Campos é a 2ª cidade do Estado em número de acolhimentos de crianças e adolescentes, diz MPRJ
- Atualizado em 30/09/2026 07:51
Foto: Divulgação
Campos concentra 12,02% das crianças e adolescentes acolhidos em serviços de acolhimento no Estado do Rio de Janeiro. Os dados são do 37º Censo da População Infantojuvenil Acolhida, divulgado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) na última sexta-feira (25). O município aparece em segundo lugar no levantamento, atrás apenas da capital, que concentra 25,67% dos acolhidos. Segundo a Fundação Municipal da Infância e Juventude (FMIJ), os 12,02% representam a participação do município no total de acolhidos do Estado no período do levantamento, mas não significam que essa parcela das crianças de Campos esteja em acolhimento.
De acordo com o levantamento do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e da Juventude (CAO Infância e Juventude/MPRJ), o Estado registrou 1.854 acolhimentos em 2026, número 10,8% maior do que o registrado no ano anterior. A negligência aparece como o principal motivo para o acolhimento, responsável por 46,1% dos casos. Na sequência estão os abusos físicos ou psicológicos, com 8%, e o abandono pelos pais ou responsáveis, com 7,5%.
Depois da capital e de Campos, aparecem São Gonçalo, com 4,53%, e Petrópolis, com 3,61%, entre os municípios com maior percentual de crianças e adolescentes acolhidos. Atualmente, o Estado possui 187 serviços de acolhimento, três a mais do que no ano passado.
O censo também apontou avanço na escolarização dos acolhidos. Em 2025, 70,47% das crianças e adolescentes atendidos frequentavam a escola. Neste ano, o percentual subiu para 74,16%.
Durante a apresentação dos dados, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, destacou a importância do levantamento para orientar a atuação do Ministério Público.
“O censo nos permite ter um quadro exato das crianças e adolescentes institucionalizados. Eles nunca foram considerados apenas números, mas pessoas que precisam ser vistas e consideradas nas ações do Ministério Público. Essas informações são fundamentais para orientar nossa atuação, identificar necessidades e contribuir para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à infância e à juventude.”
Segundo a promotora de Justiça Carina Flaks, coordenadora do CAO Infância e Juventude/MPRJ na área não infracional, o trabalho busca reduzir o tempo de permanência de crianças e adolescentes nos serviços de acolhimento.
“O MCA é um sistema que transformou a nossa forma de atuar junto às crianças e aos adolescentes acolhidos. No passado, muitos deles cresciam dentro das instituições e permaneciam por longos períodos nos serviços de acolhimento. Hoje, essa realidade mudou. Trabalhamos para que cada criança e adolescente permaneça no acolhimento apenas pelo tempo necessário, garantindo que tenham seus direitos assegurados e que possam, sempre que possível, retornar à convivência familiar ou encontrar uma nova possibilidade de cuidado e proteção”, disse.
Em nota, a Fundação Municipal da Infância e da Juventude (FMIJ) informou que considera os dados do censo um alerta para a rede de proteção e uma referência para avaliar as necessidades das crianças e adolescentes acolhidos em Campos. “Atualmente, 200 crianças e adolescentes estão em serviço de acolhimento em Campos, conforme levantamento atualizado da Fundação. O número se refere à situação atual e, por isso, deve ser apresentado separadamente do percentual apurado pelo censo”, informou.

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