Frases nem tão soltas XXXVI
Cândida Albernaz
Pegou o pedaço do coração que partira e juntou à outra metade que ainda permanecia em seu próprio peito. Sorriu quando ouviu o bater ritmado novamente. Voltara a ser inteira,
*
O tempo parece carregar sua vitalidade. Engane o tempo com um, dois, três sorrisos. Costuma dar certo.
*
Foi virando-se devagar porque tinha medo de dar as costas ao que se acostumara. Não foi tão ruim assim. Quando conseguiu, percebeu que havia uma enorme luz diante de si.
*
Em qual esquina do amor eu dobrei para não mais te encontrar?
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Ser mulher é acreditar que o mundo cabe dentro de nós. E por que não caberia?
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Deu o melhor de si e não bastou. O que você queria era alguém inventado.
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Pisando forte seguiu em frente. Cada batida no assoalho fazia ressoar em seu peito a força que precisava.
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Não venha com palavras doces se me fez provar o fel. Tenho péssima digestão.
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Vem aqui e me dá um beijo. Sentiu o gosto de amor? É seu.
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Transforme sua dor em escritos. Aos poucos a tinta da caneta vai sendo absorvida pelo papel. Deixe que fique lá.
*
Não tenho medo da morte. O que me assusta é o não viver. É deixar que o tempo passe sem perceber.
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Cansou de dar explicações para quem não fazia questão de se explicar.
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Ficou deitada de olhos fechados. Esperava que o tempo levasse com ele a dor que sentia.
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Vem correndo me abraçar. Talvez ainda possamos acreditar que é possível.
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Colocou um pé e depois outro. Sentiu o chão firme. A areia movediça foi sugada por si mesma.
Frases nem tão soltas II
Cândida Albernaz
Dê-me flores. Eu te dou frutos.
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Em alguns dias tenho uma gastura do mundo e não sei o que fazer com ela. Corrói-me sem motivo aparente.
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Cartas não foram escritas, palavras não foram ditas, abraços não foram dados. E tudo o que poderia ter sido o tempo se encarregou de levar.
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Às vezes canso de gente. Gente dá trabalho, exige. Cansaria de mim também. Dou muito trabalho.
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Meu grito mais forte é aquele que não se ouve. Só no peito ele faz o eco de uma explosão.
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Quando olho para a folha em branco e as letras brincam de se esconder, penso em fugir. Para algum lugar onde observando o nada, balõezinhos surjam com toda a história dentro deles.
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Assusta-me escrever sobre você. Tenho medo que um dia releia o que passou.
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O tempo passado pode ser tão pesado que nossos braços não carregam. Fazer contas antigas... pesam tanto que chega a doer.
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E porque meu coração sangra deve ser muito bem cuidado.
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Em alguns dias continuo a procurar... Em outros, penso que encontrei.
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Pode estar tão perto, pode parecer tão pouco, pode ser tão fácil de tocar. Ninguém precisa de excessos.
*
Alguns segundos que vivemos levam uma eternidade para se deixar esquecer.
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Um olhar pode nos fazer continuar ou estancar. Um olhar desnuda ou assusta. Ou assusta porque desnuda.
*
Alguns pensam que podem agradar a Deus e ao diabo ao mesmo tempo. Não vejo como.
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Porque a melhor parte pode ser esperar pelo dia seguinte. E hoje já é o dia seguinte!
*
A sensação de alguns momentos deveria ser para sempre. Mas se fosse assim, que graça teria buscar novos momentos?
Frases nem tão soltas XXXII
Cândida Albernaz
A luz era suave e a música chegava aos ouvidos como calda de caramelo escorrendo na boca. Mas o coração... Ah! este não parecia pertencer àquele lugar, tal a força com que batia procurando romper o peito.
*
Era pouco, muito pouco o que recebera. Acreditava ser demais o que doara. Mentira boba! Tentava enganar a si mesma porque nunca se entregara o suficiente.
*
As piores decisões são tomadas quando nos sentimos apertar entre paredes.
*
Sempre pareceu buscar mais do que pretendia. Na verdade não queria enxergar-se como alguém que não se saciava.
*
Ontem pensou ser forte. Hoje provou que era.
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Enfiou goela adentro o grito de socorro que não ousava pedir. Quando sentiu estar entalada, chorou.
*
Pede que eu dou. Diz que eu faço. Riu das mentiras que saíam daquela boca. E continuou rindo por notar que mentia com vontade de que fosse verdade.
*
Olhou o céu e percebeu estar inundado de estrelas. Só pôde enxergá-las porque era breu a sua volta. E porque era breu, fazia questão de vê-las todas.
