntou ao cego como é que tinha sido seu dia. O cego respondeu, muito contente: -"Até parece mentira, mas hoje foi um dia extraordinário. Todos que passavam por mim deixavam alguma coisa. Afinal, o que é que o senhor escreveu no letreiro??? O publicitário havia escrito uma frase breve, mas com sentido e carga emotiva suficientes para convencer os que passavam a deixarem algo para o cego. A frase era: Em breve chegará a primavera e eu não poderei vê-la.”
Após a leitura das estórias podemos observar que vivemos formas diferentes de comunicação, que expressam múltiplas situações pessoais, interpessoais, grupais e sociais de conhecer, sentir e viver, que são dinâmicas, que vão evoluindo, modificando-se, modificando-nos e modificando os outros.
Há processos de comunicação superficiais - que expressam mais a exterioridade das coisas - e outros mais profundos - que relacionam o exterior com o interior, que desvendam quem somos, como pensamos, por que agimos de determinada forma. Há processos de comunicação mais autênticos - que expressam o que somos, até onde nos percebemos, que manifestam coerentemente a nossa percepção de nós mesmos e dos outros. Há processos de comunicação inautênticos, que não correspondem ao que percebemos, pensamos e sentimos, que servem a determinados propósitos, que podem levar-nos a deturpar a leitura que os outros fazem de nós - mais ou menos propositalmente. Há processos de comunicação que produzem mudanças, que nos modificam e modificam outras pessoas, enquanto outros processos não nos modificam, nos deixam onde estávamos, nos confirmam em nossos universos mentais pessoais ou grupais.
E assim é a vida... Muitas vezes nos deparamos com situações como estas, pois a comunicação sempre fez toda a diferença e no mundo contemporâneo, tornou-se imprescindível, sendo reconhecida como o quinto poder. E então presenciamos de tudo... Pessoas que utilizam da beleza das palavras para iludir o “outro”... pessoas que através de palavras “difíceis” querem demonstrar grande conhecimento, sem ter a consistência verdadeira... Pessoas que se utilizam da comunicação para agredir simplesmente, esquecendo da ética, da educação, da gentileza que deve reger as nossas relações... Como nos diz Nelson Mandela... “Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria linguagem, você atinge seu coração.”
E este é um dos grandes desafios da humanidade, aprender a arte de comunicar-se, pois da comunicação depende, muitas vezes, a desgraça ou a felicidade, a guerra ou a paz. A pequena passagem de Ruy Barbosa, um dos intelectuais mais brilhantes do seu tempo, tendo sido um dos organizadores da República e co-autor da constituição da Primeira República nos mostram como é nobre o domínio das palavras mas também o domínio sobre a forma de empregá-las. Palavra em latim é parabola, que por sua vez deriva do grego parabolé, representa um conjunto de letras ou sons de uma língua juntamente com a idéia associada a este conjunto. A função da palavra é representar partes do pensamento humano. A palavra deve ser uma ponte, unindo pessoas da melhor forma, transformando sempre positivamente contextos e situações, levando a verdade, mas não perdendo o sentido nobre da sua função, pois é através das palavras que formamos os fios com os quais tecemos nossas experiências.
Pense nisso e observe bem se você “leva ou dêxa” a desejar com a forma em que usa as suas palavras e se você contribui através delas para um relacionamento melhor com sua família, no seu ambiente profissional, com seus filhos, seus amigos, enfim, para um mundo melhor... pois a palavra é a arte de ir ao encontro do outro.
Uma boa e bem humorada semana para todos nós...
Beth Landim
Nos conta uma lenda que...
Mais uma vez a águia chega com uma presa para alimentar seus filhotes. São tempos difíceis, o clima inconstante está afastando a caça, os pequenos animais agora permanecem mais tempo em seus abrigos, fugindo não apenas dos predadores, mas também do calor sufocante que destrói boa parte dos alimentos. Dessa vez, a águia teve dificuldades para encontrar um bom lugar para montar seu ninho. Os penhascos mais altos e próximos dos alimentos foram ocupados rapidamente, obrigando-a a ser ainda mais estratégica e persistente para criar um abrigo que acomodasse seus três filhotes. No começo, o ninho estava bastante seguro e confortável, e até mesmo a águia encontrava ali um bom lugar para repousar. Contudo, com o crescimento dos filhotes, o ninho começou a ficar pequeno e tornou?se comum a águia encontrá?los brigando entre si, muitas vezes com feridas provocadas pelas bicadas mútuas. O tempo já estava dando seus sinais, e a águia sabia que estava chegando o momento de submeter seus filhotes ao ritual que significaria a continuidade de sua família. Seria o momento do primeiro grande vôo.
