Em estado de greve, docentes da Uenf denunciam defasagem salarial de quase 50%
Matheus Mesquita - Atualizado em 27/03/2026 18:15
Prédio da reitoria da Uenf
Prédio da reitoria da Uenf / Foto: Rodrigo Silveira


Os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) estão em estado de greve e relatam um cenário de crescente insatisfação. A categoria afirma acumular perdas salariais que chegam a aproximadamente 50%, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, e cobra medidas urgentes para recomposição e valorização da carreira.
De acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf), Ricardo Nóbrega, a situação se agravou após o descumprimento de um acordo firmado em 2021. Naquele ano, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou uma lei que previa a recomposição salarial de 26,1%, dividida em três parcelas. No entanto, apenas a primeira foi paga.

“O clima entre os docentes da UENF é de muita insatisfação. Temos perdas salariais acumuladas que hoje estão em torno de 50%, segundo dados do DIEESE. Em 2021, a ALERJ aprovou uma lei que garantia o pagamento de 26,1% de recomposição em três parcelas que, apesar de insuficiente, melhoraria nossa situação. Mas o governador cassado Cláudio Castro descumpriu o acordo com os servidores estaduais e pagou apenas a primeira parcela, nunca honrando as duas restantes”, afirmou.
Além da recomposição salarial incompleta, os docentes também apontam prejuízos relacionados à suspensão de direitos durante a pandemia. Benefícios como triênios, licença-prêmio e outros adicionais deixaram de ser pagos aos servidores recém-empossados, sob a justificativa de queda na arrecadação.

“A pandemia acabou e esses direitos nunca foram restabelecidos, prejudicando os servidores contratados nos últimos anos”, completou Ricardo.

Outro ponto de crítica é a demora na tramitação do novo Plano de Cargos e Vencimentos da categoria. Segundo a ADUENF, o projeto está há mais de quatro anos sem avanços concretos, circulando entre a Reitoria da universidade e a Casa Civil, sem chegar à votação na ALERJ.

Por fim, os docentes alertam que a defasagem salarial e a falta de perspectivas na carreira têm tornado os concursos públicos da instituição menos atrativos, o que pode comprometer a reposição de quadros e o futuro da universidade. Atualmente, segundo a entidade, as condições oferecidas pela UENF estão abaixo das praticadas por outras universidades públicas estaduais e federais, como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Em nota, o Governo do Estado do Rio de Janeiro afirmou que trabalha para garantir a saúde financeira do estado e, ao mesmo tempo, implementar políticas de valorização do funcionalismo. Segundo o comunicado, a gestão atua com planejamento, medidas para equilibrar despesas e receitas e ações voltadas ao aumento da arrecadação.

Ainda de acordo com o governo, o estado está em processo de ajuste para adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e segue sob as regras do Regime de Recuperação Fiscal, por decisão liminar, enfrentando um cenário fiscal desafiador, com base no princípio do equilíbrio das contas públicas.
 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS