Lima: Ela vai te pegar pelo estômago (Parte I)
Terceira cidade mais populosa das Américas, Lima costuma ser apenas uma escala obrigatória rumo a Cusco e Machu Picchu, sede do antigo Império Inca, redescoberta em 1911. Pura injustiça. É verdade que a árida capital peruana não possui o charme europeu de Montevidéu, nem a flagrante vibração de Buenos Aires. Mas, se lhe faltam chamarizes turísticos, digamos, mais óbvios, sobram-lhe atributos gastronômicos. A metrópole é um verdadeiro deleite ao paladar. Basta dizer que a comida é, junto com a mineração, um dos pilares econômicos do Peru. E para a capital converge toda a rica produção do país. Só de batata são mais de 3 000 espécies. De milho, outras dezenas. É também a terra do ceviche, da quinoa, do pisco e do chef Gastón Acurio.
Dos cinco melhores restaurantes da América Latina, segundo o ranking da revista inglesa Restaurant, do qual faço parte, três ficam em Lima. E a cidade acaba de ser eleita pela revista National Geographic como um dos dez destinos gastronômicos para se conhecer em 2016. Portanto, se é um gourmet e ainda não esteve lá, é bom começar a fazer as malas. A visita pode (e deve) coincidir com o Mistura, mega festival gastronômico anual que atrai cerca de 400 mil pessoas do mundo todo ao distrito de Magdalena del Mar, na Costa Verde limenha. A edição deste ano, marcada para acontecer entre os dias 2 e 11 de setembro, foi destacada pela revista Time Out de Londres como uma experiência imperdível.
Um dos maiores eventos do gênero no mundo, o festival é uma excelente desculpa para uma visita à cidade banhada pelo Oceano Pacífico, fundada pelos espanhóis em 1535, nos vales dos rios Chillón, Rímac e Lurín. E ótima oportunidade de conhecer a rica gastronomia peruana gastando pouco. Só para citar um exemplo, por R$ 13,00 come-se um fornido prato de chicharrón (a palavra significa algo como torresmo, mas consiste em pedaços de carne tenra de porco ou frango sob pele crocante), acompanhado de batata, milho cozido e molho. Provei um delicioso na La Cabañita, uma das centenas de barraquinhas organizadas por temas e espalhadas pela estrutura gigantesca montada diante do mar. A entrada no vento custa cerca de R$ 25,00 e a programação inclui shows, apresentações de danças folclóricas e uma feira de foodtrucks.
Quatro dias são suficientes para explorar o festival, os pontos turísticos que realmente interessam em Lima – o Museu Larco, a Plaza Mayor, a Catedral, San Isidro e o bairro boêmio de Barranco – e se entregar de corpo e alma aos seus encantos culinários, o verdadeiro objetivo da viagem. Escolha o bairro de Miraflores para se hospedar – aproveite para ver o por do sol no Parque del Amor – e visite o maior número de restaurantes que puder. Antes de iniciar seu périplo gastronômico, não deixe de conhecer a Casa de la Gastronomía, um museu dedicado ao assunto. Depois de percorrer os ambientes que recontam 500 anos de história da alimentação no país, incluindo uma sala inteira dedicada ao pisco, destilado de uva que é a bebida nacional, você estará cheio de fome e sede para explorar o que Lima tem de melhor a oferecer.
Na próxima terça, cinco restaurantes imperdíveis na capital peruana.
Por Fabio Codeço - Crítico de gastronomia da Veja Rio.
LIMA: ELA VAI TE PEGAR PELO ESTÔMAGO
Lima: Ela vai te pegar pelo estômago (Parte I)
Terceira cidade mais populosa das Américas, Lima costuma ser apenas uma escala obrigatória rumo a Cusco e Machu Picchu, sede do antigo Império Inca, redescoberta em 1911. Pura injustiça. É verdade que a árida capital peruana não possui o charme europeu de Montevidéu, nem a flagrante vibração de Buenos Aires. Mas, se lhe faltam chamarizes turísticos, digamos, mais óbvios, sobram-lhe atributos gastronômicos. A metrópole é um verdadeiro deleite ao paladar. Basta dizer que a comida é, junto com a mineração, um dos pilares econômicos do Peru. E para a capital converge toda a rica produção do país. Só de batata são mais de 3 000 espécies. De milho, outras dezenas. É também a terra do ceviche, da quinoa, do pisco e do chef Gastón Acurio.
Dos cinco melhores restaurantes da América Latina, segundo o ranking da revista inglesa Restaurant, do qual faço parte, três ficam em Lima. E a cidade acaba de ser eleita pela revista National Geographic como um dos dez destinos gastronômicos para se conhecer em 2016. Portanto, se é um gourmet e ainda não esteve lá, é bom começar a fazer as malas. A visita pode (e deve) coincidir com o Mistura, mega festival gastronômico anual que atrai cerca de 400 mil pessoas do mundo todo ao distrito de Magdalena del Mar, na Costa Verde limenha. A edição deste ano, marcada para acontecer entre os dias 2 e 11 de setembro, foi destacada pela revista Time Out de Londres como uma experiência imperdível.