Num dia ensolarado a águia novamente se prepara para caçar seu alimento, mas antes olha diretamente para cada um de seus filhotes e, em um rápido movimento, os expulsa do ninho atirando?os pelo penhasco. Os instantes seguintes são tomados por uma tempestade de sentimentos contraditórios e confusos. Os filhotes, que até aquele momento conheceram apenas a proteção e os cuidados da mãe, estão em uma queda vertiginosa, com o vento forte espancando seu corpo. Nada, até aquele momento, demonstrava que a águia tomaria uma atitude tão radical. Para os filhotes, a sensação de rejeição e perplexidade se confundia com o medo e a angústia. Era a primeira vez que cada um deles experimentava uma realidade diferente e, julgando pela violência do que estavam sentindo, a vida fora do ninho era absurdamente desconfortável e agressiva. Qualquer um dos filhotes, naquele momento, teria o direito de questionar por qual razão a águia os havia trazido ao mundo – afinal, não deixa de parecer sádico dar a vida a um ser e depois atirá?lo para a morte certa na queda de um penhasco.
Durante a queda cada um procura em si mesmo algum recurso que possa eliminar o desconforto absurdo por que está passando. Gritar chamando pela águia é a primeira alternativa, mas demonstra não ter efeito algum. Agitar as pequenas garras, que muitas vezes foram fundamentais na disputa do alimento com os irmãos, não parece ser eficaz contra o vento. Além disso, enquanto cada filhote rodopia sem controle, um breve pensamento de acusação culpava a águia pela atitude insana.
Após infinitos segundos, uma força instintiva faz que cada filhote abra suas asas – descobrindo, assim, que podem controlar aquela situação sustentando seu corpo com a ajuda da velocidade que alcançaram durante a queda. O momento é único, eles ainda estão um pouco assustados com a súbita parada no ar. Enquanto voam, procuram entender o que está acontecendo e logo percebem que sempre puderam voar, apenas não sabiam disto. Depois de alguns momentos de vôo, percebem a águia voando atrás deles. Ela estava totalmente vigilante, cuidando para que a experiência fosse boa e sem acidentes irreparáveis. Ela se mostrou exatamente no momento em que os filhotes já estavam dominando a técnica de vôo e, sem perder tempo, fez uma manobra no ar, mergulhando em direção a um pequeno roedor. Com as garras prendeu o pequeno animal e em seguida, diferentemente do que sempre fazia, comeu a presa. Tudo ficou claro. A partir de agora, cada filhote deveria caçar o próprio alimento. E não foi só isso que mudou…
Quando os filhotes começam a voar de volta ao ninho, percebem o enorme esforço necessário para chegar até ele, como nunca antes tinham feito. Ao chegar ao alto do penhasco, notam que estão diferentes – com a abertura das asas, os músculos ficaram maiores e mais fortes – e já não cabem no ninho, por isso terão também de procurar um novo abrigo.
Aquela queda foi a primeira, a única verdadeira e sem dúvida a mais importante na vida dos filhotes. Nada mais seria igual depois dessa experiência. As lembranças do ninho da águia estarão sempre presentes e serão uma referência constante para a construção de seus próprios ninhos.
É dessa forma, sendo mães e pais suficientemente bons é que fazemos nossos filhos crescerem. Passei por todas estas fases, como filha e como mãe. Porém, a firmeza de impulsionarmos nossos filhos para suas conquistas, sem oferecermos nada gratuitamente, é que nos torna pessoas melhores, capazes de enfrentar todos os desafios com equilíbrio emocional. Até porque, o sabor da conquista supera infinitamente o sabor do que recebemos gratuitamente, sem nos esforçarmos.
Pensemos nisso, muitas vezes o “menos é mais” na hora de educar...
Com afeto,
Beth Landim
![]()
No artigo da semana anterior iniciei esta emocionante história que se passou em agosto de 1942 em Piotrkow, na Polônia. Nos fala das famílias moradoras no gueto judeu de Piotrkow que tinham sido levadas para uma praça, dolorosamente separadas e em seguida removidas para os campos de concentração. Esta família em particular tinha acabado de perder o pai de tifo. Foram encaminhados para a praça, naquela dolorosa e fria manhã, a mãe e quatro filhos.
