Dinamarquesa NOV investirá mais de R$ 1 bilhão no Porto do Açu
Mário Sérgio Junior - Atualizado em 28/03/2026 09:39
O Porto do Açu e a NOV (National Oilwell Varco), multinacional especializada na fabricação de tubos flexíveis para a indústria offshore, assinaram contrato para expandir a operação da empresa no complexo porto-indústria localizado no norte do Rio de Janeiro. O projeto prevê um investimento de US$ 200 milhões, hoje equivalentes a R$ 1,02 bilhões, e a expansão de 30 mil m² na área ocupada pela companhia, que passará dos atuais 121 mil m² para 151 mil m². O assunto chegou a ser divulgado no blog Ponto de Vista (aqui), de Christiano Abreu Barbosa e hospedado no Folha1.
O novo contrato, com vigência até 2047, permitirá elevar a capacidade logística e de armazenamento de tubos flexíveis e equipamentos associados. A NOV opera no Porto do Açu há mais de 10 anos e mantém no local uma de suas principais unidades globais de produção desse tipo de equipamento, além de operações na Dinamarca e na Escócia.
— A expansão da operação da NOV reforça o papel do Açu como hub estratégico para o mercado de petróleo e gás no Brasil. Seguimos atraindo investimentos e ampliando a infraestrutura necessária para acompanhar o crescimento de toda a cadeia no país — afirma João Braz, diretor de terminais e logística do Porto do Açu.
A fábrica brasileira da empresa tem capacidade de produzir cerca de 220 km por ano de tubos flexíveis e conta com áreas de armazenagem, testes de qualidade e acesso direto ao cais para embarque offshore. O novo espaço será destinado principalmente à estocagem e ao apoio logístico, o que aumentará a eficiência operacional e a capacidade de atendimento a novas demandas do mercado de exploração e produção (E&P).
Além da locação da área, o Porto do Açu também prestará serviços de engenharia para a construção da nova estrutura logística da empresa. As obras devem começar ainda no primeiro semestre deste ano, com início das operações previsto para o começo de 2027.
O Açu é responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras de petróleo e atende toda a cadeia de óleo e gás, da exploração ao descomissionamento. O complexo oferece calado profundo, terrenos com acesso direto ao cais e um cluster de serviços que reúne múltiplos fornecedores de suporte portuário e marítimo.
O Porto do Açu abriga a maior base de apoio offshore do mundo. Além das operações ligadas ao petróleo, também movimenta minério de ferro, concentra o maior parque termelétrico a gás da região e investe em projetos de energia renovável e economia de baixo carbono.
Subsea - Os tubos flexíveis “subsea” são dutos de alta tecnologia, projetados para o transporte de fluidos (petróleo, gás, água) entre o fundo do mar, onde estão os poços de óleo e gás, e as unidades de produção flutuantes (como FPSOs - navios plataforma) em ambientes offshore. Subsea, ou submarinos, por operarem abaixo da linha d´água.
Os US$ 200 milhões anunciados pela NOV serão investidos em equipamentos de alta tecnologia, com maior produtividade, além de demandar um aumento expressivo de mão de obra, hoje em aproximadamentes 650 funcionários. São mais empregos a caminho do Norte Fluminense.
— Nossa capacidade atual de fabricação tem operado em plena carga ou próximo disso e possui uma carteira de pedidos que se estende bem até 2028. Com o aumento previsto no desenvolvimento de recursos offshore, acreditamos que a capacidade atual da indústria será insuficiente para atender à demanda no final desta década e ao longo dos anos 2030 sem a capacidade adicional que planejamos colocar em operação no fim de 2029 — afirmou Jose Bayardo, chairman, presidente e CEO da NOV.
O gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flávio Bretanha, também comentou o investimento. “Os tubos flexíveis submarinos são componentes críticos para que a Petrobras alcance suas metas de produção offshore, em linha com nossa estratégia mais ampla de produção. A NOV tem sido uma parceira confiável da Petrobras há anos, e esperamos continuar essa colaboração para avançar em tecnologias que aumentem a confiabilidade, a segurança e o desempenho operacional”, disse. (M.S.) (A.N.)
Expectativa voltada à geração de empregos
A Prefeitura de São João da Barra informou que acompanha com otimismo o anúncio da assinatura de contrato entre o Porto do Açu e a empresa NOV, que prevê a expansão de suas operações no Brasil. Segundo o Executivo, o movimento reforça o papel estratégico do município no cenário logístico e industrial, consolidando o Porto do Açu como um dos principais vetores de desenvolvimento econômico do estado do Rio de Janeiro e do país.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de SJB, Alexandre Rosa, a expansão representa uma importante oportunidade de fortalecimento da economia local, com potencial de atração de novos investimentos, dinamização da cadeia produtiva e aumento da geração de renda no município.
— Com base em empreendimentos semelhantes no Porto do Açu, a previsão de nossa Superintendência de Trabalho e Renda é que cada vaga direta possa gerar de duas a quatro oportunidades indiretas, ampliando significativamente o impacto econômico e social desse investimento. Seguimos acompanhando de perto os desdobramentos desse investimento, trabalhando para que seus benefícios sejam revertidos em mais desenvolvimento, emprego e qualidade de vida para a população — disse Rosa.
Potência do Porto é destaca pela Firjan
Recentemente, o potencial econômico do Norte Fluminense foi destacado em estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), tendo o Porto do Açu sido apontado como um dos ativos estratégicos da região.
Dentre as potencialidades apontadas para a região Norte está a oportunidade de fortalecer as atividades ligadas ao Porto do Açu, especialmente nos campos da logística e da transição energética, além de consolidar o Porto como plataforma para os setores químico e de fertilizantes.
O presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira, destacou que a região tem oportunidades a serem exploradas. “Dentre as vocações atuais da nossa região está o mercado de petróleo, gás e energias que hoje soma mais de 26 mil empregos, além disso, os estudo mostra que somos a base offshore da Bacia de Campos, com cadeia forte de apoio, engenharia e manutenção que sustenta renda e demanda local. Este relatório demonstra que o Norte Fluminense tem potencial para transformar vocação em desenvolvimento real”, afirmou.

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