Até quando?
12/08/2019 | 03h13
Em artigo publicado aqui no dia 11 de maio de 2019 foi abordado o problema dos recorrentes casos de violência que ocorrem na BR-101, principalmente no trecho que corta o município de São Gonçalo/RJ. Foram tantos os casos, inclusive tendo moradores de Campos entre as vítimas, que no dia 09 de maio aconteceu uma manifestação em frente à Câmara de Vereadores de Campos solicitando que medidas fossem tomadas para melhorar a situação. Desde então já se passaram três meses e apesar de algumas ações pontuais como o uso de policiais militares no patrulhamento da rodovia, a violência no local continua.
Essa semana, no dia 08 de agosto, um sargento da Polícia Militar foi morto enquanto fazia patrulhamento na rodovia. Lotado no RECOM (batalhão de rondas especiais e controle de multidões), o policial estava junto com sua equipe dando apoio à Polícia Rodoviária Federal (PRF) no policiamento. No momento do fato os policiais estavam baseados nas proximidades da comunidade Recanto das Acácias, em São Gonçalo, quando ouviram um disparo de arma de fogo e logo a seguir notaram que o sargento havia sido atingido no tórax. Ele ainda foi socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu. Ainda não se sabe de onde partiu o tiro.
Segundo dados divulgados em audiência pública realizada pela comissão de segurança pública da Alerj uma semana antes do crime, a situação do policiamento na região é muito precária. O efetivo da Polícia Militar em São Gonçalo tem menos de um policial para cada 1000 habitantes, sendo que o recomendado pelas Nações Unidas é de um policial para cada 300 habitantes. E se o policiamento já é deficiente para uma população de cerca de um milhão de habitantes, isso se agrava com a necessidade de atuar em uma rodovia que é atribuição do governo federal. Com 7 policiais rodoviários federais para cobrir 21km de estrada e mais os 13km da Ponte Rio Niterói, é inviável uma cobertura adequada.
Com 12% dos casos de roubos de veículos de todos o Estado do Rio de Janeiro e com cerca de 20% dos roubos de cargas ocorridos, esse trecho entre os municípios de Niterói e Itaboraí, passando por São Gonçalo é hoje um sério problema de segurança pública. Enquanto o governo federal não chamar para si a responsabilidade de liderar e coordenar uma ação conjunta, unindo reforço no policiamento a ações de inteligência, a população e os policiais irão continuar a ser vítimas na rodovia do medo.
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BR 101: ações de curto prazo não resolvem
12/05/2019 | 11h03

No dia 09 tivemos uma manifestação por mais segurança na BR-101, principalmente no trecho da rodovia próximo a São Gonçalo/RJ. Esse fragmento da estrada federal tem sido palco de inúmeros crimes com muitos relatos de vítimas e vídeos circulando nas redes sociais. Em razão da existência de comunidades controladas por traficantes nas proximidades, a ação dos criminosos é facilitada, pois podem facilmente fugir para o interior de uma delas, tornando a sua captura muito mais difícil. Apesar disso tudo, não é um problema novo.

Para ilustrar a rotina de quem trafega pela rodovia, vale recordar alguns casos. No dia 24/04/18 uma viatura da polícia civil que ia em direção ao Rio de Janeiro, foi atingida por disparos de arma de fogo por volta das 7h da manhã quando passava na estrada. No mesmo dia, um ônibus que fazia a linha Tanguá-Praça XV foi assaltado na altura de Itaúna, São Gonçalo.
Diante da ineficiência das forças policiais em coibir essa onda de crimes, durante a intervenção militar, veículos militares passaram a patrulhar a rodovia com o objetivo de melhorar a segurança. Aumentou a sensação de segurança, porém, com o fim da intervenção, esse patrulhamento extra também encerrou.
Com a diminuição do patrulhamento ostensivo, o número de crimes voltou a crescer, e no dia 18/04/19, quase um ano após o atentado contra os policiais, um motociclista foi baleado, por volta de meio dia, quando trafegava pela estrada. Diante do quadro de completa insegurança existente na rodovia BR 101, fica claro que ações de curto prazo não resolvem o problema. A PRF, que tem atribuição para combater os crimes ocorridos na rodovia, sofre com déficit de servidores e não tem como agir nas comunidades próximas. Já as polícias estaduais não conseguem tirar as comunidades do jugo de criminosos.
Somente com uma ação integrada das forças de segurança federais e estaduais, unindo inteligência e ostensividade, será possível dar segurança aos milhares de pessoas que utilizam diariamente a rodovia. Mas para isso é preciso vontade política, e isso não parece ser a prioridade dos governos federal e estadual.
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Sobre o autor

Roberto Uchôa

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