Obras de demolição do edifício Itu são suspensas no Centro de Campos
Rafael Khenaifes - Atualizado em 02/04/2026 10:33
Obras do edifício Itu são suspensas
Obras do edifício Itu são suspensas / Rafael Khenaifes
Ainda nesta semana, as obras de demolição do Edifício Itu, localizado na Rua Treze de Maio, no Centro de Campos, foram suspensas pela Enel após decisão judicial no último domingo (29). Nessa terça-feira (31) ainda era possível observar que o trabalho seguia normalmente. A obra está quase no fim, restando poucas paredes e entulho para ser retirado. Há previsão que o pouco que falta termine neste mês de abril, caso a obra retorne. 
O Ministério Público pediu para que a obra fosse interrompida no último dia 17, sendo concedido pela Justiça após, também, pedidos da Prefeitura. A decisão foi da juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, da 3ª Vara Cível de Campos.
"Sendo assim, suspendo os trabalhos de demolição para, acaso compreendam os técnicos não haver riscos, franquear acesso ao interior do prédio pelos técnicos sugeridos pelo COPPAM para que, no prazo de 60 dias, apresentem projeto de manutenção/restauração do prédio para ulterior análise deste Juízo", escreveu Helenice Rangel Gonzaga Martins.
A demolição está sendo custeada pela Enel, que herdou a questão do Itu da antiga Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj). O prédio está sob proteção de interesse patrimonial histórico, a partir da Resolução 002/2025, do Coppam.
O Itu, um marco da década de 60, é de interesse histórico na cidade. Esse imóvel tem seu valor cultural por ser um projeto do arquiteto Joffre Maia, que tem todos os seus projetos tombados pelo Coppam.
Procurada pela equipe de reportagem, a Enel afirmou que ainda não foi formalmente comunicada da decisão que suspendeu a demolição do Edifício Itu.
O arquiteto e urbanista Renato Siqueira explicou que o avanço da demolição foi possibilitado pelo longo prazo até esta decisão judicial e também comentou sobre questões técnicas.
Obra de demolição do Edifício Itu quase no fim
Obra de demolição do Edifício Itu quase no fim / Rafael Khenaifes


"O seu efetivo cumprimento, sem dúvidas é um significativo caso de perda histórica e cultural. Contudo, no remanescente, se houver, a se confirmar a viabilidade, segurança e conjunto de elementos deste patrimônio histórico, sob tutela da Resolução 002/2025 do COPPAM, se justifica o interesse na sua recuperação conforme as possibilidades. É importante considerar que, o estágio atual é o resultado das pancadas mecânicas, estimadas entre 11 e 22 toneladas, que não confirmaram o suposto risco de desabamento iminente cogitado deste 2005, portanto, há 21 anos. Fora isso, o edifício antes do início da demolição tinha 68 anos, sem qualquer registro de ocorrência de abalo estrutural. Isso precisa ser melhor apurado para esclarecer de fato o que motivou a demolição do Edifício Itu. Logo, não se justificaria a demolição, pela suposição do iminente desabamento, que, mesmo sob fortes pancadas de até 22 toneladas, não fez o Edifício Itu desabar. Outro detalhe técnico relevante, é que, se verdadeiro fosse o risco de desabamento iminente, o entorno do edifício deveria ter elementos robustos de isolamento que garantisse segurança à população no caso de desabar. Porém, o que se viu, foram veis de poliéster e cones de plástico, além da permanência do trânsito como se nenhum risco concreto de desabamento houvesse", argumentou Renato.
Já em nota, a Enel afirmou que já foi informada sobre a suspensão e que está cumprindo decisão judicial que determinou a demolição. A distribuidora disse ainda que está tomando as medidas necessárias.
"A Enel Distribuição Rio informa que foi notificada da decisão judicial que suspende a demolição do prédio da Rua Treze de Maio, 150, e está tomando as medidas cabíveis", diz a nota da concessionária.

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