Caso Luanda: acusado vai a júri popular em Campos
Júlia Alves 12/08/2026 10:59 - Atualizado em 12/08/2026 13:22
Luanda Bittencourt foi baleada dentro de um estacionamento na Rua 13 de Maio em 2022 e morreu após 23 dias internada no HFM
Luanda Bittencourt foi baleada dentro de um estacionamento na Rua 13 de Maio em 2022 e morreu após 23 dias internada no HFM
O júri popular de José Ricardo Silva Ribeiro, acusado pela morte de Luanda Bittencourt Mota Ribeiro, é realizado na manhã desta quarta-feira (12), no Fórum Juíza Maria Teresa Gusmão Andrade, em Campos. O julgamento acontece quatro anos após o crime. O acusado é ex-companheiro e policial civil aposentado, preso dois dias depois do crime. Até o momento, três testemunhas foram ouvidas, incluindo os filhos do casal.
Em depoimento da filha Alicia em juízo, ela contou que a relação dos pais era conturbada durante a infância dela, a adolescência e até mesmo de antes deles nascerem, ela sabia que o pai era uma pessoa agressiva com todos, definindo como "uma relação de altos e baixos".
Alicia contou ainda que sempre presenciou agressões verbais dele com a mãe, com ela e com o irmão. Sobre agressão física, ela comentou que só presenciou ele segurando ela pelo braço e disse que o pai batia neles quando criança. Ainda de acordo com o depoimento dela, o pai ameaçou a mãe financeiramente algumas vezes, dizendo que pararia de ajudar com as despesas dos filhos e da casa. Já em 2020, o casal passou a ter brigas piores e a mãe dizia que queria a separação. 
O terceiro depoimento foi do outro filho do casal, Davi, que falou sobre eles terem medo do pai. Os irmãos teriam se mudado da casa própria devido ao medo do acusado. Davi ainda confirmou, em juízo, também confirmou as agressões contra ele e a irmã, relatando uma em específico em que ele deslocou o dedo aos 8 anos de idade.
Uma das testemunhas do crime também deu seu depoimento no julgamento. Ela, que não conhecia a Luanda, estava no local antes do feminicídio acontecer. Segundo o depoimento, ela chegou no estacionamento e percebeu que o carro, que seria da Luanda, tinha batido. Nesse momento, a mulher observou que tinha duas pessoas no carro discutindo e que o homem começou a agredir a mulher.

A testemunha chamou o responsável pelo estacionamento no momento em que viu a agressão, que tentou intervir na situação, mas se afastou em outro momento. Quando a testemunha percebeu, o acusado já tinha descido do banco do carona e dado a volta no carro, apontando a arma para Luanda. A testemunha desceu do carro, andando rápido e saiu do estacionamento, momento em que ouviu os disparos, que afirmou ter sido mais de um.
O responsável pelo estacionamento também relatou sobre o crime em juízo, com depoimento parecido com o da mulher que esteve presente no local. 
A colega de trabalho de Luanda disse que a vítima era discreta e que conversavam sobre assuntos gerais, eventualmente comentavam algo sobre vida pessoal. Luanda teria dito pra testemunha que o marido era muito ciumento e ela presenciou algumas vezes que o marido aparecia no serviço de Luanda aguardando a saída dela, mas que nunca havia presenciado nenhuma briga ou escândalo.
A sétima testemunha foi uma amiga de Luanda que comentou que a vítima já havia relatado que o marido era agressivo. Quando soube que havia acontecido um crime próximo ao local de trabalho, a testemunha ligou para o celular de Luanda e um policial atendeu contando que a vítima estava sendo encaminhada para o HFM. A testemunha ressaltou que já sentia que algo poderia acontecer com a amiga.
O crime
Luanda tinha 46 anos quando foi assassinada a tiros dentro de um estacionamento na Rua Treze de Maio, no Centro de Campos. O crime foi registrado no dia 3 de fevereiro de 2022. Ela foi baleada três vezes e chegou a ser encaminhada para o Hospital Ferreira Machado (HFM), onde ficou internada por mais de dez dias em estado gravíssimo.

No dia 26 do mesmo mês, Luanda não resistiu aos ferimentos e foi a óbito.

Já José Ricardo foi preso dois dias após o crime em Casimiro de Abreu. Ele foi capturado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Luanda era assessora de gabinete administrativo da Regional Norte Fluminense da Secretaria de Estado de Educação e também era professora no Ciep Clóvis Tavares.

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