Dora Paula Paes
03/06/2026 16:18 - Atualizado em 03/06/2026 16:19
Divulgação/Foto: Instituto BW
Um bugio-ruivo (Alouatta guariba) foi solto em área do Parque Estadual do Desengano, unidade de conservação situada no Norte Fluminense e administrada pelo órgão ambiental estadual, no último dia 28. O animal foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros e Guarda Ambiental de Santo Antônio de Pádua no dia 13 de maio, pois estava há alguns dias rondando as árvores e residências de um bairro do município, e posteriormente foi encaminhado para cuidados veterinários no Instituto BW.
A ação de soltura foi conjunta entre o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), por meio do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, o Instituto BW e a Guarda Ambiental de Santo Antônio de Pádua. O bugio-ruivo é uma espécie ameaçada de extinção protegida por lei, e atendida pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e das Preguiças-de-coleira (PAN-PPMA) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Essa ação de soltura está alinhada e autorizada pelo Programa de Manejo Populacional da espécie.
Antes de voltar à natureza, o animal passou por todos os protocolos clínicos e laboratoriais necessários para avaliação do seu estado de saúde, incluindo exames físicos, monitoramento comportamental e acompanhamento veterinário contínuo durante o período sob os cuidados dos profissionais do Centro de Reabilitação do IBW. Após a conclusão das avaliações e confirmação de que o indivíduo apresentava condições adequadas para sobrevivência em vida livre, ele foi vacinado contra febre amarela pelo Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e teve sua reintegração ao ambiente natural autorizada.
Outra vez na natureza
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Divulgação/Instituto BW
Para possibilitar o monitoramento do animal após a soltura e acompanhar sua adaptação em vida livre, foi realizada a marcação individual por meio da retirada de pelos da cauda. O procedimento permitirá que a equipe do Parque Estadual do Desengano identifique o bugio em campo e acompanhe seu deslocamento, comportamento e integração ao ambiente, contribuindo para a avaliação do sucesso da reintrodução.
- Para a soltura, selecionamos o Refúgio dos Bugios, que fica em área reconhecida pela ocorrência frequente da espécie e por suas condições favoráveis a sua conservação. O monitoramento realizado após o surto de febre amarela (2016–2018) evidenciou uma redução drástica das populações de bugios em toda a região. Entretanto, esforços contínuos de acompanhamento vêm registrando o gradual retorno de grupos e indivíduos, indicando um processo consistente de recuperação populacional, ainda que em ritmo natural – destacou o gestor do Parque Estadual do Desengano, Heron da Costa.
Para Paula Baldassin, vice-presidente e coordenadora de Veterinária do IBW, a soltura deste Bugio é um momento extremamente importante, não apenas pelo sucesso do processo de reabilitação, mas também pelo papel ecológico fundamental que esses primatas desempenham nos ecossistemas florestais, especialmente na dispersão de sementes e manutenção da biodiversidade. "Cada retorno à natureza representa o resultado de um trabalho técnico criterioso, conduzido de forma integrada entre manejo, medicina veterinária e conservação da fauna silvestre”, conclui.