Projeto inovador visa a conservação de aves marinhas em terminais portuários
- Atualizado em 22/05/2026 15:10
Divulgação
A Vast Infraestrutura e a Petronas Brasil anunciaram na última quinta-feira (21) um projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para criar um modelo exclusivo de gestão e conservação de aves marinhas em terminais portuários.

A parceria foi formalizada durante uma cerimônia realizada no Terminal de Petróleo da Vast (T-Oil), localizado no Porto do Açu, em São João da Barra. O projeto será realizado com recursos provenientes dos compromissos de PD&I da Petronas Brasil, em conformidade com as exigências do regulador do setor de petróleo e gás, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A iniciativa visa desenvolver e validar uma metodologia replicável de gestão e monitoramento que possibilite a coexistência da reprodução de espécies ameaçadas com as operações portuárias. O modelo será baseado no Projeto Aves do Açu, uma iniciativa voluntária já realizada pela Vast Infraestrutura e executada pela consultoria Braço Social, que contou com o apoio da PETRONAS Brasil em 2024.

“Este projeto representa um passo adiante em como o setor de óleo e gás pode integrar suas operações com a conservação da biodiversidade. Com base na experiência bem-sucedida em nosso Terminal de Petróleo (T-Oil) no Porto do Açu, pretendemos consolidar uma metodologia replicável que permita às atividades portuárias coexistirem com a reprodução das aves marinhas”, afirmou Victor Bomfim, CEO da Vast Infraestrutura. Este é o primeiro projeto de PD&I regulado da companhia.

Desde 2022, a Vast Infraestrutura desenvolve soluções para permitir a coexistência entre suas operações e a reprodução do trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea) e do trinta-réis-de-bico-amarelo (Thalasseus acuflavidus), espécies ameaçadas que nidificam no T-Oil.

Até o momento, aproximadamente 484 ninhos de trinta-réis-de-bico-vermelho foram identificados, monitorados e protegidos no terminal. Além disso, a partir de 2024, foi registrada a formação de uma colônia de reprodução de trinta-réis-de-bico-amarelo. Desde então, tem sido possível conciliar a reprodução de cerca de 6.500 indivíduos desta espécie com as atividades operacionais no T-Oil.

A nova fase do projeto inclui a integração de múltiplas frentes de pesquisa, tais como parâmetros reprodutivos e demográficos, dinâmica espacial e padrões de migração, ecologia trófica e o status sanitário das aves, uma abordagem inédita no Brasil.

“Expandir o Projeto Aves do Açu com um escopo mais robusto reforça nosso compromisso com a sustentabilidade. Ao fortalecer os esforços de pesquisa e desenvolvimento no Porto do Açu, onde a Petronas Brasil opera, buscamos avançar na operação sustentável por meio do conhecimento e da conservação. Acreditamos que não apenas as pessoas e a natureza podem coexistir lado a lado, mas também prosperar por meio do cuidado e da harmonia”, disse Suhana Sidik, Country Chair da Petronas Brasil.

Entre as inovações planejadas está o uso de dispositivos GPS miniaturizados para rastreamento remoto das aves, permitindo o mapeamento de rotas migratórias, áreas de alimentação e padrões de uso do espaço marinho. Isso possibilitará a identificação de sobreposições entre essas áreas e atividades humanas, como pesca, exploração de petróleo e gás, operações portuárias e futuros desenvolvimentos de eólica offshore.

O projeto também inclui análises de ecologia trófica (como estudos de presas e análises de isótopos estáveis), além de monitoramento sanitário das populações de aves e anilhamento científico. O investimento total ultrapassa R$ 3,8 milhões, em cumprimento aos requisitos de PD&I da ANP, e a previsão é que o projeto dure três anos.

A expectativa é que o modelo desenvolvido possa ser aplicado em outros terminais no Brasil e no exterior.
Fonte: Assessoria

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