Equipe do IFF Campos Centro conquista título do Desafio Solar Brasil 2026
Matheus Mesquita - Atualizado em 03/11/2026 12:43
Doto: Divulgação


A equipe Sete Capitães, formada por estudantes do Instituto Federal Fluminense (IFF) Campos Centro, conquistou o primeiro lugar do Desafio Solar Brasil (DSB) 2026, competição nacional que reúne equipes responsáveis pelo desenvolvimento e pela construção de embarcações movidas a energia solar. A vitória, alcançada em Macaé, é resultado de anos de trabalho, aprimoramento tecnológico e superação de dificuldades enfrentadas desde a criação do projeto, em dezembro de 2019.

O grupo surgiu com o objetivo de projetar e construir um barco movido a energia solar para participar de competições pelo país. O nome Sete Capitães faz referência aos navegadores e militares que chegaram à região por volta de 1627, em um episódio da história de Campos dos Goytacazes.
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A trajetória competitiva começou em 2020, quando integrantes participaram do Desafio Solar Brasil como observadores. A experiência permitiu conhecer melhor as embarcações e as provas. De volta ao IFF, os estudantes deram início à construção do primeiro barco, desenvolvido na própria instituição. Em 2022, a equipe participou pela primeira vez como competidora e conquistou o terceiro lugar.

O desempenho positivo aumentou a motivação para as edições seguintes. No entanto, em 2023, durante uma das provas da competição realizada em Icaraí, Niterói, um acidente provocou a quebra da embarcação. O episódio representou um grande prejuízo para o projeto, que perdeu o barco construído ao longo de anos de trabalho.
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Após o acidente, os integrantes precisaram recomeçar. Com recursos obtidos por meio de um edital da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), a equipe conseguiu financiamento para construir uma segunda embarcação. O casco foi produzido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), utilizando uma tecnologia mais avançada, que permitiu reduzir o peso do barco.
O estudante de Engenharia do IFF Campos Centro e integrante da equipe, Andrey Oliveira, relembrou as dificuldades enfrentadas durante o processo de reconstrução.

“O pós-competição foi triste, pois tivemos que lidar com o ‘luto’ de ter perdido o último barco, fruto de alguns anos de trabalho, e correr atrás de outro. Com o edital da Faperj, conseguimos fomento para iniciar a construção do nosso segundo barco”, relatou.
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O novo casco chegou ao grupo no início de 2024. Com apenas três meses até a competição, os estudantes intensificaram os trabalhos e conseguiram concluir a montagem um dia antes do início das provas. Sem tempo para realizar testes prévios, a equipe precisou experimentar a embarcação durante a própria competição, em Búzios. Mesmo diante das dificuldades, terminou em quarto lugar entre 12 participantes.

Em 2025, as mudanças no barco e os ajustes técnicos levaram a equipe a disputar o Desafio Sol e Mar (DSM), competição que reúne as quatro melhores equipes do Desafio Solar Brasil. O Sete Capitães teve bom desempenho e liderou boa parte das provas, mas um problema na última etapa fez o grupo terminar na segunda colocação.

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A experiência acumulada nas competições anteriores serviu de motivação para uma preparação ainda mais rigorosa. Para a edição de 2026, os integrantes promoveram mudanças significativas na embarcação, realizaram testes prévios e adotaram novas metodologias de trabalho. O resultado foi um barco mais consistente e com desempenho de velocidade superior aos adversários.

Com uma participação de destaque e liderança durante a competição, o Sete Capitães conseguiu manter o bom desempenho até a última etapa e conquistou o título do Desafio Solar Brasil 2026.
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Conquista construída por várias gerações

Para Andrey, o título representa a superação de uma trajetória marcada por dificuldades e pela dedicação de diferentes gerações de estudantes. O integrante destacou que, apesar da conquista, a equipe ainda tem pontos a aprimorar.

“Ainda não estamos 100% e temos muito a melhorar, mas, considerando de onde saímos, foi uma vitória e tanto”, afirmou.

Por ser um projeto de extensão, o Sete Capitães passa por constantes mudanças em sua composição, já que muitos integrantes deixam o grupo ao concluir a graduação ou ao assumir outras responsabilidades. Apesar disso, o conhecimento e o trabalho desenvolvidos por cada geração contribuem para a continuidade do projeto.

Andrey também fez questão de reconhecer a participação dos estudantes que ajudaram a construir a história da equipe, mas não permaneceram até a conquista do campeonato.

“Muitas pessoas que se dedicaram ao projeto não conseguiram ver a equipe ser campeã, mas grande parte deste título é de vocês”, destacou.

A equipe reconhece que ainda existem melhorias a serem implementadas, mas considera o título de 2026 uma conquista expressiva diante de todos os obstáculos enfrentados desde o início. A vitória também representa o reconhecimento de anos de dedicação dos estudantes que ajudaram a construir a história do projeto.

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