Após o reajuste da tarifa de pedágio da BR 101, moradores de Conselheiro Josino, em Campos, realizaram uma manifestação na manhã desta quarta-feira (9). Segundo os moradores, as vans que fazem o transporte na região passaram a cobrar R$ 2 a mais no valor da passagem. Os moradores colocaram pneus sobre a pista, provocando a interdição da rodovia, na altura do km 34.
No dia 1º deste mês, a Arteris Fluminense, concessionária que administra a rodovida, informou que as cinco praças de pedágio da BR 101 RJ/Norte teriam as tarifas reajustadas a partir de meia-noite desta quarta. Com o reajuste, a tarifa básica para automóveis, caminhonetes e furgões passou a ser de R$ 10,80. A medida foi autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por meio da Decisão SUROD nº 967.
Uma moradora esclareceu que a passagem é R$ 3,50 e, nesta manhã, passaram a ser cobrados mais R$ 2 no valor.
"A população da redondeza está sendo prejudicada. A gente paga de ida 3,50 e, a partir de hoje, os motoristas estão cobrando 2 reais a mais em dinheiro, não foram as máquinas que foram atualizadas dentro da prefeitura. Então, a população não tem que aceitar isso, porque se hoje a gente aceitar, amanhã a gente vai aceitar também, então a gente quer uma solução", declarou.
Ela também cobra por fiscalização da prefeitura nos transportes públicos. "Nós, a população de Conselheiro Josino, temos que suportar isso. Pagar R$ 3,50 no cartão mais R$ 2 pra ir pra Campos. Nós, trabalhadores, somos obrigados a pagar. Isso não existe. Tirar do bolso do passageiro. Quero a fiscalização aqui pra fiscalizar tudo", comentou.
Jefferson Oliveira é o líder dos permissionários das vans em Campos. Ele explica sobre o reajuste no valor da passagam para as linhas do Setor C, como Vila Nova, Murundu, Palmares, Morro do Coco, Santa Maria, São Eduardo e outras. A medida teria sido tomada para manter o serviço de transporte diante dos custos.
“O custo do pedágio acabou influenciando nessa atitude de reajustar a tarifa. E a verdade é só uma. Com esse aumento, que começa a valer dia 9, os custos ficaram muito altos. Nós estamos com a tarifa defasada e congelada, desde 2022, onde o último reajuste tarifário foi dia 17 de março de 2022, e até hoje não tivemos mais nenhum tipo de reajuste. E o pedágio é um custo fixo. Temos outros custos voláteis, mas o pedágio é um custo fixo. E, até hoje, já somam 22% de reajuste na tarifa do pedágio e a tarifa nossa, nada. Então, com esse reajuste, vai para 66%”, explicou.
Ele destacou que segue trabalhando e contou que nessa terça-feira (8) se reuniu com o presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT).
“Nós procuramos diversos outros recursos para tentar não repassar esse custo para o usuário, só que, infelizmente, nós não conseguimos. Ainda estamos trabalhando. Participei de uma reunião com o presidente do IMTT. Quero até agradecer toda a equipe do IMTT que vem se empenhando em tentar ajudar. Temos alguns recursos sendo trabalhados para que possa ser retirado esse reajuste, porém precisamos de uma solução para amanhã. E a solução encontrada até o momento foi essa. A outra solução é parar de trabalhar, porque não tem como pagar esse reajuste”, contou.
As novas tarifas foram aplicadas nas praças de pedágio nas praças de pedágio localizadas nos municípios de Campos dos Goytacazes, Conceição de Macabu, Casimiro de Abreu, Rio Bonito e São Gonçalo. Segundo a autopista, a atualização tarifária estava prevista no Termo Aditivo de Modernização do Contrato de Concessão e considerava a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre maio de 2025 e julho de 2026, além dos mecanismos de reequilíbrio estabelecidos no novo modelo contratual.
A Folha entrou em contato com a Prefeitura de Campos sobre a reivindicação de maior fiscalização nos transportes públicos, mas ainda aguarda retorno.