Um dos maiores eventos do gênero no mundo, o festival é uma excelente desculpa para uma visita à cidade banhada pelo Oceano Pacífico, fundada pelos espanhóis em 1535, nos vales dos rios Chillón, Rímac e Lurín. E ótima oportunidade de conhecer a rica gastronomia peruana gastando pouco. Só para citar um exemplo, por R$ 13,00 come-se um fornido prato de chicharrón (a palavra significa algo como torresmo, mas consiste em pedaços de carne tenra de porco ou frango sob pele crocante), acompanhado de batata, milho cozido e molho. Provei um delicioso na La Cabañita, uma das centenas de barraquinhas organizadas por temas e espalhadas pela estrutura gigantesca montada diante do mar. A entrada no vento custa cerca de R$ 25,00 e a programação inclui shows, apresentações de danças folclóricas e uma feira de foodtrucks.
Quatro dias são suficientes para explorar o festival, os pontos turísticos que realmente interessam em Lima – o Museu Larco, a Plaza Mayor, a Catedral, San Isidro e o bairro boêmio de Barranco – e se entregar de corpo e alma aos seus encantos culinários, o verdadeiro objetivo da viagem. Escolha o bairro de Miraflores para se hospedar – aproveite para ver o por do sol no Parque del Amor – e visite o maior número de restaurantes que puder. Antes de iniciar seu périplo gastronômico, não deixe de conhecer a Casa de la Gastronomía, um museu dedicado ao assunto. Depois de percorrer os ambientes que recontam 500 anos de história da alimentação no país, incluindo uma sala inteira dedicada ao pisco, destilado de uva que é a bebida nacional, você estará cheio de fome e sede para explorar o que Lima tem de melhor a oferecer.
Na próxima terça, cinco restaurantes imperdíveis na capital peruana.
Por Fabio Codeço - Crítico de gastronomia da Veja Rio.
04/04/2016 | 07h00
Lima: Ela vai te pegar pelo estômago (Parte I)
Terceira cidade mais populosa das Américas, Lima costuma ser apenas uma escala obrigatória rumo a Cusco e Machu Picchu, sede do antigo Império Inca, redescoberta em 1911. Pura injustiça. É verdade que a árida capital peruana não possui o charme europeu de Montevidéu, nem a flagrante vibração de Buenos Aires. Mas, se lhe faltam chamarizes turísticos, digamos, mais óbvios, sobram-lhe atributos gastronômicos. A metrópole é um verdadeiro deleite ao paladar. Basta dizer que a comida é, junto com a mineração, um dos pilares econômicos do Peru. E para a capital converge toda a rica produção do país. Só de batata são mais de 3 000 espécies. De milho, outras dezenas. É também a terra do ceviche, da quinoa, do pisco e do chef Gastón Acurio.
Dos cinco melhores restaurantes da América Latina, segundo o ranking da revista inglesa Restaurant, do qual faço parte, três ficam em Lima. E a cidade acaba de ser eleita pela revista National Geographic como um dos dez destinos gastronômicos para se conhecer em 2016. Portanto, se é um gourmet e ainda não esteve lá, é bom começar a fazer as malas. A visita pode (e deve) coincidir com o Mistura, mega festival gastronômico anual que atrai cerca de 400 mil pessoas do mundo todo ao distrito de Magdalena del Mar, na Costa Verde limenha. A edição deste ano, marcada para acontecer entre os dias 2 e 11 de setembro, foi destacada pela revista Time Out de Londres como uma experiência imperdível.
Um dos maiores eventos do gênero no mundo, o festival é uma excelente desculpa para uma visita à cidade banhada pelo Oceano Pacífico, fundada pelos espanhóis em 1535, nos vales dos rios Chillón, Rímac e Lurín. E ótima oportunidade de conhecer a rica gastronomia peruana gastando pouco. Só para citar um exemplo, por R$ 13,00 come-se um fornido prato de chicharrón (a palavra significa algo como torresmo, mas consiste em pedaços de carne tenra de porco ou frango sob pele crocante), acompanhado de batata, milho cozido e molho. Provei um delicioso na La Cabañita, uma das centenas de barraquinhas organizadas por temas e espalhadas pela estrutura gigantesca montada diante do mar. A entrada no vento custa cerca de R$ 25,00 e a programação inclui shows, apresentações de danças folclóricas e uma feira de foodtrucks.
Quatro dias são suficientes para explorar o festival, os pontos turísticos que realmente interessam em Lima – o Museu Larco, a Plaza Mayor, a Catedral, San Isidro e o bairro boêmio de Barranco – e se entregar de corpo e alma aos seus encantos culinários, o verdadeiro objetivo da viagem. Escolha o bairro de Miraflores para se hospedar – aproveite para ver o por do sol no Parque del Amor – e visite o maior número de restaurantes que puder. Antes de iniciar seu périplo gastronômico, não deixe de conhecer a Casa de la Gastronomía, um museu dedicado ao assunto. Depois de percorrer os ambientes que recontam 500 anos de história da alimentação no país, incluindo uma sala inteira dedicada ao pisco, destilado de uva que é a bebida nacional, você estará cheio de fome e sede para explorar o que Lima tem de melhor a oferecer.
Na próxima terça, cinco restaurantes imperdíveis na capital peruana.
Por Fabio Codeço - Crítico de gastronomia da Veja Rio.
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