Colégio estadual destruído pelas chuvas é reinaugurado em Bom Jesus do Itabapoana
Gabriel Torres - Atualizado em 06/04/2026 15:29
Colégio Estadual Alcinda Lopes Pereira Pinto, em Bom Jesus do Itabapoana
Colégio Estadual Alcinda Lopes Pereira Pinto, em Bom Jesus do Itabapoana / Foto: Sandra Barros/Seeduc-RJ


O Colégio Estadual Alcinda Lopes Pereira Pinto, em Bom Jesus do Itabapoana, foi reinaugurado na última quarta-feira (1º), após ter sido destruído pelas fortes chuvas que castigaram a região em março de 2024, causando alagamentos e deixando dezenas de famílias desabrigadas em todo o município. A unidade servia como ponto de abrigo para chuvas fortes, tarefa que sustentou por horas enquanto casas do entorno já estavam com água quase no teto.
Quando foi atingida pelas chuvas, a estrutura do prédio foi avaliada pelas equipes técnicas do Governo do Estado já nos primeiros dias e um processo de reforma foi iniciado. Entre os espaços revitalizados estão: as salas de aula que agora contam com televisores, o refeitório, a sala maker, a sala de recursos, a biblioteca e a sala de informática.
Foi feita a troca de todas as portas e janelas, a substituição de todos os computadores, dos mobiliários de sala de aula e de escritórios e dos equipamentos industriais de cozinha, além da pintura completa, obras de acessibilidade e a criação de um laboratório de Ciências. Em uma segunda fase, estão previstas ainda a reforma da quadra e a implantação de uma horta comunitária.
A professora Lidete Couto, que trabalha na escola há 38 anos, dos quais 31 à frente da direção, viveu cada minuto da tragédia em 2024. Ainda em sua casa, pelo sistema de monitoramento do colégio, Lidete já assistia, com aperto no peito e lágrimas nos olhos, as águas invadirem a escola enquanto moradores que haviam se refugiado no espaço corriam para as partes mais altas em busca de socorro.
  • Fotos: Divulgação

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A docente contou que mesmo durante a limpeza e o período de obras, a escola não deixou de funcionar, garantindo o acesso à educação para os 90 alunos dos ensinos Fundamental e Médio, atendidos pela unidade.
“Há dois anos nós vivemos um dos momentos mais duros da nossa história e eu não queria que a comunidade perdesse essa escola, mesmo tendo certeza de que a água tinha destruído tudo. Mas havia algo que ela não podia levar, a nossa força, que encontrei em Deus, em cada funcionário, em cada aluno e em cada um dos pais que seguraram minhas mãos enquanto suas próprias casas estavam inundadas”, afirmou a docente.
O estudante da 2ª série do Ensino Médio, Lyan Victor Radaeli, que na época foi um dos voluntários, contou como tudo aconteceu e como se sente hoje.
“Foi muito triste ver que tudo que foi construído ao longo dos anos se perder na chuva, mas no dia seguinte as pessoas já estavam limpando, toda a escola estava unida e hoje ela está de pé de novo. É muita felicidade, uma coisa boa, um recomeço. A escola hoje está melhor do que antes, a gente não pode desistir”, afirmou o jovem.
População ajudou na limpeza do colégio após as fortes chuvas em 2024
População ajudou na limpeza do colégio após as fortes chuvas em 2024 / Foto: Sandra Barros/Seeduc-RJ
Relembre o caso
Após resistir bravamente, a correnteza do rio Itabapoana, na divisa com o Espírito Santo, venceu o prédio e invadiu a escola, derrubando muros e destruindo computadores, mobiliários, equipamentos e até mesmo livros, registrando mais de um metro de água e deixando dor e tristeza no lugar.
Esses sentimentos, porém, se tornaram a força que uniu ainda mais todo o bairro de Usina Santa Isabel, onde a escola está localizada. Naquele dia, juntos, moradores, alunos e servidores, iniciaram, já nas primeiras horas após a chuva, um grande mutirão de limpeza, seguido do suporte dado pelo Governo do Estado que resultaria na reforma e inauguração do prédio, ocorrida esta semana.
Religiosa, a Lidete lembrou que a imagem de Nossa Senhora Aparecida que ficava em sua sala foi encontrada na frente da escola, suja de lama e barro, mas de pé, um símbolo forte de fé e de esperança e um sinal de que não estavam sozinhos.
"Escolhemos acreditar e continuar. Nos adaptamos, trabalhamos em condições difíceis, mas não deixamos de abrir a escola nem um dia sequer, não deixamos de cumprir nossa missão de educar, acolher e transformar vidas. Hoje, vemos a prova de que com amor, com fé e com garra somos capazes de recomeçar ainda mais fortes, junto com novos sonhos, oportunidades e futuros. Eu não tenho dormido de tanta alegria", concluiu a diretora.
Fonte: Ascom

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