Maio Laranja reforça combate à exploração sexual contra crianças e adolescentes
Júlia Alves - Atualizado em 25/05/2026 11:40
Divulgação Maio Laranja

Com média de 150 casos de estupro de vulnerável por dia no Brasil em 2026, a campanha Maio Laranja reforça o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. De janeiro a março, o país registrou 13.462 ocorrências, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A cor laranja representa um sinal de alerta para uma realidade que ainda atinge milhares de crianças brasileiras todos os anos e a campanha busca romper o silêncio diante dessas violências. De acordo com especialistas da área, houve percepção de aumento de denúncias.
A Secretaria de Assistência Social de Campos informou que, de acordo com dados do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), 18 novos casos foram registrados neste ano, sendo dez meninas e oito meninos.
A conselheira tutelar, Manuelli Ramos, destaca as principais formas de identificar sinais de abuso: enxergar, ouvir e prestar atenção.
“É preciso ver e ouvir as crianças e adolescentes. Ver, no sentido de perceber mudanças comportamentais e regressões no comportamento, desde crianças que já desfraldaram e em idade incompatível com urinar, voltando a fazer isso; ou crianças alegres se tornando mais introspectivas, com choro frequentes. Ouvir, no sentido de manter diálogo frequente, ter ciência e participar do cotidiano dos filhos. É nesse movimento de vínculo e confiança que crianças e adolescentes confiarão em verbalizar que alguma violação está lhe acontecendo, dentre elas a sexual”, explica.
Manuelli aborda ainda que o aumento das denúncias pode estar ligado à maior conscientização da população e de profissionais relacionados à área sobre a importância de registrar os casos.
“A partir do aprimoramento do fluxo de comunicação entre os órgãos e serviços que atuam na proteção da criança e do adolescente, vítima de violência sexual, percebemos um aumento no número de denúncias, o que não significa um aumento no número de casos. Verificamos maior conscientização de profissionais da saúde, educação e da sociedade em geral quanto a essa forma de violação de direitos. Além da atuação mais incisiva, comunicando aos órgãos competentes, dentre eles com destaque ao Centro de Atendimento ao Adolescente e Criança vítima de violência sexual (CAAC), no Hospital Ferreira Machado, que é serviço que destina ao primeiro atendimento com assistente social e psicólogo, perícia e posterior comunicação ao Conselho Tutelar para aplicação das demais medidas de proteção”, comenta.
Em Campos há cinco conselhos tutelares divididos por território e atuam com ações de conscientização continuada. Além disso, há o Programa FortaleSER, pertencente à Fundação Municipal da Infância e da Juventude (FMIJ), que atua desde 2008 no combate a esses crimes e que, atualmente, atende 116 vítimas de violência sexual. De acordo com a coordenadora, Valéria Peçanha, a maioria dos casos acontece dentro de casa, por familiares e conhecidos. Ela destaca a importância de fazer a denúncia.
“Esse ato pode contribuir para interromper o ciclo da violência sexual contra a criança e ao adolescente, salvar vidas e punir os agressores. As feridas geradas pela violência sexual são dolorosas, imensuráveis. Não denunciar pode acarretar em consequências graves e fatais, como por exemplo o suicídio da criança ou do adolescente. Se você ou alguém próximo estiver passando por essa situação, é fundamental buscar ajuda médica, psicológica e policial”, comenta.
Passeata realizada nessa segunda-feira (18), no Centro de Campos
Passeata realizada nessa segunda-feira (18), no Centro de Campos / Amaro Júnior / Divulgação
O programa realiza campanhas preventivas com representantes dos segmentos de protecao com intuito de interromper o ciclo de violencia na regiao e no pais. Nessa segunda-feira (18), foi realizada uma grande passeata na Praça São Salvador com participação de diversos segmentos de proteção. Foram realizadas também panfletagem da equipe em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR 101, workshops e sensibilizações em escolas e outros lugares da cidade.
Panfletagem da equipe do FortaleSer em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR 101, nessa segunda
Panfletagem da equipe do FortaleSer em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR 101, nessa segunda / Divulgação
Em todo o Brasil, as denúncias podem ser feitas anonimamente através do Disque 100 dos Direitos Humanos ou no Conselho Tutelar do município. Assim como em delegacias especializadas ou comuns. Em caso de risco imediato, acionar a Polícia Militar pelo número 190.

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