*
Não sou mulher de pequenas porções. São grandes os pedaços de frutas ou carnes que me satisfazem. Não falo manso ou delicado. Talvez aveludado. Nem mesmo sei ser doce por muito tempo. Enjoaria de mim.
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Tentou falar, mas de seus lábios não saía som algum. Apenas os olhos gritavam a dor que sentia.
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Apoiou suas mãos enrugadas no braço ainda jovem. Lembrou quando eram os seus que carregavam aquele que agora o sustentava.
*
Quando chorou sentiu o sal das lágrimas em sua língua. Recordou de outro dia, em outro lugar em que o vinho bebido era sorvido pela boca colada a sua. Sorriu na lembrança enquanto a face continuou seu pranto.
*
Enquanto leio sinto aquele mundo como se fosse meu. Se escrevo vivo mundos que transformo em meus. A tinta que sai da caneta carrega o pensamento que estava no fundo do peito e o faz boiar para que leve se torne.
*
Ao se deitar ela decidiu que naquela noite teria belos sonhos. E por assim querer, foi dormir sorrindo.
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Porque fechando os olhos posso enxergar melhor. Porque fechando os olhos consigo ver com o sentir.
*
A melhor parte em escrever é poder criar tantas vidas diferentes da sua como se estivesse em cada uma delas.
*
Às vezes penso que me invento e então me surpreendo percebendo que aquilo que inventei sou eu real.
*
O relógio marca o tempo que passa às vezes devagar, às vezes rápido demais. Entre espinhos que se escondem, flores e verdes continuam a crescer.
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Por que metade se você pode ter e ser inteiro?
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Nossa lucidez pode ser a loucura perfeita.
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O que mais nos machuca não deixa marcas visíveis. Porque estas não são para ver, são para sentir.
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Preciso que me conte histórias, me carregue no colo e através de suas rugas conheça a vida que te fez chorar ou sorrir, para que possa eu, menina que sempre serei, chorar e sorrir a seu lado.
*
Algumas pessoas demoram a perceber o que passou e perdem tempo se prendendo ao nada. Vida que existiu, mas que se perdeu no viver contínuo.
*
Será que ultrapassando as nuvens estarão todos os que perdi enquanto continuo aqui?
*
Se você sabe onde fica a ponta de um novelo, por que insistir em se colocar no meio dele?
*
Algumas vezes nos escondemos tão dentro de nós, que mesmo procurando não conseguimos nos achar.
*
Não me lembro de quando, mas um dia percebi que rir pode ser muito bom, mas gargalhar é imprescindível.
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Quero brincar de pique esconde e no término da brincadeira me encontrar inteira.
Frases nem tão soltas
Cândida Albernaz
Não sei esconder o que sinto. Implodo se tentar.
*
E com as tintas da imaginação, porque esta não tem limite, Deus coloriu o mundo.
*
Não conseguia ver sua sombra refletida na parede. Desesperou-se e voltou atrás para procurá-la. Encontrou-a agachada sob uma mesa. Não queria fazer parte do quão pequena se sentia naquele momento.
*
Sentada na cadeira de pano com as alças de corda presas na árvore, ela girava. E quanto mais girava, mais ria, e naquele momento pequeno, minúsculo, conseguia esquecer o que lhe dava agonia.
*
Às vezes preciso me esconder do mundo e brincar sozinha.
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Fechei os olhos e me coloquei em seu colo. Eram seus os braços que me apertavam ao peito. Juro ter escutado: minha filha... E dentro daquele sonho adormeci.
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Quero portas onde eu possa passar. Portas fechadas me assustam. E afastam.
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Um olhar pode nos fazer continuar ou estancar. Um olhar desnuda ou assusta. Ou assusta porque desnuda.
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Após cada vendaval, enganava-se agindo como se não fosse com ela. Apenas um filme irritante e triste que assistia da confortável poltrona que desenhara na mente.
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A maioria de nós conhece ou conheceu o mais ou menos. Não vale a pena. Ou é tudo, ou é nada.
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E como a pedra diante da luz, posso ser opaca ou brilhar para quase todo o sempre.
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O lugar predileto para se encontrar a paz: dentro de nós.
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Às vezes vem assim... do nada! Não se iluda. Nunca é do nada.
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Há pessoas que gostam de ninhos, mas não procuram fazer o seu. São preguiçosas e preferem desfazer ninhos prontos.
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Quando se vê a chuva inundar a casa e levar o pouco que tem uma, duas, três vezes, não há escolha. Refazer vidas é o que sobra.
Sobre o autor
Candida Albernaz
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