Criador de Husky se pronuncia após denúncia de suposta venda irregular de animais em Campos
Após denúncia de venda irregular de animais, o criador de cães da raça Husky Siberiano, Edivaldo Vieira, se pronunciou para apresentar sua versão sobre o caso registrado no último sábado (11), em Campos. A denúncia ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo pela vereadora de Quissamã, Alexandra Moreira, que mostra o homem vendendo filhotes nas proximidades de um shopping no Parque Rodoviário. Ela ainda relatou que os animais estariam visivelmente desidratados e com sintomas de fadiga. Além disso, há um novo Código de Direito dos Animais, que entrou em vigor em janeiro deste ano, onde proíbe a comercialização de animais em logradouros públicos.
Edivaldo é criador de Husky Siberiano há 10 anos, atuando como coordenador de um canil da cidade em parceria com o Yuri Cordeiro Sales Portal, que é estudante do 9º período de medicina veterinária. Edivaldo afirma que todos os animais são bem cuidados e vacinados. Em entrevista, Edivaldo conta como ocorreu a situação no sábado e como a denúncia chegou até ele.
"Eu tenho um canil de Husky Siberiano que são registrados no The Kennel Club e que tem o pedigree CBKC. Meus cachorros são muito bem cuidados, vacinados, vermifugados, não tem nada de doença. Meus cachorros são saudáveis. Eu tenho três fêmeas e dois machos, então, quando tem filhote, eu sempre saía para vender. Colocava eles no meu colo e passava pela Pelinca, em frente ao Boulevard. Só que no sábado, eu estava lá aguardando o Yuri, que é um dos proprietários do canil, e tinha ido ao pet shop comprar uns negócios para os cachorros. Então, chegou uma cidadã, como se fosse uma cliente interessada no cachorro, perguntando sobre eles e só depois me perguntou se eu sabia que vender cachorro em rua era contra a lei. Eu falei que não sabia. Ela falou novamente que não podia e foi para o shopping", explica Edivaldo, que ressaltou como soube da denúncia.
"Depois, através de pessoas que me conhecem e sabem do meu trabalho, fiquei sabendo da denúncia, que foi feita como se eu fosse um bandido em 'vídeo de flagrante'. Eu achei um absurdo uma pessoa falar isso porque ela viu os cachorros no meu colo. Eu estava com quatro cachorros, eles são vacinados, vermifugados, bem cuidados, limpos, e eu sempre carrego na mochila a ração e a água, que no momento certo eu coloco pra eles. Ela falou que o cachorro estava com fome, com sede e desnutrido. Então, isso causou um rebuliço, onde as pessoas que me conhecem começaram a me defender nas redes sociais", relatou.
Sobre o novo Código de Direito dos Animais em vigor há três meses, Edivaldo afirmou que não tinha conhecimento, mas que ao ser informado pela vereadora procurou saber do que se tratava.
"Eu fui pesquisar para saber sobre essa lei, fui na delegacia e eles me informaram que não tinha conhecimento. Fui no gabinete de um vereador na Câmara e o assessor dele pesquisou na internet e viu que realmente existe uma Lei Estadual desde janeiro, só que nem a delegacia e nem a Câmara tinham conhecimento dessa lei. Então, como que eu vou ter conhecimento de uma lei que saiu em janeiro? É uma lei recente, acho que as leis têm que ser mais divulgadas para que o povo possa ter conhecimento. Eu vendia sim os cachorros nos pontos que eu achava melhor, a partir de agora, sabendo da lei, eu não vou mais fazer isso, porque a lei tem que ser respeitada. Agora, ela dizer que os meus cachorros estavam desidratados, isso daí eu não aceito. Ela teria que provar o que ela falou", comentou.
O novo código citado é composto por mais de 70 artigos e 18 capítulos, a normativa atualiza e substitui o antigo código, que é de 2002. No Estado do Rio de Janeiro, a venda de animais é rigorosamente regulamentada, proibindo a comercialização em logradouros públicos, feiras livres e sites sem comprovação de procedência. Entre outras normas, o novo Código determina que não será permitida a venda de animais vivos em logradouros públicos e nem promover feiras de filhotes sem que estejam devidamente imunizados com as vacinas técnicas recomendadas e apresentação dos documentos comprobatórios. Além disso, a legislação exige que os criadores sejam registrados, vacinem os animais e garantam bem-estar.
Devido a repercussão do caso, clientes passaram a defendê-lo nas redes sociais relatando a experiência com os filhotes comprados. Uma delas é a médica Cinthia Gomes, que fez o seguinte comentário em uma publicação: "Os filhotes estavam muito bem tratados. Tinha água no carro dele, ele estava na sombra. Comprei uma filhote, conheço um dos donos, tem pedigree, veio com carteira de vacina, primeira dose da vacina importada, vermifugada, limpa, sem uma pulga sequer. Se é crime vender na rua eu não sei... mas a vida inteira vi gente anunciando venda na rua. Hoje tem Instagram também, vejo todos os dias anúncio. A preocupada poderia então pagar um abrigo para os cachorros de rua, cuidar dos que estão verdadeiramente desidratados, feridos, doentes e famintos", disse.
Outro cliente, Samir Mendonça, também destacou o cuidado com o qual os animais são tratados. "O que fizeram com o Edivaldo foi uma covardia. Comprei sim uma cachorrinha com ele. Está hiper saudável, vacinada, muito bem tratada... Os cachorrinhos estão muito bem cuidados pelo Edvaldo e pelo Yuri", contou.
No sábado, a vereadora Alexandra contou a situação que presenciou. “Estava saindo da Cândido, fui ao shopping, e vi um cidadão vendendo filhotes de Husky no braço. Três filhotes no mesmo braço, apertando contra o peito e mostrando os animais para os carros que passavam. E nos pés dele, no gramado, um cesto com outro filhote. Como se não bastasse o abandono dos animais nas ruas, um cidadão desse vendendo animal como se fosse saco de laranja na porta do shopping. Os animais visivelmente desidratados. E o que estava dentro do cesto, não sei se estava dormindo ou desacordado, mas todos eles com sintomas claros de fadiga”, comentou.
Durante a gravação do vídeo, Edivaldo conta para ela que está vendendo os cães por R$ 2.500 e que esteve no mesmo local na semana passada para vender os animais. Alexandra então acionou a Polícia Militar que, ao chegar no local, não encontrou mais ninguém.