Nos conta Herman, o menor dos irmãos, com apenas 11 anos de idade, que tornou-se o número 94938 em seu trabalho no campo Schlieben que certo dia aproximando-se da cerca que delimitava o campo arriscou-se e foi ao encontro de uma menina que lhe ofereceu uma maçã. Esse fato se repetiu diariamente por 7 meses, até que eles foram transportados em um vagão de carvão para o campo de Theresiensatdt, na Tchecoeslováquia. Neste dia ele pediu que a menina das maçãs não voltasse mais, pois estariam partindo. Após 3 meses neste campo, já escalado para morrer na câmara de gás em maio de 1945, finalmente as tropas russas liberaram o campo e os portões foram abertos concedendo a liberdade a Herman e aos seus irmãos...
Passados os anos, nos conta ele...
“Eventualmente, encaminhei-me à Inglaterra, onde fui assistido pela Caridade Judaica. Fui colocado em um abrigo com outros meninos que sobreviveram ao Holocausto e treinado em Eletrônica. Depois fui para os Estados Unidos, para onde meu irmão Sam já havia se mudado. Servi no Exército durante a Guerra da Coréia, e retornei a Nova Iorque, após dois anos. Por volta de agosto de 1957, abri minha própria loja de consertos eletrônicos. Estava começando a estabelecer-me. Um dia, meu amigo Sid, que eu conhecia da Inglaterra, me telefonou. "Tenho um encontro. Ela tem uma amiga polonesa. Vamos sair juntos!". Um encontro às cegas? Não, isso não era para mim! Mas Sid continuou insistindo e, poucos dias depois, nos dirigimos ao Bronx para buscar a pessoa com quem marcara encontro e a sua amiga Roma. Tenho que admitir: para um encontro às cegas, não foi tão ruim.
Roma era enfermeira em um hospital do Bronx. Era gentil e esperta. Bonita, também, com cabelos castanhos cacheados e olhos verdes amendoados que faiscavam com vida. Nós quatro fomos até Coney Island. Roma era uma pessoa com quem era fácil falar e ótima companhia. Descobri que ela era igualmente cautelosa com encontros às cegas. Nós dois estávamos apenas fazendo um favor aos nossos amigos. Demos um passeio na beira da praia, gozando a brisa salgada do Atlântico e depois jantamos perto da margem. Não poderia me lembrar de ter tido momentos melhores. Voltamos ao carro do Sid, com Roma e eu dividindo o assento traseiro. Como judeus europeus que haviam sobrevivido à guerra, sabíamos que muita coisa deixou de ser dita entre nós. Ela puxou o assunto, perguntando delicadamente: "Onde você estava durante a guerra?" "Nos campos de concentração", eu disse. As terríveis memórias ainda vívidas, a irreparável perda. Tentei esquecer. Mas jamais se pode esquecer. Ela concordou, dizendo: "Minha família se escondeu em uma fazenda na Alemanha, não longe de Berlim. Meu pai conhecia um padre, e ele nos deu papéis arianos." Imaginei como ela deve ter sofrido também, tendo o medo como constante companhia. Mesmo assim, aqui estávamos, ambos sobreviventes, em um mundo novo.

"Havia um campo perto da fazenda", Roma continuou. "Eu via um menino lá e lhe jogava maçãs todos os dias." Que extraordinária coincidência, que ela tivesse ajudado algum outro menino. "Como ele era?", perguntei. "Ele era alto, magro e faminto. Devo tê-lo visto todos os dias, durante seis meses." Meu coração estava aos pulos! Não podia acreditar! Isso não podia ser! "Ele lhe disse, um dia, para você não voltar, por que ele estava indo embora de Schlieben?". Roma me olhou estupefata. "Sim!". "Era eu!". Eu estava para explodir de alegria e susto, inundado de emoções. Não podia acreditar! Meu anjo! "Não vou deixar você partir", disse a Roma. E, na traseira do carro, nesse encontro às cegas, pedi-a em casamento. Não queria esperar. "Você está louco!", ela disse. Mas convidou-me para conhecer seus pais no jantar do Shabbat da semana seguinte. Havia tanto que eu ansiava descobrir sobre Roma, mas as coisas mais importantes eu sempre soube: sua firmeza, sua bondade. Por muitos meses, nas piores circunstâncias, ela veio até a cerca e me trouxe esperança. Não que eu a tivesse encontrado de novo, eu jamais a havia deixado partir. Naquele dia, ela disse sim. E eu mantive a minha palavra. Após quase 50 anos de casamento, dois filhos e três netos, eu jamais a deixara partir.”

Esta é a história da vida de Herman Rosenblat, atualmente com 75 anos e morador de Miami Beach na Florida. Faz-nos repensar a nossa trajetória. Que possamos deixar vir à tona todas as emoções que ela nos traz e valorarmos o contexto da nossa vida de forma positiva e renovada. É sempre tempo de manter dentro de nós o que nunca deixamos partir.
Com afeto,
Beth Landim